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SETEMBRO AMARELO

Em meio à pandemia e ao isolamento social, a pessoa idosa se torna mais vulnerável

Publicada em: 14 de setembro de 2020 às 15h15
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Entrevistas

Crédito: Suprevida

Em meio à pandemia e ao isolamento social, a pessoa idosa se torna mais vulnerável

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 05/09/2020) - Edição 2067

Dez de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha "Setembro Amarelo" ocorre durante todo o mês, com a realização de ações que buscam prevenir e reduzir os números de suicídios e também conscientizar sobre os tratamentos contra a depressão.

Nos últimos anos, quando se trata de depressão e ansiedade, o foco tem sido voltado para os jovens, por estarem em uma fase de insegurança e questionamentos. Porém, com a pandemia de Covid-19 e o isolamento social, os idosos têm sido mais afetados no que se refere à saúde mental. Afinal, por fazerem parte do grupo de risco, é orientado que eles devem ficar em isolamento. Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2019 as pessoas com idade entre 60 a 64 anos foram as mais afetadas pela depressão no país, representando 11,1% dentre os 11,2 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença.

Em entrevista ao Jornal CCO, a psicóloga Jaqueline Ap. Mendonça Prado explicou que a depressão pode ocorrer em qualquer fase da vida, independentemente da idade. "Os casos têm aumentado bastante e hoje ela é considerada o mal do século. Sendo assim, com a pessoa acima dos 60 anos não é diferente". A psicóloga comentou que, devido o período de pandemia da Covid-19, as pessoas que já possuíam pré-disposição à depressão foram mais afetadas com o isolamento social. Porém, nesta fase, aumentou o estresse e a ansiedade entre as demais pessoas idosas, principalmente por fazerem parte do grupo de risco. "Por fazerem parte do grupo de risco, eles são privados, muitas vezes, do contato com as pessoas que eles têm grande vínculo afetivo, o que gera muitos sentimentos que podem levar a uma tristeza profunda".

Se você perceber que um idoso ou pessoa de qualquer faixa etária está triste, é preciso agir para reverter essa situação. Não ignore.  "A tristeza é um sentimento que pode ser despertado no idoso ou em qualquer faixa etária; deve ser respeitado e não desconsiderado. Esse sentimento, eventualmente, é comum de nossa natureza, mas a pessoa idosa ou de qualquer faixa etária na qual se prolonga esse sentimento deve ser observada e cuidada, porque pode ser um sintoma inicial de um possível adoecimento", explica.

Nessas situações, os familiares e cuidadores devem observar e acompanhar com mais cuidado o dia a dia e o comportamento do idoso. Jaqueline explicou que a pessoa idosa pode apresentar alguns sinais que são um pouco diferentes dos sinais apresentados por pessoas mais jovens. "Nos idosos, a depressão costuma atingir a memória. Também podem surgir sintomas físicos como dor no corpo, perda de apetite e de sono, não sentir vontade de tomar seus medicamentos de uso contínuo para tratar alguma enfermidade, perda do interesse de participar de coisas que fazem parte da sua rotina".

 

"O diálogo é uma forma de contribuir para que a pessoa não se sinta só, evitando a carência afetiva e emocional [...]" - Jaqueline Prado

Devido à experiência e sabedoria da pessoa idosa, o que elas mais gostam de fazer é conversar e contar histórias, porém, nem sempre recebem a atenção que merecem e isso interfere muito em seu emocional. A pessoa idosa precisa de atenção e seus familiares devem demonstrar seu carinho por meio da escuta e do interesse em saber o que ela tem a lhe dizer. "O diálogo é uma forma de contribuir para que a pessoa não se sinta só, evitando a carência afetiva e emocional. O idoso sempre tem histórias para contar, afinal já possui uma boa bagagem de vida. Devemos ter o cuidado, carinho e muita atenção com os idosos, pois assim podemos contribuir para aquecer seus corações e para que eles fiquem bem neste momento que estamos vivendo", disse e orientou que diante de uma impossibilidade de visita-los neste momento, os familiares devem fazer uma ligação, uma chamada de vídeo e procurarem alguma forma de se fazerem presentes e de demonstrarem interesse pela vida deles.

Ao final da entrevista, perguntamos quais tipos de atividades podem ser desenvolvidas pela pessoa idosa, para que ocupem seu tempo se distraindo e se divertindo. Ela explicou que, primeiramente, deve-se analisar o limite de cada pessoa e a realidade em que ela vive, para então identificar algumas atividades que possam estimular o cérebro. Entre essas atividades ela indicou: xadrez, jogos de cartas, uma boa leitura e atividades do cotidiano. No caso de atividades físicas, devem ser adotados todos os cuidados, principalmente em prevenção ao coronavírus.