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RECORTES DO TEMPO - HISTÓRIAS DE ARCOS

Maria Luíza Lima relata lembranças da cidade de Arcos nas décadas de 1960 e 1970

Publicada em: 30 de maio de 2020 às 08h00
Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 23/05/2020) - Edição 2052

Maria Luiza Queiroz Lima é uma senhora alegre que gosta de ler, costurar, bordar e tem grandes habilidades na cozinha. Em entrevista a Dalvo Macedo, colaborador do Jornal CCO no projeto Recortes do Tempo - Histórias de Arcos, ela contou sua história e falou de suas lembranças de quando se mudou para Arcos.

Tem 83 anos e é natural da cidade de Luz - MG. Ela é viúva e foi casada por 60 anos com Francisco Batista Lima, com quem teve quatro filhas: Neuza Maria Lima, Iolanda Maria Lima, Ione Luiza Lima e Marízia Maria Lima. Tem nove netos e dois bisnetos.

É uma senhora que tem muitas habilidades e gosta de costurar, de bordar manualmente e de cozinhar. O esposo, Francisco Batista Lima, tocava violão, sanfona e também cantava em suas rodas de amigos. Segundo Maria Luiza, todos esses dons do casal foram passados para as filhas. "Neuza, Iolanda, Ione e Marízia tiveram inspirações para arte, pintura e música. Acredito que foi dos avós maternos e paternos, que foram responsáveis por essa genética que vem de uma família de um grande capricho", contou.

 

A infância e o amor por livros

Ao recordar de sua infância, Maria Luiza conta que estudou na comunidade de Limeira, que faz parte da cidade de Luz. Segundo ela, naquela época as mulheres não tinham o hábito de estudar, porém, sua vontade de aprender era muito grande. Para ela e os colegas estudarem, a Prefeitura pagava o salário da professora e os pais tinham que custear a moradia e alimentação dela. "Usávamos caderno, lápis e caneta tinteiro (de pena). Era uma caneta muito difícil de usar, borrava muito os cadernos e tinha que ter muito cuidado. Lembro-me da minha querida professora; graças a ela, com um mês eu já sabia ler o A B C. Suas exigências fizeram com que eu aprendesse a ler e escrever", relembra.

Ela conta que até os dias de hoje guarda um livro chamado 'Manuscrito', que foi sugerido por sua professora na época e que se tornou uma relíquia guardada pela família. A professora dela dizia que quem conseguisse ler esse livro saberia ler qualquer outro tipo de letra: "O Manuscrito era um livro que tinha vários poemas em estrofes, escritos em prosa e versos que despertavam nos alunos, em suas decifrações, a descoberta das palavras ligadas às mensagens do texto", disse. Na época, havia vários poemas que Maria Luiza gostava, a exemplo de "As vozes dos animais", de Pedro Diniz, que despertava bastante interesse na turma. Ela citou outros poemas que gosta muito: Definição da Língua Portuguesa, de José Bonifácio; Sucas, de Castro Alves; Aniversário, de Álvares de Azevedo; Arrependimento Infantil, de Mandes Leal; Bosquejo, de Raymundo Correia; A Inspiração, de Felisberto de Carvalho; As duas mães, de Bulhão Pato; Amor de Família, de C. Castello Branco; A lagarta e o bicho de seda, de R. Feliciano; A palavra, de Latino Coelho; Amigos, de Guilherme Braga; O relógio, de Arnaldo de Oliveira Barreto; Glórias Futuras e os cinco irmãos, de Hilário Ribeiro; e O leão e a rosa, Marquesa de Alorna e Piratininga, de Américo Brasiliense.

 

Mudança para Arcos

Maria Luiza contou que seu esposo teve que vir para Arcos em 1965, para trabalhar na transportadora Transcálcio. Em seguida, ela veio para fazer uma visita e conhecer a cidade. À primeira vista, não gostou do que viu. Ela relata que a rua Capitão José Apolinário era muito comprida e de terra. Na época, tudo estava interditado, porque a empresa Andrade Gutierrez estava asfaltando a avenida Governador Valadares. Após alguns dias de sua visita, mudou-se de forma definitiva para Arcos. A família morava nas mediações da empresa onde seu marido trabalhava. Construíram uma residência na rua Felisbina Vieira, no bairro São José, onde Maria Luiza reside até hoje.

 

Outras lembranças

Ela também relembrou da época em que foi aberta a rua Joaquim Murtinho, no ano de 1979, quando o prefeito Paulo Marques de Oliveira fez a desapropriação do terreno, que pertencia à Srª Geni Andrade, para a construção do Ginásio Poliesportivo. "Paulo abriu a rua Joaquim Murtinho ligando o centro da cidade ao bairro São José; era um bairro isolado, só havia um acesso, pela rua do Rosário. À tarde, a proprietária (do terreno) fazia uma cerca de arame farpado e no outro dia os funcionários da Prefeitura arrancavam. No outro dia, era a mesma história. Essa briga durou cerca de 30 dias, até que a Justiça deu a sentença como desapropriação. Nós, os moradores, ficamos muito felizes".