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‘Leitão’ e Antônio Victor teriam recebido ameaças de morte depois de manifestos direcionados ao Legislativo Municipal

As tentativas de intimidação teriam sido feitas por dois arcoenses, na praça do ‘Vivi’; eles não são vereadores

Publicada em: 26 de outubro de 2015 às 09h12
Arcos
Política
‘Leitão’ e Antônio Victor teriam recebido ameaças de morte depois de manifestos direcionados ao Legislativo Municipal

O comerciante Geraldo Aparecido Lino (Leitão) esteve na Redação do CCO na última quarta-feira (21)

Relembre o caso – O comerciante Geraldo Aparecido Lino, ‘Leitão’, realizou dois manifestos na praça Olívio Vieira de Faria (praça ‘do Vivi’): um no último dia 10, quando expôs um banner mostrando as despesas dos vereadores de Arcos com diárias de viagens nos anos de 2013, 2014 e 2015 até então; e o outro no último sábado (17), quando levou outro banner  para o local, desta vez, mostrando os vereadores contrários e favoráveis à redução do número de cadeiras na Câmara (de 13 para nove).

 

Depois dessas manifestações, que também têm o apoio do comerciante e engenheiro Antônio Victor de Oliveira, ‘Leitão’ afirmou ao CCO, na manhã da última quarta-feira (21), que recebeu duas ameaças de morte. Veja os relatos abaixo.

 

Homem estaria com revólver no banco do carro

 

 ‘Leitão’ estava na praça do ‘Vivi’, no último sábado (17), próximo ao banner com as fotos dos vereadores favoráveis e contrários à redução do número de vereadores na Câmara de Arcos, quando um veículo parou e o condutor o chamou. ‘Leitão’ aproximou-se e, segundo relatou ao CCO, começou a ser ameaçado pelo homem: “Me chamou de babaca, otário, vagabundo. Ele afirmou: ‘Vou lhe dar um tiro e outro no Antônio Victor’ ” . De acordo com ‘Leitão’, no banco do carro tinha um revólver. “Eu e mais uma testemunha vimos. Tinha um pano em cima, mas mostrava a parte traseira”, afirmou.

 

‘Leitão’ disse ao CCO que, inicialmente, tentou explicar a ele o propósito do manifesto. “Rapaz, nós temos autorizações cabíveis para que eu esteja aqui; não estou com perseguição, simplesmente com o intuito de esclarecer as pessoas, porque menos de 2% da população acessa o Portal da Transparência”, falou ao homem. Segundo ‘Leitão’, Antônio Victor viu que estava acontecendo algo estranho e se aproximou. ‘Leitão’ contou a ele o que tinha ouvido e ele perguntou o nome do autor das ameaças. “Ele disse que não tinha nome”, relata Leitão, acrescentando que logo em seguida ligou para a Polícia, com a finalidade de registrar o Boletim de Ocorrência. O homem foi embora em seguida, mas houve tempo suficiente para que o número da placa do veículo fosse anotado. Dessa forma, foi possível identificá-lo.

 

‘Leitão’ destaca que essas ações não se tratam de perseguições a políticos, mas de ações em benefício do povo. “Após uns 15 anos residindo fora de Arcos (em Tocantins), eu vim para conviver mais com minha família e dar minha contribuição para que a cidade se torne ainda melhor.Quando eu voltei para Arcos, eu pensei que estava voltando para uma cidade em desenvolvimento do Centro-Oeste mineiro, mas vi que, infelizmente, agora é o contrário: é uma cidade do velho Oeste americano, que tenta calar as pessoas que falam a verdade. Mas isso aí jamais vai me intimidar. Se quiser me intimidar, me intimida com ações, com coerência. Se querem nos calar, ajam com capacidade administrativa. Estou disposto ao diálogo, não tenho ódio, não tenho rancor, não tenho nada contra eles. Mas cobrar, eu vou continuar cobrando. Isso não me intimida, me dá é fôlego, impulso, para que eu possa continuar lutando. Não tenho medo de ninguém”, declara.

