Mérito Empresarial

Ele deixou Arcos há 18 anos, foi para a Europa e se tornou presidente de uma empresa que atua em mais de 10 países

Os fundadores da Geneseg Group são de 13 países e Walter Marinho é o único brasileiro

Publicada em: 11 de dezembro de 2015 às 18h18
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Arcos
Ele deixou Arcos há 18 anos, foi para a Europa e se tornou presidente de uma empresa que atua em mais de 10 países

Walter Marinho ao lado do vice-presidente Michel Temer

Walter Marinho, 39 anos, natural de São Paulo, filho de uma dona de casa e de um mecânico aposentado, morou em Arcos dos 5 aos 21 anos. O jovem sorridente que colecionava amigos, conhecido como ‘Waltinho’, deixou a ‘terra do calcário’ há 18 anos, para estudar. Ele mora na Europa há aproximadamente 10 anos (entre Portugal e Espanha), é presidente da Geneseg Group e investe na carreira acadêmica.

A Geneseg é uma empresa brasileira que nasceu na Europa, de um ambiente misto entre Brasil, Europa e África, dividida em sete áreas de Negócios: Consultoria, Investimento, Óleo e Gás, Tecnologia, Projetos Globais, Transportes e ITS (Sistema de Transporte Inteligente) e Logística I&D (Investigação e Desenvolvimento em Logística), espalhados por mais de 13 países, nos continentes americano, europeu, africano e asiático. Trata-se de uma holding, que controla suas participações noutras companhias e ajuda no desenvolvimento das mesmas.Dentre os países onde atua estão Irlanda, Portugal, Alemanha, Angola, Brasil, Inglaterra, EAU (Emirados Árabes Unidos), EUA e China.

Walter Marinho é formado em Gestão, com especialização emITILGovernance para Executivos,na Universidade Lusófona, em Portugal;Executivo Master em Gestão Estratégica e Negociação, pela Laurent University, em Lisboa (capital de Portugal), a mesma onde hoje está cursando doutorado em Gestão e Inovação. O presidente da universidade é o ex-presidente americano Bill Clinton. Walter Marinho está defendendo a tese Smart City e Mobilidade (“Cidade inteligente e mobilidade”). “Estou a dissertar sobre mobilidade e governança dentro de uma cidade inteligente”, conta.

O empreendimento Geneseg Group surgiu há oito anos, em 2007. “A fundação da empresa foi um projeto que surgiu da minha parte através de oportunidades de comprarmos empresas com dificuldades econômicas para recolocá-las no mercado. Fundamos a Geneseg com 33 acionistas, dos quais faço parte e fuiescolhido como Presidente Executivo em votação da assembleia geral que acontece a cada dois anos e isso se repete desde então”.

Os fundadores da empresa são de 13 países: Brasil, Portugal, Espanha, Irlanda, Noruega, Bélgica, Alemanhã, Inglaterra, USA, Angola, França, Malta e Itália. Walter Marinho é o único brasileiro. Para chegar à presidência, ele teve a indicação de todos os acionistas. A cada dois anos é proposto uma mudança, mas desde a fundação, o brasileiro é indicado para permanecer no cargo.

Com relação à Geneseg Group Europa, Walter Marinho tem uma participação considerável no percentual de ações e em 2013 adquiriu, por compra e trocas de ações, 100% da Geneseg Latino Americano, com sede no Brasil. “Estamos a reestruturar a empresa nesta fase, mas já temos como cliente a 3M Brasil, Petrobras, Portos e o Governo Federal”, relata.

 

 ‘Estou sendo apoiado pelos três grandes ITSs Mundiais a fundar o meu projeto que terá a sede no Brasil’

