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RECORTES DO TEMPO - HISTÓRIAS DE ARCOS

Francisco Frias: farmacêutico, médico, político, inspetor escolar e escrivão

Um homem que se destacou e se dedicou à comunidade quando Arcos ainda era um pequeno arraial

Publicada em: 15 de maio de 2019 às 10h16
Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 10/05/2019) - Edição 2000

Francisco Frias foi o primeiro farmacêutico com formação acadêmica a trabalhar em Arcos. Segundo Ana Maria Elmi Gondim, neta dele, seu avô fez muito pela cidade. Ele nasceu e cresceu em Arcos e depois foi morar em São Paulo para estudar. Quando terminou, retornou à cidade para exercer a sua profissão.

Foi casado com Maria Honorata Frias (in memoriam). O casal teve seis filhos: Ana Carolina, Iracema, Gerson, Rubens, Maria (Maricota Frias) e Francisco Frias (Chiquito). O município de Arcos na época ainda não era emancipado e era um arraial que pertencia à cidade de Formiga. Segundo Ana Maria, seu avô era uma das poucas pessoas no arraial que tinha estudo, porque na época ainda não havia escola, e para estudar tinha que pagar um professor particular. Ela comentou que o primeiro prefeito de Arcos, Coronel José Ribeiro do Vale, era analfabeto, e que era seu avô Francisco Frias quem lia para ele.

Por haver poucos recursos no arraial, Francisco Frias, além de ser farmacêutico, também exercia a função de médico, realizando partos, pequenas cirurgias e até amputação de membros. “Naquela época ele já fazia procedimento de amputação. Foi o pioneiro na saúde aqui em Arcos”, comentou.

A farmácia dele ficava localizada na praça Floriano Peixoto, onde hoje está a “Praça dos Arcos”. No mesmo local também morou José Magalhães Pinto, que foi um dos fundadores do Banco Nacional de Minas Gerais, em 1944, e governador de Minas em 1960.

 

Ana Maria Elmi Gondim, com um documento do Palácio da Previdência de Minas Gerais, assinado por Júlio Bueno Brandão, nomeando seu avô no dia 15 de dezembro de 1911, como inspetor escolar de Arcos.

 

Fundador do primeiro Diretório Político de Arcos

Francisco Frias exercia a política no sentido nobre da palavra. Ele foi o responsável por reivindicar a criação de um Diretório Político em Arcos, para que a comunidade parasse de depender da cidade de Formiga. Entre as várias lembranças que guarda de seu avô, está uma foto dos homens que faziam parte do diretório: Francisco Frias, João Cunha, José Ribeiro do Vale (primeiro prefeito de Arcos), Pedro Honório Dias, Miguel Barroso, José Apolinário e Augusto Pinto de Morais.

A mãe de Ana Maria contava que quando eles queriam debater política, se reuniam nas noites de lua cheia, no adro da igreja Nossa Senhora do Carmo. Na época ainda não havia energia elétrica. O local era de chão batido e tinha pedras grandes, então eles se assentavam nessas pedras para conversar sobre os assuntos políticos da cidade.

Além da atuação como farmacêutico, médico e político, Francisco Frias também trabalhou como inspetor escolar. A neta tem guardado um documento do Palácio da Previdência de Minas Gerais, assinado por Júlio Bueno Brandão, nomeando seu avô no dia 15 de dezembro de 1911, como inspetor escolar de Arcos.

Francisco Frias também prestou serviços como escrivão no Cartório de Arcos, lavrando os registros de casamento e as certidões de nascimento e de óbito. “Praticamente tudo que precisava na cidade eles colocavam ele, porque era o único que tinha estudo na época. O pessoal quase todo era analfabeto, porque eram poucos que podiam pagar um professor particular. Os poucos que sabiam ler, tinham a maior dificuldade’, contou.

 

Casamento adiado

Em uma das histórias contadas por Ana Maria a respeito de seu avô, ela relatou que quando ele foi se casar com a avó dela, Maria Honorata Frias, o casamento teve que ser adiado porque não havia ovos no arraial. Segundo ela, no mesmo dia em que foi marcado o casamento, estava marcada a chegada da imagem de Nossa Senhora do Carmo ao arraial, o que levou a todos a realizarem uma grande festa. Com isso, não conseguiram encontrar ovos no arraial para fazer as quitandas do casamento, e então tiveram que adiar o casamento para 40 dias depois.

 

Caridade

Francisco Frias foi um homem que ajudou pessoas necessitadas. Muitas vezes ele prestava atendimento médico sem cobrar nada. Quando a pessoa não tinha condições, ele doava os medicamentos. Também chegava a emprestar sua caderneta para que pessoas necessitadas comprassem comida nos armazéns, na conta dele. “Então, tudo que ele fez foi na caridade; não deixou quase nada pra família, mas deixou esses grandes exemplos”.

Como uma homenagem a ele, no centro da cidade existe uma rua com seu nome, rua Farmacêutico Francisco Frias.