UNINTER

Menos de 7% dos resíduos recolhidos em Arcos são de materiais recicláveis

Publicada em: 23 de maio de 2020 às 08h00
Arcos
Meio Ambiente

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 09/05/2020) - Edição 2050

Quando se considera o montante diário de resíduos recolhidos em Arcos, atualmente, menos de 7% é constituído por material reciclável.  "Em 2019, o percentual foi um pouco acima de 5%. Em 2020 estamos com um valor superior a 6%.  Quanto maior for esse percentual melhor, porque mais lixo reciclável poderá ser aproveitado pela Associação dos Recicladores de Arcos (ARA), aumentando o seu rendimento com as vendas e a vida útil do aterro sanitário", diz o secretário municipal de Meio Ambiente e Agricultura, Robson Correia.

O fato é que muitos moradores de Arcos destinam lixo seco [reciclável] para a VINNA, que é a empresa contratada pela Prefeitura para coletar lixo úmido, em vez de disponibilizar para a ARA. Todos esses materiais recicláveis que a população destina para a VINNA, erroneamente, são aterrados junto com os resíduos úmidos. Ou seja, materiais que poderiam aumentar a renda dos recicladores de Arcos são enterrados e compactados, conforme manual de operação de aterros sanitários. Os recicladores não têm autorização para acesso à área de compactação de resíduos. Portanto, a única maneira de contribuir com a ARA é separar corretamente o lixo seco em sua casa e disponibilizar para a coleta no dia determinado em seu bairro. Além de aumentar a renda dos recicladores, você também estará contribuindo com o meio ambiente.

Na edição do CCO do último sábado, 9, foi publicada entrevista com a sócia-fundadora e presidente da ARA, Carla Vieira. Ela relatou que a população de Arcos não tem feito a separação do lixo reciclável corretamente.  Restos de comida, lixo de banheiro e até mesmo animais mortos, seringas, luvas e máscaras faciais estão sendo colocados junto ao lixo seco disponibilizado para os recicladores. Além de dificultar o trabalho deles durante a triagem, esses resíduos podem transmitir doenças aos recicladores, além dos riscos de ferimentos.

A ARA é constituída atualmente por 22 membros de 19 a 60 anos de idade. Eles se mantêm e mantêm suas famílias com os recursos resultantes da venda dos materiais recicláveis. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, são realizadas campanhas de conscientização com a distribuição de panfletos educativos, orientando a população a separar os lixos. Os panfletos são distribuídos com a ajuda dos recicladores.

 

Coleta de lixo hospitalar em Arcos

Diante dos questionamentos do Jornal CCO sobre como funciona a coleta de lixo hospitalar nos dois hospitais, nos 13 PSFs (Programas de Saúde da Família) e demais órgãos de saúde pública da cidade, assim como nos consultórios médicos e odontológicos e clínicas particulares, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que o serviço de coleta dos resíduos de serviços de saúde municipais ocorre normalmente e dentro da legislação ambiental. "Os resíduos são recolhidos, transportados e tratados pela empresa Ambientec Soluções em Resíduos, sediada em Iguatama, que possui contrato com o município. Essa empresa faz o recolhimento dos resíduos gerados nos seguintes locais: 13 PSFs, Fumusa, Vigilância Sanitária, CAPS, Zoonoses, Hospital São José e Samu/Bombeiros, além do Asilo Pousada dos Bertos, como uma forma de auxílio a essa instituição. É feita a incineração dos resíduos na empresa e o que resta é encaminhado para um aterro sanitário devidamente licenciado para receber esse tipo de resíduo. Não é destinado para o aterro de Arcos".

Quanto aos estabelecimentos particulares, a exemplo da Santa Casa de Arcos, consultórios médicos e odontológicos, funerária, clínicas de estética e de tatuagem, farmácias e laboratórios, em maio de 2019 a Assessoria de Comunicação da Prefeitura informou ao CCO que eles têm a obrigação legal de também contratar uma empresa para recolhimento, transporte e tratamento dos resíduos de serviços de saúde.

Nesta semana, perguntamos ao secretário municipal de Meio Ambiente, Robson Correia, se cabe ao Governo Municipal, por meio da Secretaria de Meio Ambiente ou Vigilância Sanitária, fiscalizar se essa obrigação está realmente sendo cumprida por esses estabelecimentos. O gestor da Pasta de Meio Ambiente respondeu que em 2019 foram realizadas reuniões com representantes das instituições privadas de saúde de Arcos e também com a Associação Comercial e Empresarial de Arcos e Câmara de Dirigentes Lojistas (ACE/CDL), para comunicá-los que a legislação ambiental prevê que cada serviço de saúde gerador de resíduos deve dar o destino adequado a esses resíduos. "Essa determinação já era conhecida por grande parte dos representantes das instituições privadas, que assumiram o compromisso de contratar uma empresa especializada e licenciada ambientalmente. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente não possui a atribuição de fiscalizar o cumprimento dessa ação, porém, existindo alguma denúncia poderemos realizar uma verificação em conjunto com os setores de Vigilância Sanitária e de Fiscalização de Posturas", informa.