 No dia 19 de novembro, Walter Marinho postou em sua rede social: “Ministro do Panamá e  Embaixadora dão sinal verde ao meu projeto de ITS Latin America, longos 3 anos de insistência e objetivo, com fortes valores políticos, econômicos e culturais para o Brasil e demais países latinos-americanos”. ITS significa ‘Soluções Inteligentes de Transportes’. Segundo Walter Marinho, existem três grandes ITSs na América, Europa e Japão, sendo que estes ITSs são as maiores organizações do mundo que desenvolvem a sustentabilidade inteligente da mobilidade dos transportes e das infraestruturas para as cidades, nos setores marítimos, aéreo, ferroviário e rodoviário. Ele explica que esses ITSs são compostos de organizações sem fins lucrativos, por grandes empresas privadas dos setores dos trasportes e por órgãos públicos como o Ministério dos Transportes. “Eles têm a finalidade de fomentar e investigar as melhores práticas para auxiliar os setores públicos e privados a planejarem suas ações dentro do conceito de ITS, para melhorar a transparência, a sustentabilidade, reduzir os custos e garantir mais benefícios para a sociedade. Como faço parte do ITS Europa, fiz o projeto para ITS Latin America, e nesses anos fui  ganhando força e hoje estou sendo apoiado pelos três grandes ITSs Mundiais a fundar o meu projeto que terá a sede no Brasil - eu como Presidente Fundador e como presidentes institucionais os ministros de transportes de cada país latino americano”, explica e acrecenta: “O ITS Latin America será o ponto de ligação entre os órgãos públicos e os setores produtivos do setor dos trasportes”.

  

‘[...] Espero que elejam seus gestores e fiscais representantes não pelos tapas nas costas, pelo beber no mesmo copo [...], mas pela sua capacidade de fazer, de trazer recursos e de expandir de forma sustentável a nossa cidade [...]’ – referindo-se a Arcos

 Além de ser um executivo e investir na carreira acadêmica, Walter Marinho também se dedica à política.“Gosto de política e de estar inserido nela, de forma inovadora e de transparência maior para a sociedade, com E-Governance (*)”, diz. [(*) De acordo com o Portal da Unesco, E-Governance significa a “utilização, pelo setor público, de tecnologias de informação e comunicação com o objetivo de melhorar a informação e prestação de serviços, incentivar a participação dos cidadãos no processo de tomada de decisão e tornar o governo mais responsável, transparente e eficaz”.

Diante de mais essa atividade de Marinho, o CCO perguntou se ele tem pretensões políticas partidárias. Ele respondeu: “Parte das minhas pretensões políticas já foram realizadas, pois pude acrescentar valor nas ligações políticas entre Europa e Brasil e espero fazer muito mais, ingressando diretamente na política brasileira. Na Europa, pertenço ao Partido Socialista, e no Brasil, em 2004, eu era filiado ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) em Arcos. Pretendo me candidatar [em Minas Gerais, sendo que Arcos é uma das possibilidades], quando realmente eu tiver o tempo necessário para criar valor à sociedade e ter a disponibilidade necessária para a função, seja ela qual for, dentro de um  processo eleitoral.Mas em 2016, deverei trabalhar bastante nas campanhas políticas nos municípios e nas capitais, no Brasil, do ponto de vista estratégico dos candidatos”.

Ao ser perguntado sobre os políticos de Arcos com os quais ele tem alguma proximidade, nosso entrevistado respondeu: “Em nossa querida cidade, tinha maior proximidade com o Dr. Roberto Dias, com o Sr. Denilson Teixeira e o Sr. Claudemir (Baiano). Hoje mantenho essa maior proximidade, por questões que vão para além da política, com o Dr. João Júlio Cardoso. Como ainda não temos oficialmente candidatos e por não receber convites para este fim, não estou a apoiar ninguém. Mas teremos aí uma excelente  oportunidade de mudança, pois vejo uma sociedade mais atenta. Espero que esta eleja alguém que contribua para a cidade e consequentemente para o cidadão, não para um determinado bairro, para uma determinada pessoa, entre outros. Espero que elejam seus gestores e fiscais representantes não pelos tapas nas costas, pelo beber no mesmo copo ou por ir em velórios cumprimentar pessoas em hora de dor. Espero que os eleitores elejam um candidato pela sua capacidade de fazer, de trazer recursos e de expandir de forma sustentável a nossa cidade, trazendo realmente o progresso social, econômico e educacional que ela necessita”.

