Vende-se Apartamento

Festa de Nossa Senhora do Rosário em Arcos acontece neste fim de semana

Evento cultural e religioso terá participação de congadeiros de 11 cidades

Publicada em: 27 de setembro de 2019 às 14h05
Arcos

Crédito: Toninho claret

Festa de Nossa Senhora do Rosário em Arcos acontece neste fim de semana

Amanhã (28) e domingo (29), acontece em Arcos a homenagem dos congadeiros a Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito.No dia 8, aconteceu o levantamento dos mastros na igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário, na avenida Governador Valadares, quando estiveram presentes as guardas da cidade de Arcos, que são o Congo Sereno, Moçambique Filhos de Jorge e Congo Mirim. Neste fim de semana, celebra-se a tradicional festa, com todos os rituais folclóricos e religiosos.

Amanhã acontece a “Visita dos Festeiros”, a partir de meio-dia; a retirada das imagens da casa do Rei Perpétuo, às 17 horas; o cortejo pelo centro da cidade a partir das 18 horas e a missa na igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário, às 19 horas. Domingo (29), os congadeiros irão participar da missa às 10 horas na igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário. A Retirada dos festeiros em suas residências acontecerá às 15 horas. Às 16 horas será feita a apresentação de todos os Ternos e Guardas no “convento”, que será na praça Olívio Vieira de Faria (Praça do Vivi), onde terá palco, som e banheiros. As apresentações serão encerradas às 19 horas, com o descimento dos mastros. A festa tem o apoio da Prefeitura de Arcos e da Polícia Militar.

Segundo Estefânia Januário, organizadora, são esperados congadeiros de Itaúna, Luz, Estrela do Oeste, Quartel Geral, São Roque, Iguatama, Garças (em Iguatama), Formiga, Campos Altos, Bom Despacho, Candeias e Bambuí.

 

Participantes Especiais – A Rainha da Coroa Grande é Daniela Ribeiro e o Rei da Coroa Grande é José Antônio Teixeira. Eles sucedem Michele Gaspar Fonseca e Fábio Campos Veloso. A princesa Isabel será representada por Jaciendi Iara da Silva e Laysa Fernanda Acácio Mateus; a Rainha do Quadro de Nossa Senhora do Rosário será Ana Paula das Graças; o Rei do Quadro de São Benedito, Nivaldo José Rodrigues; o Rei e Rainha do Quadro de São Jorge, Christiano Leão de Carvalho e Angélica Karen Couto Carvalho; Rei e Rainha do Quadro de Santa Efigênia, Christian Augusto da Silva e Tathiana Mendonça; Rei Congo: Manoelino Honorato; Rainha Conga: Dona Isolina Inês Justino, que tem 105 anos; Rei Perpétuo: Adriano Ribeiro; Capitão Mor: Antônio Acácio Filho. O presidente da Associação dos Congadeiros de Arcos é Donizete da Silva.

 

Santos são lembrados pela proteção que deram aos escravos negros

 

Trechos de artigo da professora de História Juliana Bezerra, publicado no site Toda Matéria:

Congada, congado ou congo é uma expressão cultural e religiosa que envolve canto, dança, teatro e espiritualidades cristã e de matriz africana.

Nesta festa, Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia são lembrados pela proteção que deram aos escravos negros. Em algumas congadas, se recorda a figura de Chico Rei e da luta entre cristãos e mouros.

A congada é mistura das festas trazidas pelos negros escravizados com a religiosidade cristã praticada na colônia. No entanto, suas origens remontam à própria África, quando os súditos faziam o Cortejo aos Reis Congos, a fim de agradecer aos seus governantes.

Ao chegar à colônia, os negros se reconheceram imediatamente com santos negros como são Benedito, o Africano, santa Efigênia, uma princesa etíope, e Nossa Senhora do Rosário. Todos esses santos foram identificados com os ancestrais africanos e eram homenageados com cultos e igrejas construídas com o trabalho e o dinheiro de alforriados e escravizados. Outra figura saudada na festa é a da princesa Isabel, por seu papel na libertação dos escravos.

Duas lendas explicam a origem da congada: a vida de Chico Rei e a aparição de Nossa Senhora no mar. Diz a lenda que Galanga, nome verdadeiro de Chico Rei, era o monarca de sua tribo no Congo, e foi capturado com toda sua gente. Batizado, recebeu o nome de Francisco e durante a travessia para a colônia da América Portuguesa, o Brasil, houve uma grande tempestade. Os marinheiros, com medo que o navio virasse, jogaram ao mar a esposa e a filha de Chico, para que as águas se acalmassem. Quando chegaram aqui, em 1740, Chico e seu filho foram comprados e levados para a região das minas, a Vila Rica, atual Ouro Preto. Desta maneira, Chico se põe trabalhar dia após dia e reúne uma grande quantidade de metal, o suficiente para comprar sua alforria, a do filho e a de mais de 200 escravos.

Os escravos que foram libertos por ele passaram a tratá-lo como rei, ao mesmo tempo que se levantava a igreja de Santa Efigênia.Todos os anos, antes da missa dedicada a Nossa Senhora do Rosário, no dia 7 de outubro, acontecia o cortejo onde se cantava, dançava e se honrava Chico Rei. Embora esta lenda não tenha nenhuma evidência histórica, o conto faz parte das tradições orais de Minas Gerais e sobreviveu ao longo do tempo entre os congadeiros.

