Vende-se Apartamento
FEIRA DO PRODUTOR RURAL

Feirante fala sobre o retorno das atividades e as dificuldades enfrentadas durante a pandemia

Publicada em: 16 de setembro de 2020 às 16h30
Arcos
Agronegócio

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 12/05/2020) - Edição 2067

Devido à pandemia da Covid-19, muitos setores foram atingidos economicamente. Em alguns lugares as vendas caíram consideravelmente e em outros a opção de fechar o negócio foi à decisão mais viável. Em Arcos, um dos setores que sofreu com a paralisação de suas atividades foi a venda de produtos na Feira do Produtor Rural, que é uma das principais fontes de renda de muitas famílias e principalmente dos agricultores familiares.

No município, a Feira do Produtor Rural, localizada na praça de evento "Joaquim Verdureiro", foi inaugurada em 2015, com o intuito de oferecer produtos caseiros e frescos para a população e ao mesmo tempo valorizar o trabalho da agricultura familiar. Porém, com o início da pandemia, a Feira teve que ser fechada em março e retornou somente em junho, o que afetou consideravelmente na renda dos feirantes. Até o momento, a venda de produtos está sendo permitida com algumas restrições, como a realização da venda por meio de Drive-Thur ou por pessoa e de forma rápida, sendo proibida a permanência dos clientes no local.  

Para falar um pouco sobre como está sendo este período de retomada das atividades na Feira, entrevistamos a senhora Maria Aparecida Clementino da Costa, de 68 anos.

Ela é casada com o senhor Jurandir da Costa, com quem teve sete filhos. Ela trabalha na Feira do Produtor Rural há cinco anos  vendendo salgadinhos, galinha caipira, churrasco e tropeiro.  "Estou na Feira do Produtor Rural há cinco anos. Antes, em casa, eu vendia e costurava também". Segundo ela, começar a vender seus produtos na feira, ajudou muito no aumento de sua renda.

Porém, ela contou que com a paralisação da Feira, devido à pandemia, a venda de seus produtos foi muito afetada. "Com certeza houve uma considerável queda, devido às pessoas não poderem comparecer na feira e todos tinham medo de ir lá. E também a feira esteve fechada a partir do dia 11 de março, só retornou em junho e aos poucos, com a segurança necessária. As vendas andam melhorando a cada dia, mas nada comparado ao que vendíamos antes", comentou.

Quando a Feira do Produtor Rural estava paralisada, Maria Aparecida estava realizando suas vendas em casa. Segundo ela, as pessoas que podiam buscar iam até lá, pois ela não tinha um meio de realizar a entrega. "Tudo era desconhecido, nós todos ficamos com medo. Mas, com fé e muito cuidado estamos tentando retornar nossas atividades normais. Temos muitos clientes e estamos tentando conscientizar a todos dos métodos de segurança e de sua responsabilidade", disse.

Em meio às incertezas, Maria Aparecida sempre contou com o apoio da família e de seus clientes fiéis, que para ela, hoje já se tornaram amigos. Atualmente, ela já retornou suas atividades na Feira, as vendas estão aumentando, tudo está sendo feito com as medidas de proteção exigidas e com muita fé. "A ajuda que recebi veio de Deus. Estamos seguindo todas as normas e tentando lidar com tudo isso e se tivéssemos alguma ajuda seria muito bom", comentou.

 

Reinventando-se na crise

De acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), as feiras livres são um importante mecanismo estratégico de escoamento da produção do estado, principalmente para os agricultores familiares. As feiras estão presentes em praticamente todos os 853 municípios mineiros e já são uma tradição no estado. "A agricultura familiar tem como característica produzir alimentos em escala reduzida, o que dificulta a comercialização. E são nas feiras que esse problema costuma ser resolvido, com a venda de um alimento de qualidade, por um valor justo e diretamente para o consumidor", destacou Ranier Chaves Figueiredo, Diretor de Comercialização e Mercados da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa)

Ainda segundo a secretaria, como muitos feirantes sofreram fortemente com os impactos da pandemia, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), vinculada à Seapa, chegou a auxiliar os agricultores familiares a se adaptarem às ferramentas existentes para o comércio on-line de seus produtos. Com isso, no início da pandemia, as Emater  ajudou os feirantes a terem uma maior presença on-line e a conseguirem vender melhor seus produtos. Na cidade de Arcos, em sequência a esta iniciativa, a Emater-Arcos realizou nas redes sociais a divulgação dos produtos e contatos de todos os feirantes, para que a população pudesse conhecer e realizar suas compras por meio de delivery.