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Empresários ainda não ofereceram ajuda à Santa Casa de Arcos

Publicada em: 08 de maio de 2019 às 10h20
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Saúde
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(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 03/05/2019) - Edição 1999

 

Na edição de 26 de abril, o Jornal CCO noticiou o déficit da Santa Casa de Arcos e a iminência de fechamento. A instituição está em débito com fornecedores; empréstimos (bancos); impostos; contas de água, energia elétrica e telefone; médicos (dívida que se arrasta desde 2016) e funcionários (valor referente ao Vale Alimentação em atraso há dois meses). Só para os médicos, deve mais de R$1 milhão. Em 3 de abril deste ano, a dívida já superava R$2 milhões (R$2.651.503,71).

O médico Tales Lopes Lamas, diretor técnico, disse ao CCO que os médicos plantonistas estão com os pagamentos atrasados há aproximadamente três meses. Outros repasses referentes à produtividade e a convênios – que ficam retidos – também não são repassados a esses profissionais há cerca de dois anos.

Até então, segundo o gerente administrativo Roberto Miranda, nenhum empresário ofereceu ajuda financeira, que é a necessidade emergencial para efetivação dos pagamentos.

O prefeito Denilson Teixeira disse que o Município não pode aumentar a contribuição aprovada, que é de R$1.200.000,00, lembrando que o Estado deve mais de R$ 16 milhões ao Município, referentes à gestão do ex-governador, e neste ano também não foram feitos todos os repasses.  

No dia 23 de abril foi realizada uma reunião na Casa de Cultura com as seguintes presenças: promotora de Justiça Juliana Vieira; prefeito Denilson Teixeira; presidente da Câmara, Luiz Henrique Messias; provedor da Santa Casa, Urbano Albuquerque; médicos Roberto Alves e Tales Lamas; secretário municipal de Saúde, João Júlio Cardoso, e de Fazenda, Dênio Dutra, dentre outras representatividades. Empresários e representantes de clubes de serviço do Município também estavam presentes.

A finalidade do encontro foi justamente expor o risco de fechamento da Santa Casa de Arcos, que existe há mais de 70 anos, e pedir apoio aos empresários e população em geral.

O médico Roberto Alves, representante do corpo clínico, disse que o faturamento do hospital cobre apenas 40% dos custos. Ele pediu apoio aos empresários, a toda a população e também aos poderes Executivo e Legislativo. Disse que há 31 meses os médicos não recebem os valores referentes aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde).

 

Auditoria – Na última sexta-feira, 26, a promotora Juliana Viera e integrantes da diretoria da Santa Casa estiveram em Divinópolis, onde conversaram com o superintendente regional de Saúde, Alan Rodrigo da Silva, com a finalidade de saber o interesse do Estado na Santa Casa de Arcos. O retorno não foi positivo. “Infelizmente, o que nós ouvimos é que o Estado está em crise e que a Santa Casa de Arcos, por ser um hospital de pequeno porte, para o Estado ele não vai contribuir com nada. O interesse seria do Município, em contribuir na manutenção da Santa Casa”, disse a promotora, em entrevista ao CCO.

Nesse sentido, foi dito que como competência do Estado, ele vai referenciar com outras instituições, como por exemplo, para internações em São Sebastião e até mesmo em Montes Claros, ou seja, onde tiver vaga. “Ficou bem claro que a Santa Casa de Arcos não é estratégica para o Estado de Minas Gerais”, esclareceu.

No projeto de reestruturação da Santa Casa, será solicitada uma auditoria. A finalidade é estudar os pontos a serem melhorados e as possibilidades do que pode ser feito para que não ocorra o fechamento da unidade. Uma das metas é tentar transformar a Santa Casa numa empresa autossustentável. “A grande maioria das Santas Casas vivem de doações. A ideia é chamar as empresas para criarem o hábito de doar para a Santa Casa, e também a população”, informou.

 

Procedimento Administrativo de Fiscalização Continuada

A promotora Juliana Vieira relatou que o Ministério Público foi procurado pela diretoria da Santa Casa em meados de abril, quando foi relatada a dificuldade na formação de chapas para concorrer à eleição da diretoria que deveria ter acontecido no final deste mês. Foi instaurado um Procedimento Administrativo de Fiscalização Continuada, para que, a partir de agora, o MP possa acompanhar, mediar e apoiar. Disse que se trata de um problema grave e emergencial.

 

Novos sócios e eleição

Na reunião de 23 de abril foi relatado que das 120 vagas para sócios, o hospital tinha apenas 15 que estão em dia com a mensalidade (no valor de R$ 50,00). Os sócios são voluntários e não podem receber nenhum benefício ou privilégio. Na ocasião, iniciou-se uma campanha para que mais pessoas se voluntariassem. Ontem, dia 02, o CCO foi informado pela direção do hospital que até então conseguiram apenas mais 13 sócios. Estão sendo convidadas diversas pessoas idôneas da comunidade. A eleição está marcada para dia 09 de maio e a posse da nova diretoria, para dia 20 de maio.