Vende-se Apartamento
Entrevista com Crioulo Viela

Filho do ex-prefeito José Vilela relembra a participação do pai na história de Arcos

Aos 4 anos, o menino Crioulo Vilela já guiava boi. Aos 12 anos, cuidava de uma fazenda de 300 alqueires. “Aprendi com meu pai muita coisa, principalmente trabalhar e negociar”

Publicada em: 05 de outubro de 2019 às 10h00
Arcos

 

 

Ele tem 94 anos, mora em um casarão da rua Augusto Lara com a esposa Terezinha Alves Veloso e tem uma vida ativa. Acorda bem cedo, às vezes antes das 5 horas da manhã. Gosta de ir para a fazenda, onde sempre faz algum serviço. Ainda dirige e também cuida dos negócios, como sempre fez. A idade não é empecilho para nada.

José Vilela Filho (Crioulo Vilela) é painense, de Corumbá, e mora em Arcos desde os 6 anos. É filho de Afonsina Ferreira Vilela e José Vilela de Oliveira, que foi prefeito de Arcos de fevereiro de 1951 a julho de 1952, quando sucedeu o médico João Vaz Sobrinho, retornando em novembro de 1952 e permanecendo até janeiro de 1955. José Vilela morreu em novembro de 1979.

Crioulo Vilela foi casado com Hilda Alves Vilela (in memoriam), com quem teve os filhos: Luzia, Marli, Regina, Jussara, Sara, José Vilela Neto, Maria Alves da Silva (Dedé) e Rosângela (in memoriam).

Estudou até o 4º ano, tendo adquirido mais conhecimento na prática cotidiana do trabalho e dos negócios. Por volta de 1940, foi para um internato na cidade de Campo Belo, permanecendo por um ano. Crioulo Vilela sempre gostou de trabalhar. Ele diz que aos 4 anos de idade, já estava guiando boi. Ainda quando criança, aos 12 anos, cuidava de uma fazenda de 300 alqueires que o pai dele havia alugado em Santo Antônio do Monte, em um lugar conhecido como “Morro do Vento”. “Eu ficava sozinho na fazenda. Fiquei lá uns cinco anos, desde os 12 anos. Tinha umas 800 reis, tirava leite de umas cem vacas, criava porco, gado. Depois voltei e fui pra escola em Campo Belo. Aprendi com meu pai muita coisa, principalmente trabalhar e negociar. Ele falava assim: ‘Trabalha direito, segura o nome, porque o nome é difícil de fazer e facinho de acabar. Quando pegar algum dinheiro emprestado, tenta pagar antes do dia marcado’. ”

Atento aos exemplos do pai, fez sua primeira negociação antes dos 13 anos de idade. “Comprei 100 garrotes e aluguei um pasto. Meu pai chegou lá na fazenda que eu estava cuidando, eu contei pra ele e ele perguntou: ‘Vc tem dinheiro?’ Eu respondi: “Não, eu peguei emprestado!”.  

 

Presidente da Câmara por quatro gestões

Crioulo Vilela foi vereador de aposição quando o prefeito de Arcos era Olívio Guimarães de Faria (Zizo), no período de fevereiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977. “Fui presidente da Câmara nos quatro anos, na mesma gestão”, relata e comenta que embora fosse oposição a Zizo, os dois eram amigos.

Nosso entrevistado conta que, na época, quando estavam reivindicando a instalação de uma agência do Banco do Brasil para Arcos, precisaram de um documento junto ao então prefeito de Divinópolis e tiveram dificuldade em conseguir. “O prefeito não quis arranchar para o Zizo. Ele tinha conversado e não tinha dado certo, queria vir embora; então eu disse: Não! Vamos conversar. Conversei, expliquei direitinho que a gente aqui em Arcos tinha que ir a outras cidades quando precisava de banco...  e aí resolvemos a situação. Ele arrumou o documento pra nós”. Crioulo Vilela também conseguiu a aprovação para a construção da escola municipal “Laura Andrade”, entre outras iniciativas.

 

Primeiros jardins da praça da matriz foram construídos na gestão do ex-prefeito José Vilela de Oliveira

No livro História de Arcos, de Lázaro Barreto (1992), é relatado que os jardins da praça Floriano Peixoto, assim como o adro da igreja matriz, foram construídos na gestão de José Vilela na Prefeitura de Arcos. Também foi ele que deu início à construção da nova usina de eletricidade na comunidade rural do Santana, instalou o primeiro almoxarifado municipal, construiu poços artesianos, escolas na zona rural, assim como o prédio da escola estadual de Barra do Melo, por intermédio do então deputado estadual Maurício Andrade (marido da ex-prefeita Hilda Andrade). No mesmo livro é relatado que em 1956 havia 26 unidades escolares em atividade no Município.

 

Participação na emancipação política de Arcos – Durante a entrevista concedida ao Jornal e Portal CCO, Crioulo Vilela disse que o pai dele, junto a Maurício Andrade, Padre Tavares e o cirurgião-dentista Moacir Dias de Carvalho [que também foi prefeito de Arcos] foram os principais responsáveis pela emancipação de Arcos, que aconteceu em 17 de dezembro de 1938. Na época, segundo Crioulo Vilela, o partido do governador do Estado, Juscelino Kubitschek  (31/01/1951 até 31/03/1955), era o PSD [Partido Social Democrático], o mesmo partido de José Vilela e do Dr Moacir. Esse partido foi fundado em 1945 pelos interventores nomeados por Getúlio Vargas durante o Estado Novo. “Aliou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), mas também realizou inúmeras alianças com a UDN, considerada sua tradicional ‘adversária’ ”, conforme é relatado no site da Fundação Getúlio Vargas. Os presidentes do Brasil quando José Vilela foi prefeito de Arcos foram Getúlio Vargas (31.01.1951 a 24.08.1954) e Café Filho (24.08.54 a 11.11. 55).

O primeiro prefeito de Arcos, coronel José Ribeiro do Vale, também teria contribuído com a emancipação de Arcos. No livro História de Arcos, de Lázaro Barreto (1992), é relatado que ele “estabeleceu as relações políticas e administrativas na fase emancipatória”. Um de seus bisnetos, o comerciante Antônio Victor Ribeiro de Oliveira, disse ao Jornal e Portal CCO, em entrevista concedida em 2017, que ele financiou a emancipação política e administrativa de Arcos. “Tinha que passar certa quantia para o Governo e foi ele [meu bisavô José Ribeiro do Vale] quem deu o dinheiro para elevar a cidade a uma condição de Município”.

Crioulo Vilela conta que os adversários políticos de José Vilela eram o médico João Vaz Sobrinho – pai do ex-prefeito Plácido Ribeiro Vaz – e integrantes da família “Ribeiro”. “Só o Juca Vieira que era do nosso lado, o resto era tudo adversário”, comenta, sorrindo. Trajano Vieira, que era o vice-prefeito ao lado do pai dele, também era adversário, o que se justifica pelo fato de que, naquela época, votava-se no prefeito e no vice-prefeito. Não faziam parte de uma mesma chapa. Dr. João Vaz Sobrinho era da UDN (União Democrática Nacional), partido de orientação conservadora, fundado em 1945 por políticos opositores a Getúlio Vargas.

 

Os melhores prefeitos de Arcos, na avaliação de Crioulo Vilela

Diante dessa pergunta, ele cita o pai dele, explicando que foi uma época de muitas dificuldades; Plácido Ribeiro Vaz, Paulo Marques de Oliveira, José Rezende, Zito Leão (Albertino da Cunha Amorim) e Dona Hilda Andrade.

                                                                                        

 

 

 

 

Fonte: Jornal CCO