História e mistérios: ‘Augusto Lara’, a primeira rua de Arcos

Publicada em: 17 de julho de 2017 às 13h17
História de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 11/12/2016)

O Jornal CCO entrevistou a fitoterapeuta Vanir Rezende, moradora da ‘Augusto Lara’ há mais de 70 anos. Dona Vanir contou histórias interessantes sobre a rua mais antiga da cidade de Arcos e também sobre o empresário que emprestou seu nome à via pública. Segundo Vanir Rezende, Augusto Pinto de Moraes Lara era fabricante de bonecas de papel e vestidinhos de papel crepom. Nascido em 1857 e natural de Itapecerica, o empresário e político Augusto Lara se casou com Maria José de Moraes Lara, com quem teve os filhos: Adolfo, Maria Augusta, Rosalina, Mariana, José, Cecília, Augusto, Marcília. Dono de uma inteligência e de um dinamismo marcantes, foi também grande pioneiro tecnológico. Instalou as primeiras máquinas de arroz e café no arraial, assim como o primeiro gerador termoelétrico nas máquinas; possibilitou, com a chegada da eletricidade na década de 1920, o funcionamento do primeiro cinema na comunidade; construiu um sistema de abastecimento de água potável encanada e também chefiou o primeiro diretório político da localidade. Em 1878 aconteceu no arraial a instalação da primeira escola, tendo como primeira professora nomeada a esposa de Augusto Lara. Augusto Pinto de Moraes Lara faleceu em 1922.

 

A magia da fábrica de bonecas

Vanir Rezende conta que, quando ela era criança, no século XX, eram organizadas visitas à fábrica, localizada numa residência antiga da atual avenida Dr. Olinto Fonseca. “Era uma verdadeira fábrica de sonhos! As crianças ficavam deslumbradas! As bonecas eram feitas de papelão dissolvido e colocadas em uma prensa, e quando ficavam prontas, pareciam muito reais. Era impressionante! Nossos olhos brilhavam. Em cada excursão, o Sr. Augusto Lara sorteava uma boneca entre as meninas. Era muita alegria”, disse Vanir Rezende.

 

O primeiro hotel do arraial de Arcos

Segundo Vanir Rezende, a “Augusto Lara” foi a primeira rua da cidade. “Foi a primeira rua da cidade, mas inicialmente chamada ‘Rua Nova’. Foi exatamente onde a cidade começou. As casas acompanhavam o curso do rio, onde os tropeiros montavam acampamentos e deixavam arcos como ponto de referência para as próximas tropas, dando origem ao ‘Rio dos Arcos’. Ali começaria uma história”, disse Vanir.
A moradora também contou que no final da rua havia sido construído o primeiro hotel do arraial, que, na época, abrigou pessoas ilustres como o médico João Vaz Sobrinho, pai do ex-prefeito Plácido Vaz. Segundo Vanir, tratava-se de uma construção de grande porte, com dois andares.
Vanir Rezende disse que a rua Augusto Lara recebeu o nome ainda no século XX, como uma homenagem a um dos “mais brilhantes arcoenses da época”.

 

Lendas da rua Augusto Lara

Um caso interessante contado por Vanir Rezende é que, no início do século passado, havia no fim da rua uma casa para atendimento ao público masculino, frequentada por homens de todas as classes sociais. Segundo a lenda, eles eram acompanhados por uma “alma penada” quando iam ao local. “Assim como acompanhava os homens, também acompanhava as mulheres e crianças que iam à missa todas as primeiras sextas-feiras de cada mês. Como não tinha luz, o povo ia com lanternas fracas da época, para iluminar o caminho, e essa alma ‘aparecia’ toda de branco, a todos, quando vinham da igreja. Não dá pra saber até onde vai a realidade ou a ficção, mas é uma das histórias da Augusto Lara”, disse Vanir.
Vanir Rezende conta que mora na casa onde ela nasceu. “A casa já era antiga quando minha mãe a comprou. Durmo até hoje no local onde nasci na casa. Na época, as parteiras eram sempre solicitadas em casos de nascimentos. Minha mãe comprou de um senhor, e quando nasci, mamãe já era proprietária há mais de dez anos. Os moradores mais antigos da rua sabem de várias histórias do tempo antigo. Tempo em que era tudo simples e todos eram muito felizes”, ressaltou Vanir Rezende.