Santa Cassa

Plácido Ribeiro Vaz, ex-prefeito de Arcos por três gestões, segue a vida de empresário

Aos 68 anos, ele diz que sente saudades do pai e do contato com o povo, mas não voltará ao meio político

Publicada em: 10 de outubro de 2019 às 15h59
Arcos

Crédito: Jornal CCO

Plácido Ribeiro Vaz, ex-prefeito de Arcos por três gestões, segue a vida de empresário

Entrevista publicada na Edição 2019 do Jornal CCO Impresso – 21 de setembro de 2019

 

 

Prefeito de Arcos em três gestões alternadas, totalizando 14 anos no Executivo nas gestões 1983/1988, 1993/1996 e 2005/2008, Plácido Ribeiro Vaz está afastado do meio político desde o último mandato. Empresário no ramo de mineração e agronegócio, viaja ao Mato Grosso uma vez ao mês, onde tem uma fazenda e se dedica à criação de gado.

É arcoense, filho de Maria José Ribeiro Vaz(Dona Benzinha) e do médico João Vaz Sobrinho, que foi prefeito de Arcos por três ou quatro gestões – entre maio de 1939 a fevereiro de 1944, janeiro de 1948 a fevereiro de 1951, fevereiro de 1955 a janeiro de 1959. Dr. João faleceu em 1979.

Plácido e Regina Helena Melgaço Vaz têm três filhos: a arquiteta Simone Melgaço Vaz, o administrador Bruno Melgaço Vaz e o administrador Bernardo Melgaço Vaz. O casal tem duas netas.

Nosso entrevistado estudou na escola “Yolanda Jovino Vaz” e depois em Belo Horizonte, no Colégio Dom Silvério e no Colégio Militar da Pampulha, em um curso de quatro anos. Em seguida, graduou-se em Administração de Empresas na UNA, terminando o curso em Divinópolis.

Ao concluir os estudos, retornou para Arcos e sempre trabalhou no ramo de calcário, inicialmente em um forno de cal localizado na rua Capitão José Apolinário, que foi desativado. Há aproximadamente 40 anos, iniciou os investimentos na Mineração João Vaz Sobrinho, também em Arcos. Hoje, supervisiona os trabalhos e apoia os filhos.  Na Imobiliária Cazanga está Bernardo; na Lagos Indústria Química, onde têm uma participação, está Bruno; na Mineração, Bruno e o gerente Josafá Franco. Plácido também cuida dos negócios na fazenda do Mato Grosso, em Vila Rica. As outras propriedades rurais estão localizadas em Arcos, Iguatama, Formiga Pains. A Fazenda Cazanga, onde também se desenvolve o agronegócio, pertence à mãe e aos irmãos de Plácido.

O calcário é fornecido para vários estados, a exemplo de São Paulo, Goiás, Paraná, Pará, Tocantis e Rondônia.  Considerando apenas a Mineração João Vaz Sobrinho, são gerados 180 empregos diretos.

Além da rotina de trabalho, o que Plácido define como lazer, ele tem apreço pela leitura. “Leio de tudo, inclusive literatura. Atualmente estou lendo o livro O Físico, de Noah Gordon”.

 

26 anos de alternância entre as lideranças políticas “Plácido” e “Dona Hilda”

A primeira gestão de Plácido Vaz na Prefeitura de Arcos foi de fevereiro de 1983 a dezembro de 1988. A partir de então, houve uma alternância na liderança do Executivo municipal entre ele e Hilda Borges de Andrade, que o sucedeu no período de 1989 a 1992. Na gestão de 1993 a 1996 ele retornou à Prefeitura, em sua segunda gestão. Em 1997 teve início a segunda e última gestão de Dona Hilda (1997/2000). Em seguida, o engenheiro Lécio Rodrigues, apoiado por Plácido, foi eleito para a gestão 2001/2004. Em 2005, Plácido retornou para exercer sua terceira e última gestão, até 2008. Portanto, pode-se dizer que a “ala de Plácido” e a “ala de Dona Hilda” alternaram a gestão no Executivo Municipal de 1983 a 2008, ou seja, durante 26 anos.

Havia, de fato, uma rivalidade política naquele contexto, mas havia respeito e diplomacia. “Eu me relacionava melhor com Dr. Maurício Andrade (marido de Dona Hilda). Dona Hilda, como tínhamos sido adversários, ela conversava comigo, mas não era como Dr. Maurício. O relacionamento era um pouco diferente. Dr. Maurício sempre foi muito político, muito gentil, muito educado. Fomos adversários só na política”.  Plácido acredita que tinha algo em comum com Dona Hilda. “Eu entrei na política para servir ao meu Município e não para me servir dele. Acho que Dona Hilda, da mesma forma, também entrou para servir ao Município”.

