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Fundadora do Congo Mirim mantém tradição do Congado em Arcos

Publicada em: 12 de junho de 2017 às 08h23
Memória
Fundadora do Congo Mirim mantém tradição do Congado em Arcos

Dona Tota é exemplo de fé para todos que a conhecem

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 12/03/2017)

Maria Aparecida Clemente, conhecida como Dona Tota, 62 anos, é natural de Arcos. É uma dessas pessoas especiais, que sempre estão dispostas a ajudar. Além disso, tem um papel fundamental no Município: manter a tradição do Congado, que começou na cidade por iniciativa do avô dela.
A fé em Deus, em Nossa Senhora e a devoção a todos os santos homenageados no Congado fizeram dela uma mulher forte e solidária. “Trabalhei de gari durante cinco anos, e ao receber a cesta básica, eu não gastava nem metade dela e acabava doando para as pessoas que precisavam ou para a Sociedade São Vicente de Paulo. Hoje, como não recebo mais a cesta, não consigo ajudar dessa forma, mas sempre existe um jeito de ajudar”, disse.
Católica fervorosa, Dona Tota conta que sua fé inabalável vem de família, porque sempre precisaram rezar para que as coisas melhorassem. Os avós dela eram católicos praticantes, seguidores de novenas e das tradições da igreja. “Começo cedo as minhas orações. A primeira missa, às 6 horas da manhã na televisão, passando para a novena do Divino Pai Eterno na televisão ou no rádio, às 10 horas, e logo em seguida acompanho o Padre Reginaldo Manzotti no rádio. A fé deixa a gente mais forte, mais feliz, e preparada para o dia a dia”, comentou. Dona Tota disse que não benze, mas costuma, quando solicitada, rezar com fervor em intenção das pessoas que pedem orações a ela.

 

Trabalho desde cedo

Dona Tota conta que começou a trabalhar cedo, praticamente aos 12 anos, ajudando o pai nas lavouras de café, cana de açúcar e plantações de eucalipto. Em 2009 começou a trabalhar como gari. “Foi muito bom. Trabalhei muito tempo no cento da cidade. Nosso trabalho começava às 2 horas da manhã e terminava por volta de 6 horas. Sempre trabalhei por produção, então me acostumei a trabalhar com metas, fazendo meus planejamentos, de forma que cumpria todas as funções de maneira correta, continuando assim até o fim”, disse.
Dona Tota conta que trabalhou na região central durante um ano. Depois passou para o bairro Santo Antônio, onde reside, e continuou por mais quatro anos. “Aqui no bairro, como era mais perto pra mim, eu começava à meia noite e acabava rapidinho; deixava tudo limpinho e voltava pra casa. Às vezes dava tempo até de dormir um pouquinho”.

 

Congado

Dona Tota é fundadora de um terno jovem em Arcos. “Aqui em Arcos, o congado surgiu com meu avô materno. Havia um Cruzeiro no bairro e a festa acontecia lá todo dia 06 de maio, com os ternos daqui de Arcos. Além de ser apaixonada pelo congado, também atendi a um pedido do meu pai, que em seu leito de morte me pediu para que eu não deixasse acabar com a tradição. Eu prometi continuar e estou até hoje. Com o passar do tempo, os congadeiros mais experientes ficaram mais velhos e houve a necessidade de ir substituindo os componentes”, explicou.
Tota conta que certa vez teve que ir pedir uma autorização ao padre José de Castro para realizar a festa, quando acabou contando com bons conselhos dele. “O padre me disse que eu deveria formalizar o terno, pois se tratava de uma festa de barganha, onde os visitantes também deveriam ser visitados. O padre deu muita força para o início do Congado Jovem em Arcos” disse.
Dona Tota conta que a partir de então se colocou a pensar em uma forma de criar e manter uma nova formação de festeiros. “Cheguei em casa certo dia, vi meus netos brincando de congado e me empolguei. Vi que eles usavam panelas, latas, montes de areia para colocar os mastros de bandeiras. Perguntei se eles queriam fazer parte de um terno, recebendo resposta positiva deles. Então passei a procurar ajuda para conseguir materiais, bandeiras, instrumentos, conseguindo muita coisa boa de muitas pessoas”, relembra. Hoje são quase 40 pessoas formando o congado Jovem de Dona Tota, o Congo Mirim.

 

“A fé é a melhor maneira de mostrar nossa gratidão a Deus”

Dona Tota, ao final da entrevista, disse que todos devem ter fé. “Com fé, as coisas sempre vão dar certo. Deus ajuda muito, mas a gente tem que fazer por onde. A fé é a melhor maneira de mostrar nossa gratidão a Deus por tudo que alcançamos com Ele. O mundo está muito complicado, e a falta de fé em Deus é que está fazendo com que isso aconteça”, finalizou Dona Tota.