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Ex-prefeito Paulo Marques: conhecido pela organização administrativa e por grandes obras

Ele foi o prefeito que fixou o 13º salário para os servidores municipais em Arcos, em 1980; teve o projeto rejeitado na Câmara três anos consecutivos (1977 a 1979)

Publicada em: 27 de outubro de 2020 às 11h00
Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos
Série - Ex-Prefeitos de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 02/05/2020) - Edição 2049

Paulo Marques de Oliveira foi prefeito em Arcos durante seis anos (gestão 1977 a 1983) e tornou-se bastante popular devido às grandes obras que foram realizadas em seu mandado, entre elas a construção do prédio da Prefeitura e da antiga Câmara de Vereadores, a criação da Fumusa (Fundação Municipal de Saúde e Assistência Social de Arcos) e a construção do Poliesportivo.

Natural de Piraúba - MG, nasceu no dia 20 de outubro de 1932, filho de Maria Vecchi de Oliveira e Deusdedith Marques de Oliveira. Casou-se com Leopoldina Ribeiro de Oliveira [Dona Zita], neta do primeiro prefeito de Arcos, Coronel José Ribeiro do Vale (gestão 1938 a 1939). Dona Zita era professora e bibliotecária, na escola estadual Yolanda Jovino Vaz. Eles tiveram cinco filhos: Antônio Victor, Marco Túlio, Paulina, Júlio e Isabela.

Sucedeu o ex-prefeito Olívio Guimarães de Faria - Zizo (gestão 1973 a 1977), que era filho do ex-prefeito Edgar Faria Gontijo. Em um Informativo que detalha as realizações do ex-prefeito Paulo Marques na cidade de Arcos, sua gestão é destacada como o "Período de Ouro da História Político-Administrativa de Arcos". É relatado que foi uma gestão em que foram estabelecidas prioridades que visavam incrementar o desenvolvimento rural e urbano, integrando todas as forças que contribuem para o desenvolvimento humano e econômico da comunidade. "Ele colocou a casa em ordem e fez obras até então inéditas, com o dinheiro de Arcos. Não teve ajuda de ninguém e saneou a morbidez administrativa que imperava até então", diz o engenheiro e empresário Antônio Victor Ribeiro de Oliveira.

 

Principais obras

O ex-prefeito Paulo Marques foi o responsável pela conclusão da construção do prédio da Prefeitura e da antiga Câmara Municipal. Também construiu o pedestal com a imagem do Cristo Redentor, que está localizado ao lado da Prefeitura. Outra de suas grandes realizações foi a Fumusa (Fundação Municipal de Saúde), criada com intuito assistencial para a população mais carente da cidade. Na época, a Fumusa contava com laboratório de análises clínicas, atendimento diário de um médico, um dentista e uma enfermeira. Também contava com o Gabinete Dentário Móvel - uma Kombi que prestava atendimento odontológico à população carente de todos os bairros e comunidades rurais do Município.

 

 

Outra grande obra foi a do Ginásio Poliesportivo, construído somente com recursos do próprio município. E ainda: construção da escola municipal "José Bonifácio Gonçalves", localizada no bairro Calcita, cujo terreno foi doado por Francisco Gonçalves Vilela (Chico Bonifácio); construção da escola municipal "Clemente Ribeiro", na comunidade rural da Prata; construção da escola municipal "Julieta Ribeiro da Fonseca"; construção do prédio da Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), da Estação Ferroviária e da torre Repetidora de TV.

Foi o responsável pela implantação da Copasa em Arcos, do Horto Florestal, do Cadastro Técnico Municipal e de uma Cooperativa Agropecuária. Em sua gestão, foram feitas aberturas de ruas e foram construídas pontes modernas para a época, como a estrutura da ponte do Niterói. Foi feita a abertura do acesso da avenida Magalhães Pinto até a BR-354 e a abertura da rua Joaquim Murtinho. Foi realizada a urbanização de vias públicas, dotando-as de calçamento, esgoto, água encanada e instalação de postes elétricos.

O símbolo da bandeira e a insígnia do Município foram criados na gestão de Paulo Marques. Também foram promovidos vários projetos culturais, como Congado, Festas Juninas, Carnaval, eventos com música sertaneja, Festa Arcoense Ausente e Amigos de Arcos e outros.

 

 

Dona Zita: primeira dama atuante

Dona Zita trabalhava nas áreas de assistência social e cultura. Como Primeira Dama,  contribuiu para o resgate de tradições culturais do Município, a exemplo do Congado e da primeira festa de aniversário da cidade, realizada em 1977. "A primeira festa do Arcoense Ausente e dos Amigos de Arcos foi feita pela minha mãe, pelo Roulien Lima e por mim", acrescenta Antônio Victor Ribeiro de Oliveira.

 

Décimo terceiro salário para os servidores municipais - Durante três anos consecutivos, 1977 a 1979, o prefeito Paulo Marques teve rejeitado pela Câmara de Vereadores o Projeto de Lei que fixava o 13° salário para os servidores municipais. Somente em 1980 é que a Lei n° 967-28.10.80 foi aprovada em caráter definitivo.

 

Ele começava o dia no almoxarifado, tomando sopa com os servidores  

Antônio Victor Ribeiro de Oliveira tinha 18 anos de idade em 1977, quando o pai dele iniciou o mandato. Ele recorda que o pai ia todos os dias para o Almoxarifado da Prefeitura, tomar a sopa com os servidores municipais.  Aliás, a iniciativa de servir a sopa foi dele, que se sensibilizou com o fato de que os servidores iam para o trabalho, na maioria das vezes, sem se alimentar em casa. "Ele tomava o café da manhã dele com o pessoal da Prefeitura, todos os dias. Ele tomou conta do almoxarifado".

 

Implantação dos sistemas de controle orçamentário e financeiro

Para Antônio Victor, uma das maiores contribuições da administração de Paulo Marques para o Município foi a organização dos setores administrativo e contábil da Prefeitura. "Ele pegou a Prefeitura esculhambada. A maioria dos funcionários não eram fichados. Recebia-se dinheiro lá na Prefeitura. Na época, as contas de água eram pagas lá, então meu pai estabeleceu que esse pagamento fosse feito em banco. A administração era caótica! Não havia prestação de contas, a parte contábil era muito frágil. Meu pai exigiu o fechamento diário e mensal".

Em maio de 2019, em entrevista concedida ao Jornal e Portal CCO, o contador e auditor Adelbã Macedo disse que na administração de Paulo Marques, foram reestruturadas as partes contábil e tributária da Prefeitura. Antes, não contava com nenhum sistema de controle, nem orçamentário e nem financeiro.

Antônio Victor diz que o pai deixou a carreira profissional de contador para ingressar na política. "Meu pai era um visionário e por isso sofreu muito, pagou caro pelas posições dele. Tinha um escritório, abandonou tudo e foi ser prefeito. Quando ele terminou o mandato, não tinha um centavo de rendimento no mês seguinte. Ele pagou muito caro por ter feito pela cidade. Candidatou outras duas vezes e perdeu. Ele não tinha projeto de poder como o Lula e o PT. Desgostou de política", comenta, emendando uma crítica ao Partido dos Trabalhadores.