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Placa de túmulo quebra em cima de caixão no cemitério municipal de Arcos

Publicada em: 04 de setembro de 2011 às 17h32
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Crédito: Cristiana Teixeira

Placa de túmulo quebra em cima de caixão no cemitério municipal de Arcos

Na sexta-feira, 02, a reportagem do CCO flagrou placas quebradas que estavam jogadas nos fundos do cemitério

O aposentado Mauro Faria, morador do bairro Novo São Judas, disse em entrevista à Rádio Cidade na última terça-feira, 30 de agosto, que durante o velório de seu pai a tampa que separa as gavetas do túmulo cedeu e "esfarinhou" quando ia ser colocada.
Confira o depoimento de Mauro à rádio Cidade, na manhã da última terça-feira, 30:

"No velório do meu pai, durante o sepultamento, na hora de descer o caixão foram colocar as tampas, só tinha um funcionário lá e meu filho resolveu ajudar. Na hora de colocar a segunda ou terceira tampa, quando foi colocar ela partiu no meio; nela partir, a gente pôde notar que tinha bambu, que eles colocaram bambu pra segurar a tampa. E a minha família ficou muito revoltada, meu pai tinha 86 anos. Então, estamos muito revoltados com essa situação. Quebrou em cima do caixão. Esfarinhou, talvez nem cimento não tem. Sou paraplégico e não pude chegar até o local, mas meus irmãos acompanharam; o funcionário queria deixar pra tampar depois, mas a gente pediu pra que fosse tampado na hora. O "Zé Neca" (vereador) estava no local, registrou com fotos, tudo direitinho, e a gente já falou com outros vereadores, um deles é o "Jamir Leiteiro". Disseram que vão levar o assunto pra frente.

Os vereadores disseram que iriam levar o caso até o prefeito. Estamos dependendo das atitudes dos vereadores, sou paraplégico e a minha situação é difícil, fica complicado. Quanto aos meus irmãos, eu não sei dizer se eles vão querer levar esse assunto pra frente de outra forma", concluiu.

Em entrevista à rádio Cidade, na manhã da última sexta-feira, Geraldo Faria (sobrinho do senhor que estava sendo sepultado no dia do incidente citado) disse que estava presente no Cemitério Municipal e presenciou o ocorrido. “Era bambu no lugar de ferragem, e além de tudo um cimento muito fraco. Ficamos muito tristes, e pensamos que o pobre nem na hora do sepultamento não pára de sofrer. Não tinha dois funcionários, uma pessoa teve que ajudar. Quando foram colocar a placa, ela partiu no meio e caiu em cima da urna; eu estava lá, eu presenciei. Eles só pegaram a placa, um de um lado e outro do outro, e a placa quebrou”, relata Geraldo Faria.

Representante da Construtora Turmalina se manifesta

O CCO procurou, na tarde de terça-feira, o responsável pela Construtora Turmalina, empresa que faz a manutenção do cemitério municipal, para esclarecer as informações. Segundo Sebastião das Graças Miranda, que trabalha no cemitério desde janeiro de 2009, o que houve foi um problema isolado, que a placa só quebrou porque “uma das pessoas que estavam no velório foi tentar ajudar e pisou no meio da placa fazendo com que ela quebrasse”, disse. Sebastião explicou a maneira correta de se pisar sobre as placas e disse que a pessoa que entrou dentro da cova não pisou no lugar seguro.

Quanto à informação de que teria sido colocado bambu nas placas, em vez de ferragens, Sebastião explicou que não deu ordens ao funcionário para que fizesse isso, porém não pode falar em nome dele que isso não ocorreu.

Sebastião apontou também vários outros problemas que existem no cemitério municipal. Segundo ele, com a corrosão, em função do tempo, várias tampas quebram e precisam ser trocadas. Existem valas com apenas duas gavetas, quando o correto seriam três; túmulos construídos sem respeitar a distância correta entre as fileiras; desrespeito por parte de algumas pessoas que levam imagens quebradas e “macumbas” para a porta do cemitério, dentre outros.

Governo Municipal rescinde contrato com Construtora Turmalina

Depois da entrevista feita com Sebastião Miranda, responsável pela Construtora Turmalina que fazia a manutenção do Cemitério Municipal, o CCO recebeu a informação - que foi confirmada com a publicação oficial da prefeitura em um jornal local - de que o contrato feito entre o Governo Municipal e a construtora Turmalina havia sido rescindido no último dia 30 (no mesmo dia em que Mauro Faria deu entrevista à rádio Cidade).

Sebastião veio até a Redação do CCO na tarde da última quinta-feira, 1º de setembro, e em entrevista disse que não foi informado sobre o motivo da rescisão, porém, tem a consciência limpa em relação ao seu trabalho e sabe que o acontecido no enterro citado acima não foi por culpa do trabalho dele. "Sei que não errei e que não tenho culpa no acontecido. As placas não foram feitas para aguentar alguém pular sobre elas. Porém, peço desculpas à família do senhor que estava sendo sepultado. Apesar da culpa não ter sido minha, sei que eles devem ter sofrido com a situação".

Sebastião também alegou ao CCO que o trabalho dele é feito da mesma maneira que sempre foi feito, até mesmo quando outras empresas eram responsáveis pela manutenção do local. "As placas são feitas o mais leve possível, para facilitar o manejo delas. Sempre foi assim. Não aguentam que uma pessoa pule em cima delas mesmo. Temos quatro profissionais treinados para trabalhar com isso e sabem que é preciso pisar nas beiradas do tumulo para não correr o risco", explicou.

Além das explicações, Sebastião fez também uma sugestão que, segundo ele, pode resolver os problemas do Cemitério Municipal. Na opinião dele, se a prefeitura doasse os terrenos para as famílias, fazendo com que cada uma ficasse responsável pelo seu terreno, os túmulos ficariam sempre bem cuidados, diminuindo alguns dos problemas enfrentados por quem faz a manutenção do local.

Governo Municipal alega que desconhecia as irregularidades no Cemitério Municipal

"A Prefeitura de Arcos não tinha conhecimento do fato, mas tão logo foi detectada esta irregularidade, o contrato foi rescindido." Esta informação foi dada ao CCO pela Assessoria de Comunicação do Governo Municipal, em resposta ao questionamento sobre a rescisão do contrato com a Construtora Turmalina.

Em nota enviada por e-mail, a Assessoria informa também que o motivo da rescisão foi o "descumprimento do contrato e a irregularidade encontrada na fabricação das tampas para cobrir ou sustentar as urnas".

Ainda de acordo com a nota, a atual Administração Municipal sempre se preocupou com a manutenção do Cemitério. “Desde janeiro de 2009, várias intervenções foram feitas no local para garantir a merecida dignidade e respeito com as pessoas ali sepultadas”, informa.
Quanto à falta de fiscalização nos serviços realizados pela empreiteira, para garantir a qualidade dos trabalhos realizados no cemitério, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura não se manifestou.