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Histórias da famosa ‘Esquina do Pecado’

“A Esquina do Pecado acabou há muitos anos. Ficou só o nome. Hoje em dia é tranquilo”, comenta o aposentado José Caetano Fagundes

Publicada em: 28 de março de 2018 às 15h51
Memória

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 24/03/2018) - Edição 1941

“Política sem princípios, riqueza sem trabalho, prazer sem consciência, conhecimento sem caráter, comércio sem moralidade, ciência sem humanidade e culto sem sacrifício”. Esses são os sete pecados sociais que teriam sido citados pelo indiano Mahatma Gandhi (assassinado em 30 de janeiro de 1948). No dicionário Priberam da Língua Portuguesa, a definição de Pecado é: “Transgressão de preceito religioso, vício, culpa, falta”.

Na prática, os conceitos de pecado geralmente são associados a convicções ou convenções religiosas. As crianças aprendem no catecismo da Igreja Católica quais são os Sete Pecados Capitais, que dão origem aos demais: luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça. Eles teriam sido listados por volta do século IV.

Na pós-modernidade, um dos pecados mais vistos é a corrupção. O próprio papa Francisco já fez declaração afirmando que “corrupção é pecado”. Em março de 2008, o Vaticano estabeleceu um conjunto de novos pecados adaptados à era da globalização. Dentre eles estão os seguintes: uso de drogas, agravamento da injustiça social (má distribuição de renda), riqueza excessiva e geração de pobreza.
 
A ‘Esquina do Pecado’, no cruzamento entre a Rua dos Passos com ‘Augusto Lara’, é um dos lugares mais populares em Arcos. A referência gera curiosidade entre as novas gerações, sobre o porquê desse nome. Que “pecados” teriam sido cometidos naquele lugar?

Um casarão com um cômodo de comércio – o “Bar do Beto” – atrai a atenção de quem passa por lá. A atual proprietária não soube informar uma data aproximada da construção, mas o imóvel tem estilo similar ao de outros de Arcos que são do século XIX (provavelmente depois de 1800). Não há alterações consideráveis na estrutura, com exceção do piso, que era assoalho e foi trocado por ardósia.

O atual inquilino do ponto comercial é Alberto Márcio de Araújo (Beto), 63 anos. O “Bar do Beto” – que também é uma espécie de mercearia com alguns itens para atender às necessidades de última hora – existe há 17 anos. Antes disso, outros empreendedores tiveram bares e vários outros tipos de comércio no local.

 

Nome ‘Esquina do Pecado’ teria sido criado pelas esposas dos frequentadores
 
Sobre a origem do nome, Beto conta a história que já ouviu: “O pessoal fala que os homens se reuniam aqui [em décadas passadas] e começavam a ‘bater papo’. As esposas não gostavam e diziam: ‘Já vai para a Esquina do Pecado, né?’ ”. Ele afirma que atualmente o bar/mercearia é um ambiente sem confusões. É frequentado por homens, mulheres e crianças de vários bairros de Arcos e de diferentes classes sociais. Quando o CCO esteve no bar, no fim de tarde de uma sexta-feira, estavam lá os jovens Ismael (20 anos), Luiz (24), Paulo (26 anos) e Marcos (27 anos), tomando cerveja. Eles disseram que gostam do ambiente porque é agradável e tranquilo.

O aposentado José Caetano Fagundes, de 69 anos, contou que “antigamente” existiam pelo menos três botecos nas proximidades da ‘Esquina do Pecado’. “Os frequentadores bebiam e às vezes brigavam e falavam palavrão, mas não tinha violência. Não era gente má. Tinha uns que bebiam o dia inteiro, chegavam às 7 horas e ficavam até de noite”, lembra e afirma que isso ficou no passado. “A ‘Esquina do Pecado’ acabou há muitos anos. Ficou só o nome. Hoje em dia é tranquilo”, conclui.

 

Para você que ficou curioso e ainda não conhece esse cantinho especial de Arcos, o “Bar do Beto” está aberto todos os dias, de 9 às 22 horas. (Reportagens e Redação: Jornalista Rita Miranda/Arcos).

Outra história – Na rua Augusto Lara, o CCO encontrou dona Carlota dos Santos da Silva, de 90 anos (nascida em 1928). Ela comentou sobre outro casarão da “Esquina do Pecado”, que teria aproximadamente 200 anos. Publicaremos a reportagem em breve, a partir de informações obtidas junto à Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo de Arcos.