Natal 2017

Familiares de vítimas do incêndio lamentam o ocorrido e fazem agradecimentos

Publicada em: 28 de julho de 2017 às 14h11
Arcos
Familiares de vítimas do incêndio lamentam o ocorrido e fazem agradecimentos

Mãe e filho vítimas do incêndio; Dona Nicésia não resistiu

Nicésia Cardoso de Oliveira (93) e o filho dela, Antônio José Cardoso (59), foram vítimas do incêndio ocorrido em uma residência na rua Capitão José Apolinário, centro de Arcos, no último domingo (23).

Os dois foram socorridos pela Polícia Militar e encaminhados para o Hospital Municipal São José, para receberem os primeiros atendimentos. Logo em seguida, foram transferidos para o hospital da cidade de Formiga, onde ficaram internados na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Desde então, foram submetidos a coma induzido.

Na manhã da última quinta-feira (27), Elias Garcia, que é genro de Dona Nicésia, entrou em contato com o Jornal CCO e informou que ela não havia resistido. O falecimento foi na madrugada de quinta-feira, dia 27. Segundo Elias, os dois não tiveram queimaduras externas, mas a mucosa e as vias respiratórias ficaram comprometidas. Antônio José Cardoso continua internado, em coma induzido, e tem apresentado ligeira evolução.

Elias Garcia disse ao CCO que a família está muito abalada e lamenta a fatalidade. Ele disse que a sogra dele era lúcida e não estava acamada. Também ressaltou a gratidão pelo socorro prestado pela Polícia Militar e pelo Hospital Municipal São José.

 

Incêndio – A vizinha da família, Maria Célia Cândido, disse ao CCO que escutou o barulho de vidro quebrando e sentiu um cheiro forte de fumaça, por volta das 5 horas da manhã de domingo (23). Ao sair de sua casa e ir em direção à casa de Dona Nicésia, viu que o local estava pegando fogo. Com isso, informou à Polícia Militar, ao SAMU e também chamou o irmão para ir ajudar a resgatá-los. “Eu chamei meu irmão, ele pulou o portão e pegou algumas ferramentas para tentar arrebentar a grade e o portão. Avisei um dos netos dela, que foi ajudar também. Depois vi a viatura da polícia chegando, os policiais desceram correndo e conseguiram arrombar”, relatou.

 

Policiais militares que resgataram as vítimas

 

Policiais militares se arriscam para tirar as vítimas da residência

Os policiais militares Sargento Viviane Rodrigues, sargento Júlio César, Cabo Marcelo Câmara e soldado Rodrigo Donato Marques são os responsáveis pela retirada das vítimas do interior da residência. Cabo Adriano foi acionado no Quartel “Jornalista Lena Moreira” e os policiais foram imediatamente para o local. Enquanto isso também foi feito o acionamento dos bombeiros em Formiga e do SAMU.

Os policiais militares foram os primeiros a chegar. Devido à impossibilidade de esperar pelo Corpo de Bombeiros, tiveram que agir. As vítimas foram socorridas e levadas imediatamente para o Hospital Municipal São José. A situação exigia agilidade. A senhora teve uma parada cardíaca dentro da viatura.

Soldado Donato e os demais policiais se depararam com a casa em chamas e havia muita fumaça. Ele relatou que os portões estavam trancados com cadeados e as janelas estavam cercadas com grades. O fogo atingia praticamente toda a casa e estava difícil para enxergar e respirar. A idosa estava caída no chão próxima à sala e o filho dela estava no quarto. Os dois foram tirados do local inconscientes. “Nossa sensação é de dever cumprido, de ter conseguido salvar duas vidas naquele momento. É muito gratificante, até mesmo porque nós temos famílias e inclusive pessoas idosas. Então a gente se emociona bastante e reza pra que eles fiquem bem e que agente possa encontrá-los numa situação melhor”, disse ao CCO, na tarde de terça-feira.“No mais, o que desejo é sempre poder ajudar as pessoas. No momento a gente não pensou no que poderia acontecer com a gente. Sargento Júlio machucou a mão e todos inalaram fumaça. A situação foi muito tensa”, comentou.

Sargento Viviane Rodrigues explicou que eles não tinham os equipamentos necessários, a exemplo de máscaras, proteção e material para cortar a grade, já que esse tipo de ocorrência é especialidade do Corpo de Bombeiros. Mesmo assim, fizeram o que foi necessário. “O policial militar tem que estar preparado para fazer qualquer tipo de serviço, porque sempre vai haver algum tipo de situação em que a equipe especializada não vai poder estar no local. A gente vendo aquela situação crítica, não pensamos duas vezes em intervir, mesmo arriscando a vida”, comentou. Para entrar na residência, os policiais usaram lanterna e pano molhado no rosto, porque a fumaça estava sufocando.

Sargento Viviane destaca: “Não trabalhamos por reconhecimento, mas para salvar as pessoas. Existem as dificuldades, mas o amor à profissão e o desejo de ajudar o próximo fazem a gente superar essas dificuldades. Queríamos agradecer a todos os envolvidos, inclusive a equipe do hospital” .

A policial informa que o caminhão-pipa não foi chamado para apagar o incêndio até a chegada dos bombeiros porque o motorista do caminhão-pipa não tem os recursos de segurança necessários. “O motorista não é técnico para aquela situação. Então, se eu coloco uma pessoa ali para arriscar mais uma vida, eu tenho que ser responsabilizada por ela”. No momento, local foi devidamente isolado.

Em aproximadamente 30 dias, a perícia irá divulgar o laudo conclusivo sobre as causas do incêndio.