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RECORTES DO TEMPO - HISTÓRIAS DE ARCOS

Pedrinho Alexandre: uma ‘enciclopédia’ nos assuntos sobre redes de água potável, fluvial e de esgoto em Arcos

Publicada em: 24 de fevereiro de 2020 às 08h00
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

Pedro Rodrigues de Paula (Pedrinho Alexandre), 73 anos, é filho de Conceição Rodrigues Teixeira e Antônio Vicente de Paula (Antônio Alexandre) e neto de João Alexandre e “Dona Mariquinha”.

Cursou até o terceiro ano primário na escola estadual “Yolanda Jovino Vaz”. Quando o pai dele foi transferido para operar a “Usina Velha”, substituindo o Sr. José Vieira, que veio  trabalhar na distribuição da energia da cidade, ele teve que interromper  seus estudos. Na época, não havia escola naquela região e nem transporte escolar.

Foi casado duas vezes. No primeiro casamento, com Neusa Maria Ferreira, tiveram três filhas – Reginalda Aparecida de Paula, Janaína Maria de Paula, Júnia de Cássia Rodrigues – e adotaram uma: Lucineia Garcia. Tiveram cinco netos.

O segundo casamento foi com Iracy Rosa de Assis Rodrigues. O casal teve uma filha, Gabriela Assis Rodrigues.

Pedrinho Alexandre é considerado uma “enciclopédia” no Município de Arcos”, no que se refere ao conhecimento sobre as redes de água potável, fluvial e de esgoto. Trabalhou 55 anos na Prefeitura, tendo passado por várias administrações; recorda-se das realizações de cada prefeito. É um grande conhecedor das obras  que não são visíveis aos olhos da população, pelo fato de estarem “debaixo da terra”.

Iniciou seus trabalhos na Prefeitura em 1º de junho de 1962  e saiu em 11 de novembro de 2017, quando se aposentou. Trabalhou nas administrações dos seguintes prefeitos: Edgad Faria Gontijo, Olívio Guimarães de Faria, José Teixeira de Rezende, Paulo Marques de Oliveira, Plácido Ribeiro Vaz (três mandatos), Hilda Borges de Andrade (dois mandatos),  Lécio Rodrigues   de Souza, Claudenir José de Melo (seis anos), Roberto Alves da Silva (aproximadamente dois anos) e Denilson Francisco Teixeira (um ano).

Prestou vários serviços ao município. Foi servente de pedreiro, varredor de rua, ajudante de caminhão (quando aprendeu a dirigir com o Sr. Geraldo Peixoto), trabalhou durante 14 anos na operação dos poços artesianos na fazenda do Sr. Joaquim Nico e 15 anos como pedreiro. O último serviço foi a construção do coreto na praça Floriano Peixoto e também trabalhou como encarregado nos serviços de água e rede de esgoto.

Pedrinho Alexandre conta que a “usina velha” foi comprada pelo ex-prefeito João Vaz Sobrinho. Fornecia energia para Arcos (inclusive Calciolândia), Pains e Garça. Depois, Dr. João Vaz providenciou a construção da “usina nova”, com a chegada da CEMIG ao município de Arcos. A “usina nova” foi vendida para a Usina Luciânia, de Lagoa da Prata.  

O pai dele, Antônio Alexandre, prestou serviços na Prefeitura de Arcos ao longo de 37 anos, na manutenção de água, após trabalhar três anos na “usina velha”. Trabalhou nos serviços de água, nos poços artesianos na fazenda do “Sr. Joaquim Nico”, remanejando a  água que vinha do “Pica-Pau” e bombardeando juntas  para a caixa d’água, para abastecer a cidade. Era leitor dos hidrômetros de água e medidores de energia da Prefeitura. Morreu a caminho do trabalho, quando prestava serviços na barragem do “Córrego das Almas”.

 

Poço artesiano da avenida Dr. Moacir Dias tem 95 metros de profundidade

Em referência aos poços artesianos, Pedrinho Alexandre recorda-se da perfuração de três na fazenda do Sr.  Joaquim Nico, mas foi necessário o uso de apenas dois, suponho que o que tinha a maior vazão esteja soterrado debaixo do asfalto da avenida “Moacir Dias de Carvalho”. Ele diz que o poço que serve à população, localizado na mesma avenida, tem 95 metros de profundidade. Acompanhou a medição pela Copasa e conta que a máquina que perfurou os referidos poços ficou abandonada no meio do mato naquela região por muitos anos, tornando-se sucata.

 

Água “do Pica-pau”

Foi construída uma barragem pelo Tenente Florêncio Nunes, que trouxe água “por gravidade” até uma caixa d’água localizada às margens da ferrovia, local onde depois foi construído o “Lactário e a Padaria Municipais”. Era fornecida  à  Rede Ferroviária, para abastecimento da “Maria Fumaça”, que era movida a vapor, e a toda a comunidade do então “Arraial do Zarco”.

 

Esgoto jogado no Rio Arcos

Nosso entrevistado relata que todas as administrações do Município que ele acompanhou fizeram rede de esgoto, calçamento, colocaram postes de energia elétrica, reformaram (dentro da necessidade) as escolas da rede municipal, construíram salas, banheiros, pontilhões e mata-burros. “Hoje, o Município de Arcos encontra-se com 100% de água potável e rede de esgoto. O que está faltando é interligar as redes do trecho do “Beco do Juanico”,  márgem direita do rio  até o bairro Esperança I. Os esgotos dos bairros Niterói, Cruzeiro, Esperança I e Esperança II e outros da região norte ainda não estão sendo tratados, sendo jogados no Rio de Arcos”, diz Pedrinho Alexandre. Ele explica que é necessário fazer uma adutora para interligar na ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). “A água fluvial na parte central está pronta, mas precisam ser trabalhados determinados pontos (ruas), para evitar as erosões que danificam os calçamentos”, orienta.

 

Participação no clube “Renovação de Vida”

Pedrinho Alexandre e a esposa, Iracy Assis Rodrigues, foram presidentes do clube  da terceira idade “Renovação de Vida”. Ficaram  cinco anos à frente dessa entidade, da qual participaram 18 anos. Iraci, em sua gestão, trabalhou em prol da construção da sede da referida entidade, na avenida “João Vaz Sobrinho” nº 173, inaugurada em sua gestão (2013 a 2015). “Pedrinho diz que a melhor coisa de sua vida foi sua participação nessa entidade. Lá fez grandes amizades. Considero o clube uma família”.

 

 

Entrevista e redação: Dalvo Macedo/Edição: Jornal CCO.