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Eles desenvolvem duas atividades profissionais para a garantia de uma renda extra

Leila Veloso e Wuelbison Belchior fazem parte desse grupo emergente de brasileiros que se desdobram em dois empregos

Publicada em: 28 de agosto de 2019 às 13h24
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(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 24/08/2019) - Edição 2015

Com o cenário do desemprego no país e a grande quantidade de oportunidades informais, ter uma ocupação a mais para complementar a renda tem se tornado comum entre os trabalhadores. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados pelo O GLOBO, em abril de 2019 o país estava com quase 3,5 milhões de trabalhadores nessa situação. Nos dois últimos anos, esse grupo teve acréscimo de quase um milhão de pessoas.

A psicóloga Leila Cristina da Silva Veloso, de 35 anos, é uma dessas pessoas que se desdobram em dois trabalhos. É psicóloga nos Programas de Saúde da Família (PSFs) da rede pública e, fora do horário de serviço público, trabalha como artesã, confeccionando artigos de decoração para festas.

Leila é casada com o vendedor Diego Veloso. É psicóloga há 10 anos e se tornou artesã como uma forma de complementar a renda da família, depois da chegada de seu filho, Daniel. “O segundo trabalho veio em 2018 para complementar a renda, porque meu marido tinha ficado desempregado e então eu ganhei o Daniel; ele estava pequenininho e a gente se viu só com o meu salário de psicóloga. Então nós vimos essas caixinhas que estavam sendo feitas para as festas e decidimos: Vamos tentar! Graças a Deus, deu muito certo!”.  

Para conciliar as duas atividades e as ocupações domésticas, Leila sai do trabalho, busca o filho na creche às 16 horas, faz as tarefas de casa e fica com o filho até a hora de ele dormir; depois trabalha durante a noite com as decorações da Com Arte, o nome do ateliê. Ela conta que nos fins de semana é a mesma rotina. O marido, que já está trabalhando, também ajuda quando chega do serviço. “Depois que meu filho dorme, eu começo o meu terceiro tempo. E graça a Deus vem dando muito certo. É cansativo, um pouco, mas eu acho que eu não consigo largar nenhum”.

 

Wuelbison Belchior

 

Na família de Wuelbison Belchior, todos exercem duas atividades profissionais, seguindo o exemplo dele

Wuelbison Belchior (Ebinho), de 45 anos, também faz parte desse grupo de pessoas que atuam em duas atividades profissionais. Ele é proprietário da lanchonete Verde Limão, situada na avenida Magalhães Pinto, e em algumas noites trabalha como garçom, ofício que aprendeu aos 15 anos. “Eu comecei com 15 anos e sempre conciliei um serviço a outro. Quando eu comecei de garçom eu trabalhava de servente durante o dia e de garçom à noite. Depois, com o decorrer do tempo, eu arrumei emprego em hotéis, mas sempre conciliando o freelancer de garçom”.

No início não foi fácil, porque ele sempre tinha que se desdobrar em dois trabalhos para conseguir uma renda extra. Em certa época, Wuelbison e a esposa chegaram a trabalhar catando papelão na rua e à noite ele continuava com o serviço de garçom. “Eu e minha esposa tínhamos uma charrete e catávamos papelão, e tudo veio com o esforço. Mesmo eu catando papelão na rua, as pessoas me viam nas festas”.

A oportunidade de abrir a lanchonete veio com a dedicação e o tempo. Em um ano ruim de emprego, ele decidiu fazer um curso de salgados e doces. Ele e a esposa começaram a vender na rua, indo a lojas e oficinas. Depois de um tempo, conseguiram abrir o próprio negócio. “A gente pediu a Deus para que Ele abençoasse um lugar pra gente ficar mais quieto. Então foi quando surgiu a oportunidade desse ponto aqui”, relata.

A lanchonete já está em funcionamento há seis anos e Wuelbison continua prestando o serviço freelancer de garçom, mas hoje, não é mais por necessidade e, sim, por amor à profissão. “Quando eu comecei foi, sim, uma renda extra, porque no início eu era muito jovem. Hoje eu faço porque gosto. Às vezes a gente não está precisando tanto, mas é aquela coisa que a gente tem aquele amor e não consegue largar mais”, comentou.

Diante do exemplo, a esposa e os filhos seguem o mesmo ritmo. “Esse freelancer, eu já passei pra minha esposa, pra minha filha e para meu filho. Hoje, quando a gente vai trabalhar em certas festas, às vezes vai pai, mãe e os dois filhos. É o segundo serviço deles”.