Empreendedor 2017

Médicos estão entre os credores da Santa Casa de Arcos

Publicada em: 08 de setembro de 2017 às 11h22
Saúde

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 19/08/2017)  - Edição 1909

 

O gerente administrativo e financeiro da Santa Casa, Roberto Miranda, informou ao CCO que a unidade de saúde deve, em longo prazo, inclusive empréstimos bancários, cerca de R$2 milhões e 100 mil reais (R$ 2.100.000,00). Se quitasse a dívida hoje, seria em torno de R$ 1 milhão e 800 mil (R$1.800.000,00). A última prestação de empréstimos será em agosto de 2019. O déficit mensal supera os R$130 mil.

O hospital está em dívida com médicos, referente às prestações de serviços como plantão (dois meses de atraso), sobreaviso (quatro meses) e convênios com planos de saúde (11 meses). O gerente explica que muitos planos de saúde fazem o pagamento do médico juntamente com o pagamento do hospital, para que o valor devido ao médico seja repassado pela unidade de saúde. No entanto, por causa da situação financeira, as transferências que deveriam ser entregues aos médicos de imediato só são feitas “de tempos em tempos”. “Então, hoje temos uma dívida com eles em torno de R$310 mil, referente a convênios. A última vez que nós acertamos foi em setembro de 2016. A Santa Casa deve para todos os médicos do corpo clínico [aproximadamente 22] e para o laboratório, que também tem convênio recebido através da Santa Casa, assim como o tomógrafo”, informa e enfatiza: “Alguns médicos têm sido parceiros e não cobram os juros”.

Sobre os questionamentos da população em relação à contribuição dos médicos com a Santa Casa, Roberto Miranda destacou que além deles receberem pagamentos com atraso e muitos sem cobrarem juros, quando atendem a consultas no Hospital deixam uma parcela para a Santa Casa.

Dificuldade em contratar médicos para cumprir sobreaviso – Questionado se o número restrito de médicos da Santa Casa que aceitam ficar de sobreaviso dificulta o processo de transferência de pacientes do Hospital São José para a Santa Casa, ele respondeu: “O número restrito de médicos de sobreaviso é uma questão, porque realmente são poucos (três, quando seriam necessários no mínimo quatro). Cada um desses médicos tem que ficar 10 dias de sobreaviso. É uma situação delicada e o valor repassado a eles é muito baixo (R$400 reais – 24 horas)”, explicou e também enfatizou que a transferência de pacientes do Hospital Municipal São José para a Santa Casa não depende da administração da Santa Casa, mas sim, do atendimento médico e do acordo entre os médicos do São José e o médico que estiver de sobreaviso na Santa Casa. “É uma decisão que cabe aos médicos, que também decidem se o paciente deve ser transferido para a Santa Casa ou se entra na fila do SUS Fácil, para ser transferido para um hospital que possa atendê-lo, porque às vezes a situação não pode ser resolvida na Santa Casa de Arcos”. O gerente afirma que a administração da Santa Casa não dificulta essas transferências.

Demissões – Os salários dos demais funcionários da Santa Casa (exceto médicos) estão em dia desde junho. Devido às dívidas já citadas, recentemente houve oito demissões, numa tentativa de “colocar a casa em ordem”. O gerente informa que está sendo cobrado pelos Conselhos de Farmácia e Enfermagem, e também pelo Ministério do Trabalho, que orientam sobre a necessidade de aumento no número de funcionários. “Infelizmente, por causa da situação financeira, a Santa Casa está trabalhando em déficit com os funcionários”, afirma Roberto Miranda.

Redução de Gastos – A Santa Casa está com um projeto em andamento para a instalação de aquecedores solares, troca de iluminação e aparelhos elétricos de alto consumo. Foram instalados medidores de energia nos setores de Lavanderia e Usina de Oxigênio, para redução do consumo.  Também está sendo analisada a possibilidade de se instalar o gerador de energia fotovoltaica (energia solar).

 

Repasse de R$ 600 mil pelo poder público municipal

 

Com relação à subvenção repassada pela Prefeitura, o valor contratado para este ano foi 1 milhão e 200 mil. Seriam transferidos R$ 100 mil ao mês, até dezembro, mas a unidade precisou receber todo o valor nesse primeiro semestre.

Atualmente, a Receita da Santa Casa gira em torno de R$380 mil, o que pode variar a qualquer momento. O ideal, segundo o gerente, seria aumentar essa receita em torno de R$180 mil mensais.

Em entrevista concedida no dia 4 de agosto, Roberto Miranda relatou que foi feito um apelo ao poder público. Ele informou que se essa diferença do SUS não fosse suprida, a Santa Casa não suportaria mais que três meses. “Precisamos comprar medicamentos, material de limpeza, alimentação. É o custeio é que está quebrando os hospitais”, explicou.

No último dia 10, ele informou ao CCO que todos os vereadores concordaram em repassar, para o Executivo, os R$ 600 mil que o hospital precisa de imediato. A Prefeitura fará a transferência para a Santa Casa, com parcelamento mensal até o final do ano. O dinheiro resulta das economias feitas na Câmara Municipal. Também foi acertada a realização de um trabalho conjunto entre Executivo, Legislativo e população, para ajudar o hospital.