Vende-se Apartamento

Problemas de saúde mental aumentam em meio à pandemia de Covid-19

Segundo o médico psiquiatra João Batista, casos de hipocondríacos, ansiedade e transtorno obsessivo compulsivo estão aparecendo com frequência

Publicada em: 01 de julho de 2020 às 09h35
Arcos
Saúde
Entrevistas

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 27/06/2020) - Edição 2057

Com o início da pandemia de Covid-19, o medo de contrair o vírus foi algo que surgiu na vida de muitas pessoas, o que acabou afetando no aumento da ansiedade, da depressão e de outros problemas de saúde mental. De acordo com matéria publicada pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), no dia 14 de maio, o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas tem sido algo extremamente preocupante, o que torna necessário aumentar urgentemente o investimento em serviços de saúde mental, para evitar um crescimento maciço de condições de saúde mental nos próximos meses.

De acordo com a OPAS, relatórios já indicam um aumento nos sintomas de depressão e ansiedade em vários países. Para falar mais sobre o assunto de saúde mental e sobre o cenário na cidade de Arcos, o Jornal CCO entrevistou o médico psiquiatra João Batista, que atende na rede municipal de Arcos e em consultório particular.

Dr. João Batista comentou que atualmente tem se tornado mais frequente o aparecimento de novos casos de ansiedade, depressão, insônia, síndrome do pânico. Casos de pessoas que estavam estabilizadas e que tiveram alta também estão ressurgindo agora. Dr. João também disse que tem aumentado o número de pessoas hipocondríacas e com transtorno obsessivo compulsivo. "Nota-se uma elevação de casos tipo hipocondria (medo extremo de adoecer, bem além do esperado e que transtorna o dia-a-dia), transtorno fóbico - ansioso, transtorno obsessivo compulsivo - (alguém que já tem medo intenso de contaminação, lavagem exagerada das mãos, diante da pandemia)", explicou.

Segundo ele, a pandemia de Covid-19 e suas restrições de liberdade - isolamento de pessoas queridas que são importantes para o paciente - e suas implicações econômicas estão contribuindo muito para o aparecimento desses problemas de saúde mental.

 

Diagnóstico e tratamento

Nesses casos, Dr. João explicou que o diagnóstico é feito por meio de anamnese e exame do estado mental. Já os exames complementares são reservados para afastar problemas de saúde orgânicos, que podem gerar implicações de comportamento, sintomas psiquiátricos (causas neurológicas, metabólicas e endócrinas). Ele explicou que o tratamento é feito de acordo com as particularidades de cada paciente e de cada transtorno psíquico.

Perguntamos ao médico psiquiatra quais são as melhores formas de tratar esses pacientes. Segundo Dr. João, para o tratamento são realizadas intervenções medicamentosas, mas também existem outras medidas que ajudam. "Geralmente, os casos demandam intervenção medicamentosa desde o início, porque o sofrimento é fato e precisa ser aliviado ou curado", disse.  
Ele explicou que o uso dos medicamentos deve ser racional e para isso é necessário realizar um diagnóstico específico e diferenciado. Deve-se analisar entre as diversas causas dos sintomas do paciente, qual é a causa mais presente. "Por meio desses passos, é possível fazer uma prescrição mais delimitada, para haver uma menor chance de necessitar de associações. Se insônia estiver presente, usar um medicamento que além de tratar a doença em si, melhora o sono. Mesmo raciocínio se não estava alimentando bem; além de tratar, melhorar o apetite, como exemplo".

Dr. João comentou que medicamentos de receita branca não causam dependência. Já os ansiolíticos, benzodiazepínicos de receita azul, sempre que possível, devem ser usados por curtos períodos de tempo e de forma racional, pois eles causam dependência. Ele também ressaltou: "Importante lembrar que 85% das dependências de benzodiazepínicos já ocorriam antes que o psiquiatra fosse procurado".

Ao final da entrevista, Dr. João acrescentou que existem outras medidas que ajudam no tratamento de problemas de saúde mental, como: acompanhamento psicológico, medidas de higiene do sono, atividade física regular após avaliação clínica, cultivar a espiritualidade e momentos de relaxamento (yoga, meditação e ouvir música).

 

A entrevista com o médico Dr. João foi realizada via internet, por meio de aplicativo de mensagem.