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RECORTES DO TEMPO - HISTÓRIAS DE ARCOS

Fernandes Nogueira: história da família iniciou em 1920, quando Alfredo Nogueira saiu de Portugal

Publicada em: 24 de setembro de 2020 às 16h23
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 19/09/2020) - Edição 2069

Antônio Fernandes Nogueira, que é muito conhecido pelo seu trabalho de restauração de imagens e enfeites e que trabalhou por 34 anos na secretaria da Escola Estadual Dona Berenice de Magalhães Pinto, é filho de português. Seu pai, Alfredo Tavares Fernandes Nogueira saiu de Portugal em 1913 e veio para o Arraiá dos Arcos, onde residiam seus parentes. Em entrevista a Dalvo Macedo, colaborador do Jornal CCO no projeto Recortes do Tempo - Histórias de Arcos, Antônio Nogueira contou a história de sua família 'Fernandes Nogueira'.

Seu pai, Alfredo Tavares Fernandes Nogueira, nasceu em 10 de maio de 1894 em Arões - Portugal, ele era filho de Custódio Nogueira e Maria Tavares Nogueira. Segundo Antônio Nogueira, seu pai embarcou para uma viagem com destino ao Brasil, em 1913, quando tinha apenas 19 anos. Ele veio juntamente com dois jovens desconhecidos, Germano Domingos de Oliveira (pai do Germaninho) e Manoel Alves de Oliveira (pai do Sr. Valdir). Eles desembarcaram no porto da cidade do Rio de Janeiro. Germano e Manoel seguiram viagem para o Arraiá de Arcos, onde residiam alguns familiares e seu pai Alfredo ficou hospedado na casa de seu tio Padre Bernardo Fernandes Nogueira.

 

Alfredo Tavares Fernandes Nogueira

 

Depois, Alfredo se mudou para Niterói e trabalhou na Tabacaria Veado, até conseguir dinheiro para visitar seus dois tios portugueses que residiam em Arcos, Anacleto Fernandes Nogueira e Joaquim Fernandes Nogueira. Foi nesta viagem que ele conheceu sua prima Maria José Nogueira, filha de Manoel Fernandes Nogueira e Francisca Eulália de Carvalho. Eles se casaram em 28 de abril de 1920 e o matrimônio foi realizado pelo primeiro Juíz de Paz de Arcos, Sr. João Jovino. O casal morou em Niterói e depois se mudaram para Juíz de Foram, devido os negócios da Tabacaria.

No ano de 1920 surgiu a exploração de diamantes em 'Guia Lopes', hoje São Roque de Minas, e lá ele abriu um comércio, onde se estabeleceu por 25 anos, entre 1920 a 1945. Foi lá que ele constituiu sua família. Antônio Nogueira contou que em 1945, devido a 2ª Guerra Mundial, ocorreu uma grande decadência e paralisação no comércio e a exploração de diamantes fechou totalmente, com isso, Alfredo veio com a esposa e os filhos para a cidade de Arcos, onde estavam seus parentes.

Em 1946, seu pai comprou um ponto comercial do Sr. Álvaro Ribeiro de Carvalho (Vico Tenente), na esquina da rua Jarbas Ferreira Pires com a rua São Geraldo. "Havia balcões e várias prateleiras de madeira, o prédio em mal estado de conservação teve que ser reformado e lá ele montou um comércio varejista que permaneceu no período de 1946 a 1966", relembrou. Depois, Alfredo vendeu o imóvel para Dr. Moisés Pereira Primo e posteriormente, em 1989, o local foi novamente vendido e foi construído o Edifício Antônio Rodrigues.

 

Família Fernandes Nogueira

 

"Um local de muitas lutas, mas de plena felicidade" - Antônio Nogueira

Antônio contou que a família morou em um casarão que ficava no coração da cidade. Foi lá que Alfredo Nogueira e Maria José Nogueira trabalharam e educaram seus filhos, com dignidade e união. Em Arcos, parte de seus filhos constituíram grandes famílias e contribuíram no progresso da cidade.

"Um local de muitas lutas, mas de plena felicidade. Vivemos grandes momentos da vida, reuniões natalinas e festas, alegria total, com todos os filhos, genros, noras, netos e irmãos", relembrou.

O casal teve 14 filhos, a primogênita nasceu em Niterói (RJ) e os outros 13 na cidade de São Roque de Minas. Três não sobreviveram. Segundo Antônio Nogueira, as mulheres foram registradas com o sobrenome Nogueira e os homens com Fernandes Nogueira. Os filhos são: Hermina Nogueira, Hilda Nogueira, Jeima Fernandes Nogueira, Maria Nogueira (casou com Eurides), Carlos Fernandes Nogueira, Helena Nogueira, Alfredina Nogueira (professora) casou-se com Davi Espanhol, Carmem Nogueira (casou-se com Argemiro Amorim), Florinda Nogueira (enfermeira) casou-se com Pedro Rocha, José Fernandes Nogueira e Antônio Fernandes Nogueira.

Alfredo Tavares Fernandes Nogueira viveu no Brasil por várias décadas, por isso foi sugerido que ele fosse naturalizado brasileiro, para isso, de acordo com a lei brasileira, ele teria que tirar um sobrenome e então ele passou a se chamar Alfredo Fernandes Nogueira. Ele nunca retorno para Portugal e seus pais também nunca conheceram o Brasil.

Como lembrança, Antônio guarda algumas relíquias que eram de seu pai, como o livro 'Os Luziadas de Camões' - poema épico de Luiz de Camões com 156 versos - que o pai trouxe de Portugal e um martelo de arrancar prego (NO - 64 - REX - U.S.A) importado no ano de 1920. Ele também guarda toda a documentação da família e eestá montando um álbum histórico com sua árvore genealógica.

 

Maria José Nogueira

 

Maria José Nogueira

Para Antônio, sua mãe Maria José Nogueira foi uma grande mulher: "Nunca poderia deixar de falar desta MULHER com letra maiúscula, a querida mãe Maria José Nogueira. Pequenina no tamanho, mas, de uma grandeza imensa no amor, respeito, de um espírito incalculável, eximia educadora e de muita fé. Era devota de São Geraldo e como se diz naquela música: 'jamais de esquecerei'", finalizou.

Maria José Nogueira era filha de Manoel Fernandes Nogueira e Francisca Eulália de Carvalho. Seus irmãos eram: José Fernandes Nogueira, Manoel Fernandes Nogueira Filho, Albertina Nogueira, Alzira Nogueira, Joaquim Fernandes Nogueira e Genoveva Nogueira.