 

As dificuldades, a maneira de governar, as principais obras

Ao longo dos 14 anos nos quais foi prefeito, Plácido Vaz precisou de apoio para gerir o Município, uma vez que a arrecadação era insuficiente. “Trabalhei bastante e tive apoio do governo do Estado. Em todas as gestões que passei, tive apoio de governador, de deputados – a exemplo de Felipe Neri, Alberto Pinto Coelho, Danilo de Castro e outros. Eles ajudaram Arcos com verbas para que pudéssemos iniciar ou concluir obras. Alberto Pinto Coelho e Danilo de Castro me ajudaram muito na construção da avenida sanitária (Avenida Dr. João Vaz Sobrinho)”.

Plácido argumenta que na administração pública não existe fase fácil. O segredo é “reter com mão de obra”: “Se você contrata muita gente, acaba o dinheiro do Município e você não faz nada”. Antes de ser prefeito, ele já era gestor e tentou gerir a Prefeitura como uma empresa. “Eu tentava, mas era muito difícil, porque na Prefeitura não se governa sozinho. Você governa com as pessoas, com os vereadores... Não é prefeito de um só, é prefeito de todos os eleitores e tem que haver respeito mútuo. A base de um governante é saber ouvir, dar atenção ao povo, isso é o básico de qualquer mandatário, em qualquer situação. Aquele que sabe ouvir, saber fazer”. 

Ao considerar suas três gestões, a obra da qual ele mais se orgulha é a construção da Casa de Cultura, principalmente da biblioteca. “Ela trouxe esperança para as pessoas que não tinham condições de estudar. Arcos foi uma cidade que se desenvolveu de poucos anos pra cá. Quando eu fui fazer a Casa de Cultura, houve um abaixo-assinado contrário a isso. Eu insisti, para proporcionar à juventude arcoense uma nova esperança, um novo local de estudo, uma biblioteca melhor, um teatro onde as crianças despertassem para o futuro”, relata Ele também cita a construção do Parque de Exposições, as melhorias no centro da cidade, a instalação de rede de esgoto. “Conseguimos uma verba a fundo perdido do Governo Federal. Fizemos 44 km de rede de esgoto, a exemplo do bairro Esplanada e Gameleira”. Outra iniciativa da qual se lembra é a eletrificação rural, que beneficiou as comunidades São Domingos, Santana, Sobradinho e principalmente os “Vermelhos”.

 

Do que o senhor se arrepende?Teria feito algo diferente?

 

Diante da pergunta: Quando faz uma autoavaliação de suas gestões, o senhor se arrepende de algo? Teria feito algo diferente?, ele responde: “Não podemos ficar estáticos. Temos sempre que pensar onde erramos e onde acertamos. Tive erros e acertos. Eu não gostaria de citar nem os erros e nem os acertos. Os erros não foram propositais, foram decorrentes de condições financeiras... de querer fazer mais alguma coisa, de querer mais por Arcos”.

Uma das obras que ele gostaria de ter feito é um parque ecológico dentro da cidade. “Eu gostaria de ter feito e não tive condições financeiras”.

 

Saudosismo

Plácido diz que sente saudades do pai dele e do contato com o povo. “Tenho muita saudade do meu pai e tenho saudade do povo. Eu não quero ser candidato, mas eu me sentia muito bem quando podia ajudar as pessoas”.  Sobre uma futura candidatura, afirma que não tem essa pretensão. “É uma decisão definitiva. Sempre tive muito respeito pelas pessoas e pelas classes menos favorecidas. Com isso, criou-se essa expectativa de que eu tenho que voltar. É só isso. É o respeito que eu sempre tive pelas pessoas que me dá o nome bom que eu tenho hoje. Não faço nada para me projetar. Sempre tentei ser discreto”.  

 

“Meu pai dizia: ‘Se você for alguém na vida, você tem que tirar um tempo para dedicar ao seu Município [...]’ “

Nosso entrevistado diz que foi moldado por duas pessoas: o pai dele e o avô da esposa, Alexandrino Garcia. “Meu pai era humano, simples, rígido quando tinha que ser, brincalhão quando podia e gostava de ler poesias para os filhos depois do jantar. Alexandrino Garcia era muito trabalhador. Era português e foi para Uberlândia. Eu acreditava muito no que ele falava sobre a importância do trabalho”. 

Plácido entrou na política seguindo as orientações do pai, que dizia: “Se você for alguém na vida, você tem que tirar um tempo para dedicar ao seu Município, porque é o Município que está te dando as coisas que você tem”. Ele diz que herdou do pai seu jeito discreto de ser. “Sou mais calado e já ganhei muito na vida por ter ficado calado muitas vezes”. Dr. João Vaz Sobrinho também é lembrado pela generosidade. Não cobrava consultas de quem não podia pagar.

Ao final da entrevista, Plácido Vaz comentou que está decepcionado com a política em nível nacional e lamenta os altos índices de desemprego. “Eu tenho vontade de ver o país crescendo, desenvolvendo. Gostaria que acabasse a pior praga que tem no mundo, que é o desemprego. Não tem nada mais triste do que a pessoa não ter emprego, não ter como manter os filhos. A fome é a coisa mais humilhante do mundo”.

Essa entrevista foi concedida ao Jornal e Portal CCO no dia 18 de setembro.

Fonte: Jornal CCO