Mérito Empresarial
Combate à Hanseníase

Em menos de três meses, Arcos registra dois casos de hanseníase

Brasil está em segundo lugar no ranking de países com novos casos da doença, que é contagiosa quando o paciente não está em tratamento

Publicada em: 02 de maio de 2017 às 13h08
Saúde

(Publicado pelo Jornal CCO impresso em 16-04-2017)

 

A Carreta da Saúde, um caminhão itinerante com cinco consultórios e um laboratório, percorre o Brasil oferecendo atendimento gratuito à população para esclarecer dúvidas relacionadas à hanseníase, exames clínicos e orientação sobre métodos de diagnosticar e combater a doença. O veículo ficou estacionado na praça Floriano Peixoto, em Arcos, nos dias 20 e 21 de março.
O atendimento foi feito pelas enfermeiras Aline Cristina Miranda Araújo (PSF Zona Norte), Daniela Alves Rocha (coordenadora da Epidemiologia), Fernanda Carla Silva (PSF Santo Antônio), Mara dos Reis Silva (PSF Jardim Bela Vista) e Marcela Ribeiro Gomide (PSF São Judas Tadeu).
Segundo a enfermeira Daniela Rocha, foram realizados exames clínicos com teste de sensibilidade, que é uma das maneiras de diagnosticar suspeitas da doença. Ela disse ao CCO que 109 pessoas foram atendidas, superando as expectativas. Do total, 12 foram encaminhadas para o Posto de Saúde que atende à região onde moram ou para a médica dermatologista Gilséa da Silva Gaspar, na Fumusa (Fundação Municipal de Saúde e Assistência Social de Arcos). Pacientes com suspeita ou confirmação de hanseníase foram encaminhados para consulta com a dermatologista. Já os casos que não apresentaram perda de sensibilidade [uma das características da hanseníase] foram encaminhados para a Estratégia Saúde da Família –ESF (ou PSF) onde a pessoa é acompanhada. Também foram identificadas suspeitas de micose, alergias e psoríase.
O serviço é uma iniciativa da Novartis, empresa sediada na Suíça, que atua em parceria com o Ministério da Saúde, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A finalidade é erradicar a doença até o ano de 2020.

 

Sintomas da hanseníase

Os primeiros sintomas da doença, segundo a enfermeira Daniela Rocha, são manchas claras ou vermelhas na pele, causando a diminuição da sensibilidade; perda dos pelos; ausência de transpiração; dormência e fraqueza nas mãos e nos pés. É muito importante que o paciente procure o serviço de saúde para que o diagnóstico seja feito com precisão.

 

Transmissão: informe-se, para evitar o preconceito

Ainda de acordo com informações disponibilizadas ao CCO pela enfermeira Daniela Rocha, o contágio ou transmissão se dá por meio de uma pessoa doente que apresenta a forma infectante da doença (multibacilar – MB) e que, estando sem tratamento, elimina os bacilos [bactérias] por meio das vias respiratórias (secreções nasais, tosses, espirros), podendo, assim, infectar outras pessoas suscetíveis. Uma informação curiosa é que o bacilo de Hansen tem capacidade de infectar grande número de pessoas, mas poucas adoecem, porque a maioria apresenta capacidade de defesa do organismo contra o bacilo.
De acordo com informações do site www.bensaude.com.br, tendo como fonte o Ministério da Saúde, “não se transmite hanseníase por compartilhar copos, pratos e talheres (se o paciente estiver em tratamento); assentos, como cadeiras, bancos; apertos de mão, abraço, beijo e contatos rápidos em transportes coletivos ou serviços de saúde; picada de inseto; relação sexual; aleitamento materno; doação de sangue; herança genética ou congênita (gravidez)”. Ainda de acordo com essa fonte de informação, “assim que a pessoa começa o tratamento, deixa de transmitir a doença. Portanto, a pessoa com hanseníase não precisa ser afastada do trabalho, nem do convívio familiar”.

 

Hanseníase tem cura - doença deve ser diagnosticada rapidamente

Segundo as informações disponibilizadas ao CCO pela enfermeira Daniela Rocha, a hanseníase com tratamento realizado corretamente tem cura. No entanto, quando diagnosticada e tratada tardiamente pode trazer graves consequências para os portadores e seus familiares, pelas lesões que os incapacitam fisicamente. A hanseníase pode causar deformidades físicas, que podem ser evitadas com o diagnóstico no início da doença e o tratamento imediato.
Existem medidas que podem evitar essas incapacidades. “A prevenção de incapacidades é uma atividade que se inicia com o diagnóstico precoce, tratamento com poliquimioterapia, exame dos contatos e BCG [*], identificação e tratamento adequado das reações e neurites [inflamação de um nervo (ou de um grupo de nervos)] e a orientação de autocuidado, bem como dar apoio emocional e social. A Prevenção de Incapacidade se faz necessário em alguns casos após a alta de poliquimioterapia (reações, neurites e deformidades em olhos, mãos e pés). Estas medidas são necessárias para evitar sequelas, tais como: úlceras, perda da força muscular e deformidades (mãos em garra, pé caído e outras). Recomenda-se o encaminhamento às unidades de referência, os casos que não puderem ser resolvidas nas unidades básicas”, relata a enfermeira, que enfatiza: “A hanseníase tem cura e deve ser diagnosticada rapidamente”.

(*) A vacina BCG [Bacilo de Calmette-Guérin] faz parte do calendário de vacinação infantil. Quando uma pessoa na casa possui Hanseníase, todos os moradores devem procurar o posto de saúde para exame clínico e também devem tomar essa vacina. Previne tuberculose e também é recomendada para pessoas de qualquer idade que convivem com portadores de hanseníase (lepra) e estrangeiros ainda não vacinados e que estejam de mudança para o Brasil, de acordo com informações do site familia.sbim.org.br.