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Instrumentos que furam e cortam podem transmitir HIV e outras doenças, quando não esterilizados em autoclave

Salões de beleza, clínicas de estética, barbearias, consultórios odontológicos, laboratórios e hospitais devem ser inspecionados pela Vigilância Sanitária, como forma de prevenção

Publicada em: 04 de outubro de 2017 às 08h21
Saúde

Crédito: Salmo Duarte/site: anoticia.clicrbs.com.br

Instrumentos que furam e cortam podem transmitir HIV e outras doenças, quando não esterilizados em autoclave

Para realizar esterilização, é necessário que o estabelecimento utilize a autoclave

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 30/09/2017) - Edição 1916

Em matéria produzida pelo Jornal CCO e publicada no dia 21 de setembro, na edição 1914, foi divulgado que do ano de 2004 até 2015 foram registrados 34 casos de AIDS em Arcos. Utilizamos como fonte os “Indicadores e Dados Básicos da AIDS nos Municípios Brasileiros”.

De acordo com informações disponibilizadas no portalsaude.saude.gov.br (Ministério da Saúde), o vírus pode ser transmitido pelos seguintes meios: sexo sem camisinha; seringa ou agulha contaminados; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; e instrumentos que furam ou cortam (não esterilizados).

Geralmente as campanhas de prevenção enfatizam a importância do uso da camisinha nas relações, o que realmente é essencial e indiscutível. Contudo, nem sempre orientam sobre os riscos de transmissão por meio do compartilhamento de agulhas e instrumentos cortantes não esterilizados. Diante disso, o CCO optou por destacar esse viés do tema, nesta reportagem.

De acordo com divulgação do Portal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, portal.anvisa.gov.br, o Brasil é considerado o terceiro maior mercado do mundo em produtos e serviços de beleza. Na mesma notícia está a orientação: “Os salões de beleza fazem parte do dia a dia do brasileiro e precisam seguir algumas regras.  A Agência regulamenta esses estabelecimentos e chama atenção para os riscos de contrair doenças como dermatoses, micoses e parasitas ou uma doença infectocontagiosa, como hepatite ou até mesmo Aids. Não só o cliente é exposto a esses riscos, mas também os profissionais que trabalham nesses locais”.

Para aprofundar a pesquisa, o Jornal CCO entrou em contato com a Vigilância Sanitária em Arcos (VISA). Perguntamos com que periodicidade os fiscais têm fiscalizado salões de beleza, barbearias, clínicas de estética, consultórios odontológicos, laboratórios, hospitais e estabelecimentos onde se faz acupuntura, tatuagens e outros procedimentos com utilização de lâminas e agulhas – para verificar se estão sendo adotadas as medidas preventivas à transmissão de doenças por meio de alicates de unha e outros objetos perfurocortantes. Também perguntamos quantos desses estabelecimentos citados foram fiscalizados pela VISA neste ano de 2017, em Arcos; quantos foram notificados por atitudes irregulares no que diz respeito à prevenção de doenças; em quantos deles não havia autoclave para esterilização dos materiais; quantos foram multados neste ano e qual o valor da multa.

Recebemos a seguinte Nota, assinada pelo supervisor da VISA/Arcos, Ismeraldino Beirigo: “A VISA/ARCOS segue um cronograma de inspeções de rotina nos estabelecimentos cadastrados, chamado Plano de Metas, obedecendo ao programa de acompanhamento e monitoramento das inspeções sanitárias municipais. Os estabelecimentos na área de salões de beleza, clínicas de estética, consultórios odontológicos, estabelecimentos onde se faz tatuagens e acupuntura, são inspecionados pela VISA local. Já os laboratórios e hospitais são inspecionados pela VISA Estadual. Todos são visitados/inspecionados dentro desse plano de metas de acordo com a vigência do alvará sanitário, cuja validade é de um ano. O objetivo da inspeção pode ser inicial ou retorno para avaliar as condições do estabelecimento, visando constatar o cumprimento da legislação vigente e detectar áreas/condições de risco à saúde pública em relação aos produtos oferecidos pelo mesmo. Todos os estabelecimentos que atuam nas áreas solicitadas pela reportagem e que estavam nas metas para serem visitados, receberam em 2017 a visita da equipe técnica da VISA, dentro do período em que seriam renovados os alvarás. Os novos estabelecimentos também foram inspecionados. Ressalta-se que a visita gera um relatório técnico de inspeção, onde é relatada toda a realidade do estabelecimento, desde as estruturas físicas até as adequações, onde a equipe aponta as irregularidades para serem sanadas dentro de um prazo estabelecido.  De acordo com a irregularidade, os estabelecimentos são notificados conforme estabelece o Código de Saúde do Estado de Minas Gerais, a Lei 13.317/99.

Prevenção – O supervisor da VISA em Arcos orienta que para prevenir uma contaminação nesses tipos de estabelecimentos, é necessário primeiramente verificar se o estabelecimento que você frequenta está regularizado junto à Vigilância Sanitária municipal.  De acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é fundamental que todos fiquem atentos à higiene desses locais, verificando a esterilização de todos os materiais em geral, como alicates, tesouras, navalhas ou lâminas de barbear.

Para realizar essa esterilização, é necessário que o estabelecimento utilize a autoclave, que é mais eficiente do que a estufa (que não elimina os vírus), sendo assim proibida a sua utilização. Na hipótese de inexistência desse equipamento, a VISA orienta que cada cliente leve seu próprio kit (tesoura, corta unhas, alicate etc.).  

De acordo com as regras da ANVISA, qualquer estabelecimento que presta alguns desses tipos de serviços deve: ter um local próprio para a lavagem de materiais; manter cadeiras e colchões de macas revestidos por material impermeável e em bom estado de conservação; utilizar toalhas limpas, sempre lavadas após cada uso; o local deve estar limpo e organizado, com ventilação apropriada e circulação de ar; deve-se realizar a limpeza das escovas, pentes, bobies e qualquer outro acessório após cada uso.