SeSi
UTI em Arcos

Leitos serão instalados quando obra do novo bloco cirúrgico da Santa Casa estiver concluída

Publicada em: 03 de junho de 2020 às 13h22
Arcos
Saúde
Destaques
Entrevistas

O prefeito Denilson Teixeira solicitou à Superintendência Regional de Saúde, há alguns meses, a liberação de 10 leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para o Município, tendo em vista a demanda de transferência que existe na cidade.  

"Estivemos na Secretaria Regional de Saúde do Estado e protocolamos um ofício onde pleiteamos os 10 leitos de UTI para a cidade. Também tivemos uma conversa institucional e obtivemos resposta positiva", disse, acrescentando que foi feita a demonstração de dados que comprovam a necessidade.  

Para que esses leitos possam ser instalados no Município, o Governo Municipal buscou uma parceria com a Santa Casa de Arcos. Nesse sentido, a Prefeitura vai disponibilizar R$ 1.300.000,00 para o término do bloco cirúrgico, que poderá abrigar essas unidades de forma adequada, conforme exigências dos órgãos de saúde. Portanto, segundo o prefeito, assim que for concluída a obra do novo Bloco Cirúrgico da Santa Casa, serão articuladas as diretrizes de implantação que preconizam as normas técnicas do Ministério da Saúde.

A provedora da Santa Casa, Irmã Sandra Gontijo, informou ao CCO que serão feitos três orçamentos [para a contratação da construtora que dará continuidade à obra do Bloco], conforme solicitação do Setor de Convênios da Prefeitura. O resultado deverá ser divulgado em breve. Portanto, ainda levará alguns meses para que a obra seja concluída e para a instalação dos 10 leitos de UTI.

 

Requisitos

O processo para instalação dos 10 leitos de UTI é demorado. O prefeito informou que o serviço deve atender aos requisitos mínimos dispostos, principalmente em relação aos recursos humanos e materiais necessários para receber, com segurança, os pacientes que necessitam de cuidados. Nesse sentido, acrescentou que deve ser formalmente designado um responsável técnico médico, com título de especialista em Medicina Intensiva para responder por UTI, um enfermeiro coordenador da equipe de enfermagem e um fisioterapeuta coordenador da equipe de fisioterapia. Ambos devem ser especialistas em terapia intensiva ou em outra especialidade relacionada à assistência ao paciente grave, específica para a modalidade de atuação, assim como seus respectivos substitutos.

Ainda de acordo com as informações divulgadas pelo prefeito, deve ser designada uma equipe multiprofissional, legalmente habilitada, a qual deve ser dimensionada, quantitativa e qualitativamente, de acordo com o perfil assistencial, a demanda da unidade e legislação vigente, contendo, para atuação exclusiva na unidade, no mínimo, os seguintes profissionais (para 10 leitos): médicos plantonistas: cobertura 24 horas; enfermeiros assistenciais: cobertura 24 horas; fisioterapeutas: no mínimo 18 horas de atuação; técnicos de enfermagem: no mínimo um para cada dois leitos (cobertura de 24 horas); auxiliares administrativos: no mínimo um (exclusivo da unidade); funcionários exclusivos para serviço de limpeza da unidade (cobertura 24 horas); equipe de apoio: assistente social e psicólogo. De acordo com a avaliação feita pela Prefeitura, o custo mensal com a manutenção de uma UTI em Arcos (10 leitos) seria, em média, R$240 mil por mês. 

 

Outra possibilidade

Diante do crescente número de casos de coronavírus em Arcos, a situação é cada vez mais preocupante. O CCO já havia perguntando à diretora administrativa do Hospital Municipal São José, enfermeira Aline Arantes, se haveria possibilidade de instalar equipamentos de UTI no segundo pavimento do Hospital São José e se o Hospital e o Governo Municipal assumiriam os gastos durante esta pandemia, caso empresários fizessem a doação dos equipamentos para o Município. A resposta enviada ao Jornal foi a seguinte: "Sim, para os leitos de isolamento, que têm por objetivo estabilizar e manter o paciente com Síndrome Respiratória Aguda Grave, até o encaminhamento para atendimento em uma unidade de maior complexidade". Mas acrescentou: "Atualmente, o serviço de UTI é inviável pelo motivo da estrutura física no segundo pavimento desta unidade. O espaço físico não atende aos requisitos mínimos exigidos pelo Ministério da Saúde, como  também a autorização para execução do serviço de uma forma segura e eficiente. Outro fator a considerar é a disposição de Equipes para esse serviço. O Estado, neste momento de pandemia por COVID-19, está com dificuldade na disposição de equipes para esses trabalhos nos Hospitais de Campanha. A estrutura funcional desse serviço requer uma equipe multiprofissional, legalmente habilitada, a qual deve ser dimensionada, quantitativamente e qualitativamente, de acordo com o perfil assistencial".

O prefeito informou que, atualmente, o município de Arcos e Santa Casa possuem dez respiradores e que há uma dificuldade na aquisição, uma vez que nos Estados onde há empresas e fábricas de ventiladores/respiradores mecânicos, esses equipamentos estão confiscados para atendimento aos seus pacientes acometidos pelo coronavírus. "É importante ressaltar que, tanto a Santa Casa quanto o Hospital São José, ao diagnosticar o paciente com COVID-19, estão preparados para estabilizar e fazer a transferência para uma unidade de referência, caso necessário, conforme orientação da regional de saúde do Estado e dentro do protocolo do Ministério da Saúde", disse o prefeito.

Denilson Teixeira relatou ao CCO que fez algumas solicitações ao diretor da  CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) em São Paulo, para a implantação das UTIs em Arcos, mas ainda não obteve resposta. A empresa doou 750 máscaras 3M e 10 mil máscaras de tecido.