 

Santa Casa - A enfermeira Sylmara Arruda, da Santa Casa de Arcos, informou ao CCO, na última quarta-feira, 13, que os resíduos gerados dentro do hospital são separados no momento da geração, sendo classificados como resíduos comuns, resíduos contaminados e resíduos perfurocortantes. As colaboradoras do setor da higienização recolhem os resíduos dos postos de enfermagem, quartos e demais setores do hospital, sendo separados de acordo com a sua classificação (sacos pretos para resíduos comuns, sacos brancos para resíduos contaminados, sacos vermelhos para desprezar bolsas de sangue e caixas de resíduos perfurocortante). Os resíduos comuns e contaminados são recolhidos duas vezes ao dia ou quando necessário (quando o recipiente está em 2/3 de sua capacidade) e são encaminhados para o abrigo externo que fica localizado em lugar estratégico, no antigo estacionamento, conforme autorizado pela Vigilância Sanitária. Esse abrigo externo é separado em três blocos (resíduos comuns, resíduos contaminados e resíduos recicláveis), onde são armazenados até o dia da coleta para destino final. Os resíduos contaminados, bem como os perfurocortantes, são recolhidos por uma empresa terceirizada, Ecosust, uma vez por semana, dando assim seu destino final, conforme legislação vigente. A cada quilo de lixo contaminado, a Santa Casa paga R$3,20 para que seja dada a destinação correta. A quantidade é variável, mas representa uma média de gasto para a Santa Casa no valor de R$2 mil por mês.  A enfermeira Symara Arruda também disse que a instituição conta com uma Comissão Ativa de Gerenciamento de Resíduos de Saúde, atendendo a todas as normas e legislações vigentes. Já os resíduos comuns (lixo úmido) são recolhidos pelo pessoal da Prefeitura (empresa terceirizada).

 

Lixo "tipo hospitalar" gerado nas residências deve ser encaminhado aos PSFs, que darão a destinação correta

O lixo 'tipo hospitalar' gerado em nossas casas - a exemplo de seringas, materiais de curativo, luvas, máscaras de proteção facial e medicamentos vencidos - NÃO PODE ser disponibilizado para coleta, nem junto ao lixo orgânico e nem junto ao lixo reciclável.  Segundo o secretário municipal Robson Correia, foi solicitado ao secretário municipal de Saúde que orientasse os agentes comunitários de saúde para pedirem à população que esses resíduos sejam encaminhados aos postos de saúde, que posteriormente darão sua destinação ambiental correta.

 

Lixo eletrônico

Em referência ao lixo eletrônico (celulares, carregadores, computadores, TVs e outros), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente informou que, anualmente, são realizadas campanhas para recebimento desse tipo de resíduos.  "Continuamos buscando outras parcerias, mas a própria ARA faz o recolhimento desse tipo de resíduo e repassa para uma empresa especializada que faz a destinação correta", informa o Secretário.

 

Óleo de cozinha

O Governo Municipal informa que está buscando parcerias para a destinação ambientalmente correta de óleo de cozinha. "Fomos procurados por uma instituição filantrópica para desenvolvermos uma ação nesse sentido, mas ainda não foi efetivada a sua realização".

 

Lixos de jardim e entulhos de grande porte

O Governo Municipal informa que o material gerado em limpeza de jardins em pequena quantidade pode ser descartado junto ao lixo orgânico em função de sua fácil decomposição, desde que embalados adequadamente e dispostos para recolhimento nos dias certos. Quando são grandes quantidades, deve ser solicitado o seu recolhimento junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (3359 7943). Para o recolhimento de entulhos de grande porte (a exemplo de móveis e sofás velhos), deve-se também solicitar o recolhimento junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, sendo esses materiais depositados em um local separado dentro da área do aterro sanitário.

 

Lixo Industrial

Não é realizada a coleta e o descarte de lixo industrial no Aterro Sanitário Municipal. No processo de licenciamento ambiental, cada indústria define quais são os resíduos gerados e qual o descarte correto para esses resíduos, sempre com a aprovação do órgão ambiental estadual. Cada tipo de resíduo industrial deve ter uma destinação específica.