 

 “Um político alemão me disse que eu era um preto ‘diferenciado’, com ‘espírito de branco’, o que é um racismo bastante latente”

Walter Marinho conta que vivenciou uma situação de racismo na Europa. “O episódio que se passou comigo foi em um evento político ao qual eu era um dos oradores convidados. Um cidadão e político alemão me disse, antes de me levantar para minha palestra, que eu era ‘um preto diferenciado, com espírito de branco’ – o que é um racismo bastante latente, e que me surpreendeu, pelas pessoas e pelo lugar onde estávamos. Eu simplesmente perguntei o que isso significava, pois eu era preto com espírito de preto e não havia entendido as suas palavras. Levantei-me em seguida,  ele me pediu desculpas e eu o respondi de igual forma: também acho que o senhor é um branco com espírito de branco, porque um preto não daria um mau exemplo como o seu. Eu não levo isso ao pé da letra, mas tenho a certeza que ser negro em cargos de elevada responsabilidade não é fácil, pois parece que temos que estar sempre a provar que somos melhores que outros por estarmos ali, o que não é verdade e não é justo. Estamos ali por condições de igualdade intelectual e não de cor. Mas é assim que funciona na Europa, infelizmente, no Brasil e no Mundo. A mim não afeta emocionantemente em nada, já que interiorizo a sua existência e desprezo a mesma através do conhecimento. Espero que o futuro reserve maior igualdade em todos os setores, principalmente na política”, comenta.

De 2010 a 2014, Walter Marinho visitou sete países africanos: Angola, Guiné-Bissau, Senegal, Guiné Equatorial, Moçambique, Guiné Conacri e Nigéria.

  

Visita a Bruxelas dias após ataque terrorista em Paris  - Diante das mais recentes ameaças do ‘Estado Islâmico’ aos Estados Unidos, países europeus e africanos, o CCO perguntou a Walter Marinho se ele tem algum receio, uma vez que mora na Europa e viaja com frequência. Ele disse que  estava no Parlamento Europeu em Bruxelas, capital da Bélgica, na última semana de novembro, quando todos tiveram que obedecer ao toque de recolher por três dias. Dois dos terroristas suicidas que atacaram Paris em 13 de novembro eram franceses e viviam em Bruxelas, onde o bairro Molenbeek-Saint-Jean é conhecido como “celeiro do terrorismo” na Europa. “Havia uma grande quantidade das forças armadas nas ruas por lá e em todos os países e de alguma forma esse temor vem causando prejuízos à economia e na sociedade, além de ódio e descriminação religiosa sem precedentes e também injustas. No Brasil mata-se mais que qualquer guerra e não damos valor a isso, já achamos banal e isso é um aspecto muito ruim para uma sociedade, que acha essas atrocidades normais”, compara.  

  

Dedicação à família e gratidão aos padrinhos e amigos que deixou em Arcos

Walter Marinho fala dos pais e dos filhos: “Meus amados e preciosos pais. Deus não poderia ter me agraciado com maior bênção que esta, o de ser filho da D. Maria do Carmo e do Sr. Valdivino, que moram na Augusto Lara há mais de 25 anos. Ambos são aposentados, com a missão diária voltada para o bem-estar do próximo e da caridade. São exemplos de pessoas. E tenho dois filhos maravilhosos, de 10 e 5 anos”. Em seguida, cita pessoas de Arcos que, segundo ele, “tiveram muita importância na sua formação: os padrinhos ‘Nelio do Supermercado Real’ e Bete. “No início da minha formação tenho que agradecer pela oportunidade que foi dada em trabalhar com o Dr. João Júlio Cardoso e com o Dr. Lindomir Dornellas, na parte de aparelhos ortopédicos”. O primeiro curso superior feito por Walter Marinho foi em Prótese Buco-Maxilo.

 

Dicas para quem deseja ir morar na Europa

Para quem  tem planos de deixar o Brasil e ir morar na Europa, Walter Marinho aconselha: “A Europa passou por uma crise séria e agora que começa a estabilizar, mas nesse processo ela deixou milhões de pessoas muito bem capacitadas fora do mercado de trabalho. Quem deseja imigrar tem que se preparar muito mais para disputar de igual forma com os europeus, que são muitos, mesmo nas atividades que antes eram preenchidas por imigrantes. Outro fator é a competitividade das empresas, que reduziram salários e por isso já não é o eldorado como pensam, principalmente se cair em setores pouco privilegiados. Por isso, na minha opinião, se prepare muito antes de tomar esta decisão, se informe bastante e venha com sua documentação legal, porque sem vistos de trabalhos já não se consegue emprego, pois são altas as taxas de penalização para as empresas que contratam imigrantes ilegais, além do mesmo ser deportado e proibido de voltar à Europa por cinco anos”, conclui.