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Empresa de consultoria apresenta propostas para reestruturação da Santa Casa de Arcos

Consultoria foi custeada com verba que o Ministério Público solicitou à Prefeitura

Publicada em: 03 de dezembro de 2019 às 13h19
Arcos
Saúde

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 30/11/2019) - Edição 2029

Foi realizada na Câmara Municipal, na última segunda-feira (25), a reunião em que houve a exposição do relatório da consultoria realizada pelo Instituto Axis, na Santa Casa de Arcos.

A contratação da empresa é uma das ações da nova diretoria da Santa Casa de Arcos com a finalidade de equilibrar as contas da entidade e fazer investimentos que possam contribuir para o aumento das receitas. A provedora, irmã Sandra Gontijo, disse que essa consultoria só foi possível graças ao Ministério Público (MP), por meio do promotor Eduardo Fantinati; do Executivo (que liberou a verba a pedido do MP) e dos vereadores, que aprovaram a verba destinada à execução desse projeto.

O Instituto Axis atua em todos os estados, nas áreas de saúde e educação, atendendo inclusive à igreja católica e universidades, a exemplo da PUC Minas em Arcos.  Na área de saúde, atende a 150 hospitais no país, sendo um deles a Santa Casa de Belo Horizonte, que tem mil leitos. “O que fazemos é tentar levar o que tem de melhor em termos de gestão, para que a instituição seja perene. Trabalhamos com diagnóstico propositivo. O relatório é constituído por sugestões”, disse o consultor Ariston de Oliveira Silva, que é economista e administrador hospitalar e visita hospitais há mais de 30 anos.

A consultoria concluiu, entre outras questões, que a Santa Casa tem um número enxuto de funcionários. Não há necessidade de demissões, mas é preciso mudar a cultura do hospital. Os colaboradores foram orientados sobre a importância da emissão de relatórios mensais, em todos os setores. É importante mensurar o número mensal de internações, cirurgias e outros procedimentos.

O consultor Hélio Fernandes disse que nem todas as mudanças a serem feitas dependem de recursos financeiros. Nesse sentido, a responsabilidade é de todos. Ele também comentou sobre a importância de se buscar o aumento das receitas e a ocupação adequada do espaço do imóvel. “O que faz o hospital girar é sua ocupação. O que o hospital tem a oferecer e o que a comunidade precisa?”, orientou e argumentou, sugerindo que sejam verificadas as demandas da cidade e da região. Em síntese, disse que a Santa Casa tem uma grande possibilidade de se corrigir internamente. Afirmou que não foi verificado “nada de extraordinário”, mas que é necessário esforço e cuidado” para promover as mudanças.

 

Orientações do Instituto

Com base no diagnóstico elaborado, o Instituto Axis enumerou orientações e propostas para que a Santa Casa possa aplicar e, assim, obter melhores resultados. A primeira orientação refere-se à necessidade de agregar outras especialidades médicas na condição de ambulatório, estabelecendo consultas periódicas para a população, por meio de convênios e atendimentos particulares.

Os consultores ressaltaram que o Corpo Clínico da Santa Casa é fechado e que está nas mãos de poucos médicos plantonistas e de sobreavisos. A orientação é que a entidade deve, com cuidado e bom entendimento, procurar abrir esse Corpo Clínico, possibilitando maiores chances de médicos parceiros. Propuseram o restabelecimento de um novo Corpo Clínico, renovado e alinhado com a Santa Casa, definindo as especialidades de maior necessidade da população.

Foi ressaltada a necessidade de aproximação da Santa Casa com o Hospital Municipal São José, tendo em vista que o hospital municipal possui toda a condição de ser a porta de entrada da entidade, por meio do envio de pacientes. Deve-se também estabelecer um novo formato de remuneração dos médicos, verificando produção de convênios e particulares, plantões, sobreavisos e a participação da Santa Casa.

Outra proposta apresentada orienta a entidade a criar pacotes de serviços/cirurgias que possam ser financiados e pagos por meio de cartões de crédito e parcelamento próprio.

Também foram realizadas as seguintes sugestões: mais esforços para a finalização da obra do complexo do bloco cirúrgico; implantação de Prontuário Eletrônico, com cadastro adequado e capacitação dos médicos usuários desse sistema; criação de fluxo de caixa e evolução econômica plurianual e direcionadora das decisões financeiras; criação de programa de capacitação das principais lideranças e criação do setor de Recursos Humanos; estudo dos custos das atividades da Santa Casa de Arcos para projeções financeiras mais fiéis; atualização da contabilidade e criação de cronograma de fechamento contábil; definição de grupos de estudos para criação de Planejamento Estratégico mínimo e sua condução na linha do tempo, com acompanhamento dos resultados e indicadores, incluindo todas as outras orientações; implantação de sistemas informatizados e de controles e prioritariamente dos módulos do SPData; credenciamento de médicos em convênios que possam pagar os serviços diretamente a eles, evitando que esses recursos entrem na unidade e sejam utilizados para outros fins.

Também foi sugerida a organização do SAME (Serviço de Arquivo Médico e Estatística) e a possível aplicação do Programa 5s que é um programa de gestão de qualidade empresarial que visa aperfeiçoar aspectos como utilização (Seiri), organização (Seiton), limpeza (Seiso), padronização (Seiketsu) e disciplina (Shitsuke).

Foi apresentada a necessidade de trabalhar a credibilidade da Santa Casa, das equipes médicas e de assistência junto à população local.