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Série ex-prefeitos de Arcos

Lécio Rodrigues, gestão 2001/2004: mais de 60 obras

Construção de três postos de saúde, Agência do INSS, conclusão do Trecho I da “avenida sanitária”, construção de 144 banheiros para famílias de baixa renda, aterro sanitário e reconstrução da praça

Publicada em: 21 de julho de 2020 às 10h39
Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos
Entrevistas
Série - Ex-Prefeitos de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 07/03/2020) - Edição 2041

Lécio Rodrigues de Sousa, 55 anos, é engenheiro civil há 30 anos. Trabalha atualmente na construtora e imobiliária Cazanga, com implantação de loteamentos e execução de obras diversas para o grupo. Candidatou-se a cargos políticos cinco vezes. Em 1992, foi candidato a vereador pelo PL (Partido Liberal); em 1996, candidato a prefeito pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro); em 2000, candidato a prefeito, também pelo PMDB (quando foi eleito); em 2010, candidato a deputado estadual pelo PP (Partido Progressista); em 2012, novamente candidato a prefeito também pelo PP.

Foi aprovado no primeiro concurso público da história de Arcos, em 1993, para o cargo de engenheiro. Foi secretário de Obras na gestão de Plácido Ribeiro Vaz (1993 a 1996) e secretário de Planejamento, também no governo de Plácido Vaz (2005 a 2008).

Já se licenciou do seu cargo efetivo por alguns períodos, sendo o último a partir de maio de 2017, com previsão de conclusão para maio de 2021. Ele explica que se trata de uma licença sem remuneração, permitida pela legislação vigente.

 

Ao assumir a Prefeitura, havia uma dívida de R$8 milhões e a folha de pagamento estava acima de 60% da arrecadação

Lécio Rodrigues foi prefeito de Arcos na gestão 2001/2004, sucedendo Hilda Borges de Andrade na segunda gestão dela. Ele relata que quando assumiu a Prefeitura, em 2001, “a situação financeira e administrativa provavelmente era a pior já enfrentada pelo Município”; e acrescenta: “Além de uma dívida com fornecedores, impostos e pessoal, acima de R$8 milhões de reais, os equipamentos estavam sucateados e a folha de pagamento estava acima de 60%, sendo que o máximo permitido pela legislação é 54% da arrecadação; também havia uma falta de credibilidade total”.

Naquele contexto, diz Lécio Rodrigues, o maior desafio era ‘colocar a casa em ordem’, reduzir a folha, resgatar a credibilidade, recuperar os poucos equipamentos que a Prefeitura tinha, equalizar as dívidas e elaborar diversos projetos de infraestrutura. “Naquela época, ainda faltava muita infraestrutura para implantar, como rede de esgoto e pavimentação. Também aconteciam queimadas no lixão e por isso fomos buscar, junto ao Governo Federal, recursos para construir o aterro sanitário, reciclagem, a avenida sanitária – que ainda era somente um sonho; a pavimentação dos acessos à Ilha, à Boa Vista, Paus Secos e Ymeris. Enfim, além de ajustes necessários, ainda implantamos 64 obras importantes para a população”, relata e enumera as principais ações e obras: “Reestabelecemos a credibilidade do Município; conseguimos o envolvimento de toda a equipe e servidores no projeto de fazer Arcos melhor; conseguimos trazer para nossa cidade uma agência do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); manter todos os serviços públicos anteriormente implantados; a conclusão do Trecho I da avenida sanitária “Dr. João Vaz Sobrinho” (o projeto foi elaborado na primeira gestão de Hilda Andrade); construção de 144 banheiros para famílias de baixa renda; construção do aterro sanitário; conclusão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE); conclusão do Hospital de Referência em Otorrinolaringologia [hoje Hospital Municipal São José]; conclusão do esgotamento sanitário de diversos bairros; pavimentação de diversos bairros; reestruturação da Santa Casa com apoio de diversas empresas e da população; construção dos postos de saúde dos bairros Calcita, Brasília, Esperança I; reconstrução da praça Floriano Peixoto e diversas outras obras importantes.

 

“Eu gostaria de ter investido mais em educação [...] e na construção e nas reformas de moradias populares”

Dentro dos compromissos assumidos em campanha, Lécio Rodrigues afirma que todos foram cumpridos, mas permaneceu o desejo de ter realizado mais. “Em termos de serviços públicos, eu gostaria de ter investido mais em educação, por entender que somente através da educação é que teremos uma independência social de verdade. Também gostaria de ter investido mais na construção e nas reformas de moradias populares, por entender que não existe nada mais digno do que um teto”.  

Segundo o ex-prefeito, a arrecadação municipal nos quatro anos de sua gestão foi de aproximadamente R$72 milhões. Ele disse que para superar todas as dificuldades, contou com o engajamento dos servidores, todos buscando o mesmo objetivo: melhorar os serviços públicos, a infraestrutura, valorizar os poucos recursos financeiros existentes. Também buscou, junto aos governos estadual e federal, por meio de projetos adequados, o apoio do deputado federal Rodrigo de Castro e do deputado estadual Alberto Pinto Coelho.

