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Professores das escolas estaduais em Arcos repõem aulas após greve

Publicada em: 21 de agosto de 2017 às 08h29
Educação
Professores das escolas estaduais em Arcos repõem aulas após greve

Escola Vila Boa Vista –manhã do último sábado (19): alunos chegando para as aulas

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 19/08/2017) - Edição 1909

No dia 15 de março, os professores da rede estadual aderiram à Greve Geral Nacional da Educação e iniciaram os protestos contra a Proposta de Reforma da Previdência e pelo cumprimento da lei do Piso Salarial Nacional da classe.

Em algumas escolas, a greve estendeu-se até o dia 17 de abril, ficando 23 dias úteis sem aula. O retorno aconteceu após orientação em Assembleia Geral realizada em Belo Horizonte. Já em outras escolas os professores retornaram anteriormente, no dia 10.

No dia 9 de maio, a Secretaria de Educação publicou em seu site um Ofício Circular para garantir o direito dos estudantes ao efetivo cumprimento dos dias letivos e da carga horária prevista. O documento foi encaminhado às Superintendências Regionais de Ensino, orientando os diretores sobre a necessidade de reposição das aulas. De acordo com o documento, a reposição deveria ocorrer antes do início deste semestre, e a escola poderia utilizar os sábados e dias de recessos.

O Jornal CCO entrou em contato com a direção das seis escolas estaduais de Arcos, para saber se as aulas estão sendo devidamente repostas. Todas receberam os questionamentos, enviados por e-mail, com confirmação feita por telefone. Quatro se pronunciaram.

Na escola ‘José Geraldo de Melo’ a paralisação foi de apenas 10 dias e todas as aulas foram repostas em julho, segundo a diretora Geralda Silva. Na escola ‘Yolanda Jovino Vaz’ os professores ficaram 20 dias em greve. Nas demais escolas foram 22 dias letivos.

A diretora da escola ‘Maricota Pinto’, Meire Teixeira, afirmou ao CCO que todos os dias de paralisação serão repostos, o que já está acontecendo, com frequência regular entre 60 a 70%. Os alunos estão tendo a oportunidade de ampliar os conhecimentos por meio de simulados. A diretora também salientou que os estudantes deverão cumprir obrigatoriamente 200 dias letivos no ano, sendo exigida frequência de pelo menos 75% da carga horária prevista. Na escola ‘Yolanda’, segundo o diretor Hélio Borges, a reposição está sendo feita desde maio, aos sábados, e também houve uma semana de reposição em julho. “Graças ao excelente trabalho desenvolvido por nossa equipe pedagógica e a parceria com as famílias, não temos problemas com frequência escolar”, afirmou.

No CESEC - Centro de Educação Continuada ‘Monsenhor Geraldo Mendes Vasconcelos’, a diretora Chirlene Carvalho informou que “todos os dias de greve estão sendo repostos aos sábados e recessos e que a frequência dos alunos é significativa, como em dia de aula normal”.

A diretora da escola José Geraldo de Melo, Geralda Silva, também informou que os alunos estiveram presentes nos dias de reposição.

Os diretores das escolas ‘Vila Boa Vista’ e ‘Dona Berenice de Magalhães Pinto’ não responderam à mensagem do CCO e nem enviaram justificativas.

O professor Diogo Leão, que leciona na escola ‘Vila Boa Vista’, falou com a reportagem do CCO sobre os resultados da greve  (veja ao lado) e comentou que nessa unidade de ensino “todo o processo [de reposição das aulas] está sendo feito com muita seriedade”. Ele também disse que em vários sábados a frequência foi maior que em um dia de semana regular.

 

Conquistas obtidas pelos professores

 

Em um informativo publicado no site G1, em que é comparado o texto original e o texto proposto pelo relator da reforma da Previdência Social, Arthur Maia (PPS-BA), verifica-se que no texto original a idade mínima para aposentadoria dos professores seria de 65 anos, com contribuição mínima de 25 anos. Com a nova proposta, a idade mínima de aposentadoria começará aos 50 anos (mulheres) e aos 55 anos (homens) e aumentará 1 ano a cada 2 anos a partir de 2020, até que todos (homens e mulheres) se aposentem apenas ao atingirem 60 anos. O tempo mínimo de contribuição será de 30 anos para homens e de 25 anos para mulheres.

De acordo com divulgação do site do Sind UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais), já foram cumpridos alguns acordos com o Governo do Estado: “Reajuste de 13,06% em forma de abono pago a partir de junho de 2015, Reajuste de 8,21% em forma de abono pago a partir de agosto de 2016, Pagamento do Adicional de desempenho da educação básica (Adveb), para os servidores efetivos, calculado a partir do vencimento básico de cada servidor, no percentual de 5%, para quem completou 5 anos de efetivo exercício a partir de 2012 (a cada 5 anos, acréscimo de 5%). A Emenda Constitucional 95 foi aprovada autorizando o pagamento. O Sindicato cobrou o pagamento imediato e retroativo a janeiro de 2017”.

O professor Diogo Leão, que leciona filosofia na escola estadual “da Vila Boa Vista”, acredita que “o fato de a classe política tentar colocar nas costas do povo a dívida da corrupção” foi uma das principais motivações para que os professores se mobilizassem. “Os deputados e senadores não só não abrem mão de seus salários e regalias, mas também as aumentam. O máximo que vemos é algum discurso por aí, mas sem consequências práticas. Tal situação deixa a classe política desmoralizada. Eles não têm moral para falar de déficit nas contas da Previdência, antes de diminuírem drasticamente os próprios salários e benefícios”.

O professor também destaca que os manifestantes conseguiram adiar a aprovação da Reforma nas datas e formas como queriam. “Ainda está sendo discutida em Brasília e já houve muitas atualizações na proposta original”, conclui.