Zé Neca veterinária

Ozonioterapia pode ajudar no tratamento de mais de 200 doenças

Publicada em: 24 de novembro de 2021 às 08h34
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Saúde

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 13 de novembro de 2021) Edição 2128

Dr.ª Luiza Gonzaga, 39 anos, realiza, em média, 200 procedimentos por mês na clínica em que trabalha na cidade de São Paulo. Em geral, são pacientes buscando tratamento complementar após passarem por um procedimento estético ou terapêutico.

A ozonioterapia foi regulamentada e implementada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) como terapia integrativa e complementar pela Portaria Nº702 de 21 de março de 2018, do Ministério da Saúde. A Portaria diz que a terapia com Ozônio pode ser usada em diversos setores da saúde, “como a odontologia, a neurologia e a oncologia, dentre outras”.

O que é Ozônio?

“Quando falamos de Ozônio, logo pensamos nas camadas atmosféricas, mas aqui vamos enfatizar o Ozônio utilizado nos tratamentos”, disse a Dr.ª Luiza Gonzaga.

A médica explica que o Ozônio aplicado nos pacientes é produzido a partir de Oxigênio e eletricidade: “O Ozônio utilizado no tratamento é produzido de gás oxigênio puro (99% de pureza). Esse Oxigênio passa pela máquina de Ozônio e sofre uma descarga elétrica de 15 mil volts. Assim produzimos o Ozônio”.

O gás resultante do processo e utilizado na terapia é composto de aproximadamente 95% de Oxigênio e até 5% de Ozônio.

A ozonioterapia

São centenas de patologias (doenças) que podem ser tratadas com ozonioterapia, sempre de maneira complementar e/ou integrada ao tratamento médico convencional, se for o caso. “O Ozônio age como tratamento coadjuvante em mais de 200 patologias devido ao seu efeito imunomodulador, anti-inflamatório, bactericida, viruscida, fungicida e também age melhorando a glicemia e a circulação sanguínea”.

Ainda segundo a Dr.ª Luiza, “a ozonioterapia, como coadjuvante no tratamento do câncer, é sensacional, afinal, uma célula cancerígena cresce na ausência de Oxigênio e em ambiente ácido. O Ozônio aumenta a oxigenação das células; tudo que uma célula cancerígena não gosta”.

Um estudo realizado, em 2018, pela Escola de Medicina Stony Brook, Nova Iorque, mostrou a eficiência da recuperação de tecidos com a aplicação de Ozônio. O estudo apontou que, além de preservar a ação interna do sistema de defesa antioxidante, também contribui para seu aumento.

“O Ozônio aumenta a quantidade de Oxigênio nos tecidos e interrompe processos não saudáveis no corpo, como o crescimento de bactérias se houver uma infecção, ou impedindo alguns processos oxidativos. O gás estimula as células de defesa do nosso corpo e modula nosso sistema imunológico”, acrescenta a Dr.ª Luiza Gonzaga.

Uso em atletas

A aplicação de Ozônio em atletas de alto rendimento já é uma realidade. Devido a sua ação analgésica e anti-inflamatória, a ozonioterapia contribui na recuperação de lesões e na redução do desgaste físico, podendo ser aplicada como ação preventiva também.

Nomes relevantes do esporte mundial, como o tenista Rafael Nadal e o futebolista Cristiano Ronaldo, já declararam fazer uso da terapia com Ozônio para recuperação de lesões, fadiga muscular e dores.

A clínica em que trabalha a Dr.ª Luiza Gonzaga já recebeu um paciente ilustre. Trata-se de Charles “do Bronx”, lutador de MMA do maior evento do mundo, o Ultimate Fighting Championship (UFC). Charles foi à clínica dias antes de sua luta contra Michael Chandler pela disputa do título mundial da categoria peso-leve (até 70,3 Kg), na qual se sagrou campeão.

A Dr.ª Luiza explica que o aumento de oxigênio nas células do sangue contribui para a melhora de desempenho do atleta: “O Ozônio melhora a performance dos atletas levando mais oxigenação para todas as células, inclusive as musculares. Isso leva à produção de “super-hemácias”, que são as células responsáveis por carregar o oxigênio. Portanto, mais oxigênio para as células do corpo”, conclui.

Como é aplicado?

O gás Ozônio pode ser aplicado de diversas formas, dependendo da patologia a ser atacada. As maneiras mais comuns são a auto-hemoterapia, intramuscular e insuflações retais.

“Nós sempre associamos a via local com a via sistêmica. Um dos processos via sistema circulatório é chamado de auto-hemoterapia. Ele consiste na retirada de uma quantidade de sangue do paciente que é misturado com o gás e, posteriormente, aplicado de volta no paciente, no glúteo ou por meio da corrente sanguínea, dependendo da quantidade de sangue. A via retal também é uma via sistêmica de Ozônio e, conforme o Relatório de Madrid mostrou em 2020, a via vaginal também é sistêmica. Com as aplicações na via sistêmica, conseguimos atingir todas as patologias”, explica Dr.ª Luiza Gonzaga.

Outras técnicas utilizadas, em menor frequência, são a aplicação direta intravenosa ou intra-arterial, água ozonizada (comumente usada para lavar feridas e queimaduras), ensacamento de ozônio (o local é envolvido por um plástico e inflado com ozônio) e óleo ozonizado (também usado no tratamento de feridas na pele).