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Moradora de Arcos tem conta de WhatsApp clonada por golpista

Como evitar esse tipo de golpe?Veja as orientações de especialista

Publicada em: 09 de outubro de 2019 às 17h11
Arcos
Moradora de Arcos tem conta de WhatsApp clonada por golpista

Professor universitário Fábio Oliveira

 

 

No dia 09 de setembro, uma moradora de Arcos que não quis ser identificada relatou ao Jornal e Portal CCO que foi surpreendida ao ver que sua conta de WhatsApp havia sido hackeada. Ela recebeu uma mensagem de um ‘amigo’ pedindo ajuda para instalar o aplicativo WhatsApp em um aparelho de celular novo. Essa pessoa queria que ela simplesmente recebesse um código de ativação no celular e enviasse para ele. Ela fez tudo conforme o ‘amigo’ pediu, mas o que ela não sabia era que havia outra pessoa se passando por esse amigo dela. “Na verdade, nesse momento não era o meu ‘amigo’ falando comigo. Era outra pessoa fazendo se passar por ele, pois o aplicativo dele também havia sido hackeado”, contou.

Após passar uma hora de sua conversa com esse “amigo”, outra pessoa ligou para ela dizendo que havia recebido em seu telefone uma mensagem dela, onde ela solicitava a realização de um depósito bancário. Foi quando ela percebeu que havia algo errado. Tentou entrar em seu aplicativo de WhatsApp, mas a conta já havia sido hackeada e ela perdeu todo o acesso. O hacker estava utilizando sua conta para enviar várias mensagens para os contatos dela, pedindo depósitos em dinheiro e pedindo ajuda para instalar o aplicativo e assim poder aplicar mais golpes.

Ela entrou em contato com a operadora de celular, com o suporte de WhatsApp e com a Delegacia de Polícia Civil em Arcos para registrar um Boletim de Ocorrência. Pelo suporte do WhatsApp, foi orientada a fazer uma verificação digitando um PIN de segurança, mas como sua conta foi hackeada, ela teve que esperar sete dias para que um novo PIN fosse liberado e assim ela conseguisse restaurar sua conta. Hoje ela já recuperou todo o acesso de sua conta.

A vítima disse ao CCO que ficou bastante assustada quando percebeu que as informações de sua conta estavam sob o poder de outra pessoa. “Infelizmente, todos estamos sujeitos a isso. Mesmo com a verificação em duas etapas que os aplicativos de hoje em dia oferecem, não há como ter certeza de estarmos seguros”, disse.

Segurança de dados

Para orientar nossos leitores sobre privacidade e segurança de dados em aplicativos e na Internet em geral, entrevistamos o professor universitário Fábio Martins de Oliveira, que leciona no curso de Sistemas de Informação na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), campus Betim. Ele disse que a cada dia as quadrilhas se especializam em aplicar golpes na rede mundial de computadores, surgindo novas ameaças frequentemente.

Questionado sobre as falhas de segurança desses aplicativos, ele explicou que a maioria das falhas é devido ao desconhecimento dos usuários. “A maioria das falhas de segurança estão relacionados à própria ingenuidade ou desconhecimento por parte dos usuários, que por muitas vezes fornecem informações pessoais, como números de documentos, dados bancários, senhas de acesso, entre outros”.

Nesses casos em que são solicitados alguns dados, Fábio Oliveira recomenda que não seja fornecido nenhum tipo de informação pessoal sem antes saber a real necessidade de fazê-lo e a confiabilidade daquele que está solicitando, seja um aplicativo no celular ou um site da Internet. “Você forneceria, por exemplo, seu CPF e os dados de seu cartão de crédito a um estranho? Pois bem, o mesmo comportamento deve ser mantido na Internet”, explicou.

 

Tipos comuns de golpes

Além do hackeamento do WhatsApp, Fábio Oliveira disse que atualmente existem vários tipos de golpes na Internet. Ele citou o “phishing”, um tipo de fraude que ocorre por meio do envio de spam (mensagem não solicitada), onde golpistas se passam pela comunicação de uma instituição conhecida, como banco, empresa ou site popular, induzindo o usuário a acessar páginas fraudulentas, projetadas para furtar dados pessoais e financeiros de usuários. Existem também mensagens que podem conter links para “malware” (programas maliciosos) que, ao serem instalados no computador, causam algum tipo de dano ou roubo de informações.

Para evitar esses tipos de golpes, além da importância de não passar informações pessoais para estranhos, Fábio Oliveira deu outras dicas importantes: “Sempre desconfie de mensagens de origem desconhecida e fique fora de correntes (pedidos para repassar mensagens) [...]. Não acesse links desconhecidos e não instale aplicativos sem antes saber a sua origem. Uma boa dica é pesquisar na Internet os comentários a respeito dele. O mesmo vale para compras na Internet. Prefira as lojas conhecidas e sempre desconfie de preços muito atrativos”. Outras sugestões: ter um bom antivírus no computador e o manter atualizado; jamais fornecer senhas de acesso a sites e aplicativos para outras pessoas; fazer cópia de segurança (backups) dos dados pessoais; ter muito cuidado ao levar um computador, notebook, tablet ou celular para a assistência técnica.

Ao fim da entrevista, também alertou sobre os cuidados que se deve ter nas redes sociais. “Muito cuidado com as publicações em redes sociais, pois elas deixam rastros da sua vida pessoal para os criminosos. Por exemplo, é muito comum as pessoas publicarem fotos quando estão viajando e isso é uma porta de entrada para o criminoso em sua casa”.

 

 

Fonte: Jornal CCO