 

‘Leitão’ relatou ao CCO que a outra ameaça foi feita a ele na última terça-feira (20), por volta de 7h15 da manhã, também na praça ‘do Vivi’. “O cidadão chegou de carro e perguntou: ‘O que você está ganhando com isso? Não seria melhor você arrumar um serviço?’. Disse que ia me dar uns tiros, me chamando de vagabundo, safado... Eu estava sozinho, mas o pessoal do posto [de combustíveis] viu”. Em seguida, segundo ‘Leitão’, o homem deu a volta no canteiro em frente à Sorveteria da Mônica e retornou. “Ele deu um ‘cavalo de pau’ e veio em minha direção. Eu não fugi, porque só pensei que ele estava com pressa; aí ele veio com o carro e pegou em cima da minha perna. Eu caí, ele deu ré e veio pra passar por cima de mim, só que o pessoal do posto e populares gritaram: ‘Canalha! (...) Vou chamar a Polícia!’. Aí ele arrancou com tudo e se mandou. Se não fossem eles [o pessoal do posto], ele tinha me matado”. 

 

‘Leitão’ precisou de atendimento médico, porque sofreu luxação no pé. Após a suposta tentativa de atropelamento, ele ligou para a Polícia, que foi ao local e registrou ocorrência.

 

Câmeras de videomonitoramento não registraram as imagens

 

As câmeras de videomonitoramento não registraram as imagens devido à posição em que estavam, mas ‘Leitão’ disse ao CCO que tem testemunhas referentes às duas agressões sofridas.

 

Para saber por qual motivo os suspeitos não foram presos, diante de supostas ameaças de morte e suposta tentativa de atropelamento, o CCO procurou a Polícia Militar, que fez os registros das ocorrências. Veja a justificativa apresentada pelo Sgt. Jonas Costa: “No primeiro BO (17/10), somente há a versão do solicitante que disse ter sido ameaçado. Não foram arroladas testemunhas - talvez porque ninguém tenha se proposto a testemunhar. Neste caso, é feito o rastreamento durante algum tempo, na tentativa de localizar os suspeitos da ameaça e efetuar a abordagem deles (para verificar se realmente estavam portando armas, além de ouvir sua versão). No referido dia, os suspeitos evadiram do local e não foram encontrados. Vale lembrar que depois do rastreamento (que pode durar desde alguns minutos até várias horas, dependendo da gravidade da situação), o trabalho fica a cargo da Polícia Civil, que recebe o BO e parte para a investigação dos fatos. Cabe à PC a continuidade da ocorrência. A PM não pode (e não tem condições humanas e logísticas) de ficar por conta de apenas um caso, tendo em vista que o volume de ocorrências no turno de serviço é alto e outras pessoas demandam o serviço de segurança pública por parte da Polícia Militar.  No segundo BO, registrado às 07h15 do dia 20/10, foi arrolada uma testemunha e mais uma vez se fez constar a versão do solicitante. Ocorreu da mesma forma, segundo o solicitante houve ameaça, com o autor dizendo que teria arma de fogo e que iria matá-lo. Em seguida o suspeito fugiu do local. Foi feito o rastreamento, mas também não houve a localização do suspeito para o esclarecimento dos fatos e, conforme apuração da Polícia, a providência de se efetuar a prisão do autor caso o crime ficasse configurado. Em momento algum no BO há o relato da testemunha afirmando que viu uma arma. Caso ela queira afirmar isso em juízo, poderá fazê-lo quando for intimada para audiência. Portanto, resumindo: segurança pública não se resume apenas à Polícia Militar. Mesmo o autor não tendo sido preso no momento, ainda poderá ser, caso a investigação da Polícia Civil apure que realmente ele estava com arma de fogo e que ameaçou a vítima de morte. Caso o delegado entenda que cabe a solicitação de um mandado de prisão à Justiça, ele poderá fazê-lo se tiver elementos suficientes para isso. Além do mais, o solicitante, de posse desses dois BOs que foram registrados, pode ir diretamente ao Ministério Público e solicitar providências sequenciais para que o fato seja melhor esclarecido e, caso haja autoria e materialidade definidas, os responsáveis sejam presos”.