 

Reconhecimento do trabalho desenvolvido por Plácido Vaz

Perguntamos ao nosso entrevistado qual foi o ex-prefeito de Arcos que teria dado a maior contribuição para o desenvolvimento do Município. Em resposta, ele opinou: “Entendo que todos os prefeitos deram suas contribuições, porém, no meu entendimento, até por ter governado por maior prazo, 14 anos, foi o meu padrinho Plácido Ribeiro Vaz. Nos seus governos, foi implantada a maior parte da infraestrutura urbana, além de obras importantes como habitação popular, construção de escolas, Casa de Cultura, o maior projeto de extensão de energia rural com recursos próprios do Município (412 propriedades eletrificadas), parque de exposições, construções de pontes, rodoviária, trecho II da avenida Dr. João Vaz Sobrinho (avenida sanitária) e diversas outras obras”, enumera.

 

Prefeito “impopular”

Lécio Rodrigues foi considerado um prefeito “impopular”, por alguns eleitores. Um dos motivos é que ele não criava falsas expectativas diante de reivindicações que considerava inviáveis ou impossíveis de serem atendidas. Perguntamos se esse comportamento causou problemas a ele. Veja a resposta: “Eu assumi o governo de Arcos em um momento financeiro muito difícil e ainda no início da implantação da Lei Complementar 101, tão conhecida Lei de Responsabilidade Fiscal, que trouxe várias mudanças na gestão pública. Essas mudanças contrariaram alguns interesses particulares, mas a mim não restava outra coisa a não ser implementar a Lei. Tenho a consciência tranquila de que fiz o melhor para o Município”.

O ex-prefeito disse que quando terminou sua gestão, a Prefeitura ainda estava endividada com débitos da gestão anterior, referentes a parcelamentos de INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e financiamento de obras. “Com relação à nossa gestão, deixei tudo pago e com um pouco de recurso em Caixa”, afirma.  

 

Que conselhos você daria ao atual e ao futuro prefeito de Arcos, sobre a melhor forma de gerir recursos públicos?

“Preze sempre pela legalidade. Entre agradar um eleitor/um cidadão e agir de acordo com a legislação, fique sempre com a legalidade”, aconselha Lécio Rodrigues.

 

Quais as ações prioritárias para que Arcos se torne um Município mais desenvolvido e proporcione mais qualidade de vida para a população?

Diante desta pergunta, o ex-prefeito respondeu: “Apoiar a Santa Casa para termos um hospital digno; investir mais em educação, principalmente reimplantando as escolas de tempo integral; valorizar os servidores; implantar algumas obras de drenagem pluvial em diversos pontos da cidade; revitalizar a BR354, entre os bairros Esplanada e Juca Dias e outras pequenas obras”.  

Lécio Rodrigues disse que não é pré-candidato a prefeito de Arcos nas eleições deste ano. Desde janeiro de 2013, não está filiado a nenhum partido político, mas considera-se um cidadão de centro-direita. “Não serei candidato a prefeito, primeiramente, atendendo a um pedido familiar e, segundo, por ser incompatível com as atividades por mim exercidas na empresa. Também entendo que já dei minha contribuição ao Município de Arcos. Mesmo sem ocupar cargo político, sempre me coloquei à disposição dos governantes para contribuir com minha experiência em engenharia e administração pública. Aproveito este espaço para agradecer às manifestações de apoio que tenho recebido nesses últimos meses. Agradeço ao povo de Arcos pela oportunidade de governar o Município no período 2001/2004. Um abraço a todos”.

 

Lécio com sua neta Manuela Rodrigues Rezende

 

“Vovô Lécio”

Lécio Rodrigues, hoje avô, valoriza o aconchego do lar. Quando não está trabalhando, o que mais aprecia é ficar em casa com a família. É casado com Patrícia Guimarães Araújo Rodrigues e o casal tem dois filhos: Maria Letícia Rodrigues Guimarães Araújo Resende, formada em Direito e hoje exercendo a função de analista no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), na cidade de Rio Paranaíba; João Gabriel Guimarães Araújo Rodrigues, que mora em Belo Horizonte e estuda no 1º período de engenharia civil. Maria Letícia é casada com o contador Nivaldo Gaspar Resende. Patrícia e Lécio têm dois netos: Manuela Rodrigues Resende, de 3 anos e Benício Rodrigues Resende, de 1 ano.

Lécio era católico não praticante e tornou-se evangélico em 1997. Hoje congrega na Igreja Batista Vale das Bênçãos, com o pastor Flávio Ferreira Gonçalves. Um dos seus planejamentos para o futuro é ser pastor. “Com as atividades que desempenho fica difícil, mas em breve pretendo desacelerar e buscar esse meu desejo”, disse e acrescentou: “Quando você conhece e obedece aos mandamentos de Deus e permite que Jesus direcione sua vida, a sua visão deste mundo é outra. Sempre fui muito responsável com tudo que faço, isso eu aprendi com os meus pais. Com relação a conhecer a Palavra de Deus, nos possibilita a valorizar o que merece ser valorizado e que verdadeiramente dá sentido à nossa vida”, conclui.