Império Rural

Professora Zilabete já treinou ao lado das jogadoras Hortência e Paula

Publicada em: 22 de setembro de 2021 às 13h59
Arcos
Esporte

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 11 de setembro de 2021) Edição 2119

Zilabete Neves da Silva Marafelli, 63 anos, é natural de Campo Belo-MG. Veio para Arcos com o marido em 1983. Tem dois filhos: Ângelo (34), que é programador e Leonardo (29), auditor.

O marido, Sérgio Luís Marafelli, faleceu em 2012. Eles se conheceram por meio do esporte. "Ele era meu técnico. Eu não treinava basquete direto, mas sempre que precisava de alguém no time eu entrava. Ele me chamou para completar o time para um campeonato em Varginha-MG. Foi então que comecei a treinar e não parei mais", conta.

Apaixonada pela prática esportiva, começou a jogar aos 13 anos pelo Campo Belo Tênis Clube. Praticou um pouco de quase todos os esportes, mas foi no basquete que se destacou. "Eu gostava muito de esporte, então, tudo o que viesse pela frente eu fazia. Só não gostava de futebol. Mas o resto eu pratiquei quase tudo", comenta.
Participou de muitos campeonatos no interior de Minas, de jogos estudantis e coleciona vitórias. Já com 18 anos recebeu uma bolsa de estudos de seis meses de cursinho no Promove, para jogar pelo Olímpico Clube em Belo Horizonte-MG.

Zilabete comenta que ela e as colegas já tiveram que comprar os uniformes para jogar e fala sobre as diferenças entre sua época com os tempos atuais: "A gente jogava porque gostava. Hoje, quem se destaca tem muito patrocínio e vantagens. A única coisa que ganhei com o esporte foi esse cursinho. Hoje os jogadores têm mais apoio", ressalta.

Ela comenta que em um campeonato em Recife, jogou pelo time mineiro contra Hortência, um grande nome do basquete. Fala ainda que treinou por um mês em São Paulo ao lado dela e da jogadora Paula, quando foi chamada para a seleção do time brasileiro de basquete, mas foi dispensada.

A medalha de cestinha "tirada" de Hortência

Zilabete conta que no campeonato no Recife, São Paulo ficou em 1º lugar, Rio de Janeiro em segundo e seu time, Minas, ficou em terceiro. Ela fala que houve um baile em um clube onde a medalha de Cestinha foi entregue à Hortência. Questionada pelo técnico de São Paulo, ela não soube responder quantos pontos havia feito. Foi então que o seu massagista fez a contagem de pontos e constatou que a medalha, na verdade, era dela. "Eles não tinham computado os jogos do dia, apenas os jogos anteriores. Eu fiz mais pontos que a Hortência. Meu técnico e o massagista foram atrás. Pararam o baile, se desculparam e pediram que a Hortência passasse a medalha para mim. Essa é, de fato, uma história que não dá para esquecer", relata.

A profissão

Aposentada há seis anos, atuou como professora de Educação Física nas escolas estaduais Yolanda Jovino Vaz e Vila Boa Vista. Sua graduação foi na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Ela conta que enfrentou algumas dificuldades durante o período em que lecionava: "Eu gostava muito de dar aula. O único problema era que nas escolas onde trabalhei não tinha quadra. Os alunos pareciam estar em quartéis, só dava para fazer exercícios físicos. Além da 'queimada' em silêncio, não tinha como praticar nenhum esporte", explica.
A professora relata que na época foi feito um acordo por meio do qual os alunos da escola da Vila poderiam utilizar o campo da Vila para as aulas. "Era muito complicado. Quando estava muito quente, a gente precisava enfrentar o sol. Quando chovia, era preciso ficar na sala, por dois horários seguidos, sem fazer atividades".
Segundo ela, também havia os pontos positivos. "Depois que a quadra foi feita, ficou bem mais fácil e as aulas ficaram bem mais prazerosas para os alunos".

Zilabete coleciona as "memórias" em álbuns e quadros de medalhas, mas seus olhos brilham mais quando ela mostra o quadro de medalhas dos ex-alunos e as muitas fotos com os mesmos.

Ainda sobre a experiência como professora, Zilabete falou sobre a relação dos alunos com o esporte em geral: "Os que realmente gostavam participavam muito, mas os que não gostavam tinham muita resistência; talvez pelo fato de que os alunos voltavam para a sala de aula sem um banho após as aulas, já que as escolas não tinham um banheiro disponível para isso. Alguns ficavam com o bendito celular, principalmente as mocinhas", relembra.

A prática do esporte na infância e adolescência

Na opinião da professora, as crianças deveriam deixar os celulares de lado: "É raro uma criança que saiba brincar como antigamente. Essas crianças deveriam ser mais incentivadas. Seria importante que largassem o celular e videogame e se movimentassem. Na minha época eu brincava muito na rua. Mas hoje, quase todos os pais trabalham fora e também existe muita violência, é mais difícil deixar os filhos brincarem na rua", finaliza.

Se você, leitor, conhece algum arcoense que se destacou em qualquer esporte, envie-nos o contato pelo e-mail: portalcco@gmail.com ou ligue na Redação: (37) 3351-1946.