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O Natal para os centenários Sr. Pedro Evangelista e Dona Isolina

Publicada em: 10 de janeiro de 2020 às 14h26
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso, no caderno especial de Natal, em 21/12/2019) - Edição 2032

Durante o ano de 2019, o Jornal Correio Centro Oeste fez várias entrevistas com pessoas conhecidas e queridas pela população de Arcos. Foram muitas histórias e lembranças, algumas acompanhadas de sorrisos, outras de um café e algumas de muita saudade, por aquilo que já viveram. Na última semana, entrevistamos novamente o Sr. Pedro Evangelista e Dona Isolina Inês. Eles falaram sobre o simbolismo no Natal.

 

 

 

 

“Minha mãe fazia pão de ló de polvilho, bolo de cará, biscoito escaldado na cera de banana, bolo de fubá de canjica. Não se falava em churrasco não, eram aqueles lombos cheios e tinha outras carnes como peru e leitoa” – Pedro Evangelista, aos 100 anos, relembrando o Natal em sua infância.

Pedro Evangelista é um senhor muito alegre, bem disposto e que, aos 100 anos, faz desenhos em belas molduras, vários tipos de biscoitos fritos e assados, vai à missa e gosta de viajar. “Eu gosto de fazer passeios, conhecer e fazer amizades; em todo lugar que eu vou eu faço um amigo”, disse, em entrevista ao Jornal CCO impresso do dia 12 de abril deste ano. Ele foi casado com Noêmia Teixeira Rodrigues (in memoriam), com quem teve nove filhos: João Evangelista Rodrigues, Afonso Luís Soares, Geralda Jonas Rodrigues, João Batista Rodrigues (in memoriam), Antônio Carlos Rodrigues, Geraldo Jonas Rodrigues (in memoriam), Aparecida Teixeira, Pedro Carlos Evangelista Júnior (in memoriam) e Tácita Rodrigues Resende. Também tem 13 netos e um bisneto.

Em entrevista recente, Sr. Pedro disse que no Natal de antigamente as crianças acreditavam mais no Papai Noel e que para os adultos era sinônimo de fé, reunião de família e festa. Ele conta que se reunia com sua família e toda a vizinhança para comemorar a data especial: “Chegava aquele dia e a gente passava cantando e brincando. Era aquela brincadeira animada que a gente gostava, era muito divertido... e a gente terminava o dia visitando os vizinhos e rezando e terço”.

Na noite do dia 24 para o dia 25, a mãe dele fazia a ceia. “Minha mãe fazia pão de ló de polvilho, bolo de cará, biscoito escaldado na cera de banana, bolo de fubá de canjica. Não se falava em churrasco não, eram aqueles lombos cheios e tinha outras carnes, como peru e leitoa”, relembra. Era realizada a ceia e em seguida eles iam cantar, fazia o amigo oculto e assim passavam a noite até o amanhecer.

Hoje em dia, para Sr. Pedro Evangelista, o Natal continua sendo sinônimo de casa cheia, de família reunida e de encontro com velhos amigos. Todos os anos ele recebe em sua casa toda sua família e é realizado um grande jantar que é sempre iniciado com suas orações. “O Natal é uma coisa muito religiosa, é quando se espera a passagem do Menino Jesus. Mas, para muitos, o Natal vira festa... vão pescar, vão para a fazenda e se lembram só da bebida e não se lembram que Nossa Senhora é mãe de um filho que veio para salvar a humanidade e para abençoar o universo inteiro”.

 

“[...] O Natal pra mim é algo de muito respeito, é muito bacana porque a gente reza e fica feliz” – Dona Isolina Inês

Dona Isolina, que também já foi entrevistada pelo Jornal CCO, é uma senhora que recebe a todos com um sorriso de satisfação e um olhar acolhedor. Aos 105 anos, ela ainda gosta de ajeitar a casa e aguar a horta, onde tem vários tipos de ervas e plantas e também pés de couve. É uma mulher de muita fé. Em sua casa ela tem um cantinho decorado com imagens de santos, quadros e fotos. Uma de suas paixões é o Congado: “Adoro! Amo o Congado! Sou devota de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. Eles todos me protegem”, disse.

Dona Isolina Inês nasceu em 26 de agosto de 1914. Foi casada com Francisco Teixeira da Mota (Chico Teixeira), que faleceu há aproximadamente 30 anos, tiveram três filhos: Maria Dirceu Teixeira, José Ataíde Teixeira e Antônio Avaíde Teixeira. Ela tem sete netos e um bisneto.

Ao perguntarmos sobre as comemorações de Natal, Dona Isolina contou que antigamente, assim que amanhecia, ela já colocava uma vela para queimar e juntamente com sua família, ia à missa de Natal. “Nós íamos à missa aqui em baixo. Minha família toda ia. Meus filhos iam comigo e o Chico meu marido também”, relembrou.

Dona Isolina gosta de enfeitar sua casa para o Natal: “Eu até hoje enfeito a casa para o Natal, coloco flores e água beta. O Natal pra mim é algo de muito respeito, é muito bacana porque a gente reza e fica feliz”. Ela também falou que nesta época gosta de rezar pelas pessoas menos favorecidas: “O Natal é muito importante, eu rezo pelas pessoas, porque eu sou pobre, mas tem pessoas bem mais pobres do que eu. Graças a Deus eu não passo falta igual tem gente que passa”, finalizou.