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MEMÓRIA

José Antônio do Couto relembra histórias de Arcos da década de 1970

Publicada em: 24 de julho de 2017 às 08h50
Memória
José Antônio do Couto relembra histórias de Arcos da década de 1970

José Antônio da Consolação Couto

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 28/08/2016) - Edição 1852

O Jornal CCO traz neste mês, no espaço Memórias, algumas histórias do aposentado do Banco do Brasil José Antônio da Consolação Couto (67).  

Casado com Benaura Gonçalves Couto, pai de Wendel Gonçalves Couto e Joyce Gonçalves Couto, e avô coruja de Melina Couto Araújo, de 04 anos, José Antônio se diz um “sem terra” com um significado diferente quanto à sua origem, pois, segundo ele, o município onde nasceu foi inundado pela represa de Furnas. Naquela época, seus pais foram para Formiga, onde ele estudou e começou a trabalhar. Seu primeiro emprego foi no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) onde foi aprovado por concurso público na segunda colocação, e logo após, prestou um concurso para o Banco do Brasil, onde também foi aprovado.

Algum tempo depois, José Antônio pediu transferência para Arcos, onde seria inaugurada uma agência. Ele contou que o banco passou a funcionar em 19 de julho de 1976, na esquina onde hoje se encontra uma ótica no centro, mais especificamente no cruzamento entre as ruas São Geraldo e Getúlio Vargas. “Me lembro bem. O prefeito era o Zizo, a agência começou a funcionar no dia 20, completando no mês passado (julho), 40 anos de história em Arcos”, completou, demonstrando saudosismo.

 

A agência

José Antônio conta que a agência do Banco do Brasil em Arcos começou a funcionar com 12 funcionários, além de outros quatro que eram menores aprendizes. Segundo ele, todos ajudavam muito. “Da turma que abriu o banco, apenas três pessoas ainda permanecem em Arcos: Eu, Ocimar Longobardi e Osvaldo Falco, que eram os dois aprendizes. O restante do pessoal se mudou e alguns já faleceram. Na época da inauguração, lembro que o Paulo Ribeiro de Carvalho era um grande entusiasta. Quando estavam arrumando pra montar o banco, o Paulo estava muito alegre, ia lá o tempo todo. É uma lembrança maravilhosa”, completou.

 

Máquinas de escrever e carbono

José Antônio conta que naquela época, tudo era diferente. Segundo ele, todos trabalhavam com máquinas de escrever e carbono, pois não havia tanto desenvolvimento.

Outro fato curioso é que era normal o pessoal ir ao banco a cavalo. “Não tinha esse monte de carro de hoje. Quando eu saía da agência, via muitos cavalos na área externa do banco”, comentou.

De acordo com José, até os juros eram mais baixos. Ele trabalhou diretamente com carteira rural, onde eram feitos empréstimos com taxas de juros de 7% a 10% ao ano, e alguns empréstimos eram feitos sem juros. “O produtor tirava o empréstimo e, em um ano, pagava apenas o capital”, lembra.

 

Transferências

José Antônio destaca que participou de uma época muito boa do banco em Arcos, mas os superiores optaram por transferi-lo para Santo Antônio do Monte, onde ficou por 11 meses, sendo posteriormente promovido a gerente geral de outra agência. “Valeu muito a pena. Se o banco não tivesse me forçado a mudar de agência, eu não teria saído, mas foi bom. Hoje estamos de volta a Arcos. O banco me deu uma oportunidade muito boa de conhecer muitas pessoas boas. Fiquei conhecido, saio a pé quase todo dia e paro o tempo todo pra conversar”, completou.

 

Momento inesquecível
Questionado sobre algum momento inesquecível, José disse o seguinte: “Com uma semana de banco em Campo Belo, apareceu um senhor simples com um chapéu de palha na cabeça e me pediu: Sr. José, eu queria saber o nome da minha mulher! Achei estranho, mas ele insistiu que queria saber o nome da mulher. Ele explicou que estava no Fórum ao lado, fazendo uns negócios, e que a atendente teria pedido o nome da mulher dele. Fui lá dentro, procurei e encontrei. Escrevi e entreguei, ele me agradeceu. Mas antes que ele saísse, acabei perguntando: O senhor podia me matar a curiosidade? Ele disse: Não é nada não, é que como chamo ela de Sinhá, não sei o nome dela mais”.