Aparição de Nossa Senhora

Outra lenda que faz parte da fundação mística da congada é a aparição de uma imagem de Nossa Senhora no mar. Conta-se que vários grupos foram tentar buscá-la, cantando e dançando. A santa se aproximava, mas nunca se movia muito. O último grupo a tentar foi justamente os de Moçambique, que eram escravos e traziam cadeias aos tornozelos. Com seus lamentos, conseguem trazer a imagem para a costa e desde então, Moçambiques e Congadeiros tornaram-se os guardiões da imagem da Virgem do Rosário.

[Juliana Bezerra é Bacharelada e Licenciada em História, pela PUC-RJ; especialista em Relações Internacionais, pelo Unilasalle-RJ; Mestre em História da América Latina e União Europeia pela Universidade de Alcalá, Espanha].


Santa Ifigênia – advogada contra incêndios


Santa Efigênia ou Santa Ifigênia é a responsável pela difusão do Cristianismo na Etiópia, nordeste da África. Santa Ifigênia e Efrônio, seu irmão, eram filhos de Eggipus e Eufenisa, reis de Noba, ou Núbia, um pequeno reino da Etiópia.  Oito anos depois da Ascensão de Jesus, o Apóstolo São Mateus e mais dois discípulos chegaram para evangelizar a capital da Núbia. Mateus dirigiu-se, primeiramente, a Noba, capital e cidade natal de Efigênia. Suas palavras, porém, foram mal recebidas e ele foi tido como louco pelos habitantes. Somente a princesa Efigênia aceitou a ideia de um único Deus e passou a rejeitar o paganismo. Porém, dois sacerdotes pagãos ditavam as regras no local. Sabendo das pregações de São Mateus e da crença da Princesa Efigênia, começaram a dizer que Mateus insultava seus deuses e convenceram o Rei de que os deuses só se aplacariam se oferecessem Efigênia em sacrifício, por meio de um “incêndio sagrado”. Efigênia esperou o momento do sacrifício e ofereceu-se a Deus Criador Único e Verdadeiro. Os sacerdotes prepararam e acenderam a fogueira no formato de um trono. Quando as chamas subiram, Efigênia ergueu a voz, invocando, o nome poderoso de Jesus. Então, um anjo veio do céu, arrancou Efigênia das mãos inimigas e tornou-a invisível, aparecendo em outro lugar. Após esse milagre, Efigênia multiplicou seus esforços e o zelo pela conversão do palácio e de toda a Núbia. O Rei, a rainha, o palácio e grande parte do povo se converteram. (Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-efigenia/72/102/#c).


Nossa Senhora do Rosário – Conversão

 Há cerca de mil anos, na França, o espanhol São Domingos de Gusmão recebia de Nossa Senhora, segundo a crença, a revelação do rosário como meio seguro para “converter os hereges albigenses que infestavam o sul daquele país”. Alguns séculos mais tarde, o Papa São Pio V instituiu a festa de Nossa Senhora das Vitórias, em ação de graças pelo triunfo naval obtido pelos cristãos contra os turcos em Lepanto. Seu sucessor, Gregório XIII, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário e a fixou no primeiro domingo de outubro. (Fonte: adaptação do site www.catolicismo.com.br).

De acordo com divulgação do site www.portalcmd.com.br, a “Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, tipicamente mineira, teve sua origem em 1723”.

São Benedito – proteção contra todo tipo de preconceito e dos vícios

 A devoção a São Benedito, um dos santos mais populares do Brasil, tem herança portuguesa. Ele nasceu por volta do ano 1526, em São Filadelfo, nas proximidades de Messina, na Sicília (Itália). Os pais eram escravos – levados da Abissínia (atual Etiópia) para a Itália –, condição que o fez sofrer preconceito desde pequeno, por ser negro. Trabalhou como pastor de rebanhos e era irmão franciscano. Em 1578 foi nomeado guardião ou superior do convento, mesmo sendo analfabeto. Ficou conhecido por dedicar amor desinteressado e condescendência pelas faltas e fraquezas alheias. Também era zeloso com os doentes e necessitados. A tradição popular enriqueceu sua vida com numerosos milagres. Terminou os seus dias como cozinheiro, em 4 de abril de 1589. Protege contra todo tipo de preconceito e dos vícios. Protege também os doentes e necessitados.
(Fonte: adaptação do site www.minhaprece.com).

 

Mais de um século de tradição em Arcos

A origem da Festa de Nossa Senhora do Rosário em Arcos pode estar relacionada à chegada, no município, de um senhor de nome Sebastião (cujo sobrenome não foi informado) e que era conhecido na localidade como ‘Tião Macaco’, na década de 1940. Também foram encontrados documentos que relatam as apresentações de ternos de congados durante a realização da Festa de Nossa Senhora do Rosário em Arcos, escritos pelo jornalista Olavo Lomba no ano de 1918. Essas informações estão no O Dossiê de Registro Bem Imaterial Reinado de Nossa Senhora do Rosário, concluído em 2012.

Ainda de acordo com dados do Dossiê, a devoção a Nossa Senhora do Rosário chegou ao Brasil no século XVI, trazida pelos colonizadores portugueses, e logo foi adotada por senhores e escravos. Contudo, foi entre os negros que essa devoção ganhou um número maior de fiéis. “Eles usavam o Rosário pendurado ao pescoço e depois dos trabalhos do dia reuniam-se em torno de um ‘tirador de reza’ e ouviam-se, então, no interior das senzalas, o sussurrar das preces dos cativos. O Terço era toda a liturgia dos pobres, dos que não sabiam ler nem escrever, mas que elevavam sua alma na contemplação dos mistérios da vida do Divino Filho de Maria”.