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Pontos comerciais e moradias da avenida Governador Valadares em 1944

As lembranças são de José Maria Dias, Renato Calácio e José Cândido Filho (“José Graveteiro”)

Publicada em: 10 de julho de 2019 às 11h01
História de Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 06/07/2019) - Edição 2008

O comerciante aposentado José Maria Dias, 87 anos, nasceu e morou na zona rural, Boca da Mata, onde frequentou a escola até o terceiro ano. Como não havia o 4º ano lá na comunidade, ele cursou na escola “Yolanda Jovino Vaz”. Foi quando ficou sabendo os nomes de boa parte dos moradores da avenida e de outras ruas de Arcos.

“Eu andava cinco quilômetros a pé para chegar ao ‘Yolanda’ às 7 horas da manhã. Foi naquela época que fiquei sabendo um pouco dos nomes dos moradores da avenida Governador Valadares, onde moro desde 1960. Em 1944 (aos 12 anos de idade), fui vender laranjas da fazenda Joá, a pedido da Dona Miana do Chico Dias. Trabalhei 50 dias trazendo as laranjas em dois balaios grandes em cima da cangalha no lombo de um cavalo”, relembra.

Recentemente, num bate-papo com os amigos Renato Calácio (87 anos), filho de Jorge Calácio, que também foi comerciante, e José Cândido Filho (“José Graveteiro” – que tem 89 anos), eles relembraram os nomes que faltavam na lista, de todos os moradores e comerciantes da avenida no ano 1944. José Maria anotou tudo e mostrou à reportagem do Jornal e Portal CCO, para publicação no espaço Recortes do Tempo – Memórias de Arcos.  

São 45 imóveis, incluindo seis lotes vagos. É citada a antiga Estação da Rede Mineira de Viação; a “Pensão da Dona Olinda”, onde hoje é a funerária; a residência do Sr. Farides, onde hoje é uma Pastelaria; a casa do Sr. Salomão (pai do Chicre), onde hoje é o Novo Hotel; o prédio do Sr. João Raimundo, na esquina com a rua Donato Rocha, que ainda está lá; o Hotel da Dona Amélia Lopes, onde atualmente é o restaurante Gamb’s; a casa do Sr. Pedro Cuca, onde hoje é o hotel Solar dos Arcos; residência do Sr. Godofredo, onde hoje é a Sorveteria da Mônica; Armazém do Sr. Antônio Rodrigues, onde hoje é a Mercearia do Olívio; Oficina Mecânica do Sr. Venâncio (hoje Revista & Cia); Dentista Chico Lopes, onde hoje é o Banco do Brasil; Armazém do Sr. Jorge Calácio, onde hoje é a Floricultura Folhas e Flores, e vários outros.

No local próximo ao posto de combustíveis, conhecido como Triângulo, não existia nenhuma construção naquele ano. A área era usada como quadra de vôlei.

Nosso entrevistado, José Maria Dias, tornou-se comerciante na Boca da Mata, onde teve uma mercearia no período de 1952 a 1959.  No dia 24 de dezembro de 1959, mudou o comércio, Armazém São José, para a avenida Governador Valadares, esquina com rua Joaquim Murtinho, onde ainda é a propriedade da família. Depois de 35 anos, em 31 de dezembro de 1987, ele fechou o comércio e se aposentou. Atualmente funciona no local a Padaria Sabor dos Dias, da filha dele, Sandra.

José Maria é casado com Geralda Gontijo Dias, que está com 80 anos. Ela teve uma loja de perfumes com a filha Sônia, também no imóvel da família, na avenida Governador Valadares.

Os casal tem cinco filhos: Geraldo, Edgar, Sônia, Luiz Carlos e Sandra; oito netos e uma bisneta. José Maria conta que todos os filhos ajudavam na mercearia, que foi fechada quando José Sarney foi presidente do Brasil. “No governo Sarney, de manhã era um preço e no outro dia já era outro preço. Foi uma época difícil”, lembra, referindo-se à hiperinflação no período.

 

Renato Calácio

 

Os melhores presidentes do Brasil e os melhores prefeitos de Arcos, na opinião do entrevistado

Para José Maria Dias, os melhores presidentes do Brasil foram Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas. “Naquela época não tinha roubalheira. Depois que veio a ditadura também foi um regime rígido. Pelo menos não tinha greve e roubalheira”, comenta e diz que, em sua opinião, “o que acabou mesmo com a ordem no Brasil foram as drogas”. José Maria comenta que lê jornais diariamente, assiste aos noticiários da TV, e está sem esperanças quanto ao atual governo do país. “Eu nunca votei no Lula e nem na Dilma. Já tem duas eleições que eu não voto. Com essa idade, não precisa. O Bolsonaro parece que está muito vigiado, não tenho muita esperança, mas ele parece ser enérgico”.

Quanto aos prefeitos de Arcos, na opinião dele, os melhores foram Zé Vilela, Paulo Marques, José Rezende e Dona Hilda. Ele diz que antes de Paulo Marques, havia muita dificuldade de acesso aos serviços públicos de saúde. “Ainda hoje eu estava no Hospital São José e pensei... O pessoal de Arcos, se reclamar sobre atendimento à saúde, está reclamando de ‘barriga cheia’. Lá não paga nada. A Prefeitura também dá transporte para Belo Horizonte, Divinópolis, Santo Antônio do Monte. O pessoal aqui é bem servido nessa parte. Antigamente não tinha isso aqui em Arcos. Quem começou foi o Paulo Marques, com a Fumusa (Fundação Municipal de Saúde e Assistência de Arcos). Antes era bem mais difícil”, ressalta.

 

José Cândido Filho (“José Graveteiro”)

 

Lazer – José Maria já gostou bastante de uma pescaria. “Já pesquei em diversos lugares no Mato Grosso. Fui lá 22 vezes, de 1977 a 1999. A gente ia em turma grande. Chegamos a ir em boleia de caminhão”, conta, sorrindo. Há aproximadamente três anos ele parou de pescar. “Não estou tendo mais vontade. Já estou realizado com a pescaria”, comenta.

Aposentado há 31 anos, leva uma vida tranquila. Gosta de ler diariamente e jogar baralho uma vez por semana com os amigos Devair e Hélio, e o irmão Albertino Francisco Dias.

Bem informado, ele comenta: “O Brasil, de uns tempos pra cá, virou um caos. O pessoal só pensa em roubar. Os políticos são exemplo [de roubos]. A coisa está difícil. Esta confusão aí de Reforma da Previdência... vai toda vida e não resolve. Para melhorar para o Brasil, a gente acha que dá certo, mas tem muitos contra. A gente não sabe qual é o mais viável”.

Ao final da entrevista, ele deixou um conselho para os jovens: “Que aprendam a respeitar as pessoas”.