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Região Centro-Oeste tem casos suspeitos de contaminação pelo zika vírus

Publicada em: 14 de dezembro de 2015 às 13h51
Geral
Região Centro-Oeste tem casos suspeitos de contaminação pelo zika vírus

Geraldo Moura, Adalgisa Borges e integrantes do Comitê Municipal de Mobilização

A convite da Secretaria Municipal de Saúde e Vigilância em Saúde/Endemias, representantes de UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e lideranças comunitárias de Arcos participaram de uma reunião na tarde da última quarta-feira (9), que teve como sede o prédio da Câmara de Vereadores.

A finalidade do encontro foi criar o Comitê Municipal de Mobilização contra a dengue, chikungunya e zika víruse eleger a diretoria administrativa do mesmo, constituída por quatro integrantes, por determinação do Ministério da Saúde. Todos os convidados presentes tiveram a oportunidade de participar. Os quatro que se oferecem escolheram entre eles as funções que cada um ocuparia. Ficou assim definido: Alvanice de Almeida Dias (presidente) – rotaryana; Simone Thiago (vice-presidente) – agente de saúde da USB Brasília; José Donizete Barbosa (1º secretário) – trabalha na Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Integração Social com o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e é presidente da Associação de Moradores do Floresta; Ludmila Leal (2ª secretária) – agente comunitária de saúde da USB do Olaria.

O supervisor da Vigilância Epidemiológica em Arcos, Geraldo Moura, informou que o Comitê deverá se reunir pelo menos uma vez ao mês.“Nós queremos mostrar a evolução da doença, a evolução de infestação e trocar ideias para um enfrentamento eficaz. Que vocês sejam multiplicadores, não só nas áreas de atuação de cada, mas também no seu convívio social, no seu seio familiar. Que vocês estejam com as informações atualizadas para levarem no dia a dia essa questão de mobilizar, de tentar fazer com que toda a sociedade compreenda a gravidade que é essa situação e que compreendam o quanto é importante termos atitude pra tentar reverter essa situação”, enfatizou.

 

Casos suspeitos de zika vírus na região Centro-Oeste

Antes da instituição da diretoria do Comitê Municipal de Mobilização contra a dengue, chikungunya e zika vírus, Geraldo Moura falou sobre o cenário local em referência à dengue, que até o dia 2 já tinha 1.715 casos confirmados neste ano de 2015, do total de 2.059 notificações (casos suspeitos) até a mesma data.

Até a última sexta-feira, dia 11, ainda não havia registros oficiais de chikungunya e zika vírus em Arcos, mas Geraldo Moura alertou para relatos de casos suspeitos de zika vírus na região Centro-Oeste.  “Zika vírus, que antes as autoridades de saúde pública interpretaram como a mais branda das três doenças, está causando grande preocupação nas autoridades sanitárias. Vocês têm acompanhado o que está ocorrendo no Nordeste do país. Infelizmente, podemos dizer que não é só lá, já está chegando na região Sudeste a questão do zika vírus e a questão da microcefalia”. Ainda segundo Geraldo Moura, até a última quarta-feira, 9, de acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (MS), havia relatos de mais de 1.700 casos, com registros de 19 óbitos de recém-nascidos. “Infelizmente, nós temos, não oficialmente, mas há relatos de casos suspeitos na região Centro-Oeste. E infelizmente nós sabemos que nossa região Centro-Oeste, toda vez que acontecem determinadas epidemias relacionadas, nós infelizmente estamos presentes, principalmente nos municípios à nossa volta. Então, com esse objetivo nós criamos um Comitê de Mobilização Social”, ressaltou. Aindanão se sabe o número desses casos suspeitos de zika vírus na região Centro-Oeste e nem em qual cidade eles ocorrem. “Esta informação foi repassada pela regional de saúde de Divinópolis, que estava investigando casos na região Centro-Oeste. Não foi repassada a cidade”, informa a enfermeira Ângela Costa, responsável técnica pela Epidemiologia no município. Ela também diz que até o momento Arcos continua sem casos suspeitos de chikungunhia e zika vírus. “Segundo nota técnica em anexo, em Minas ainda não houve casos”.

O supervisor da Vigilância Epidemiológica enfatizou que o poder público, sozinho, não consegue vencer a luta contra as três doenças. “Precisamos fazer com que toda a sociedade esteja presente.Não conseguimos apenas com a Secretaria de Saúde, Secretaria de Obras, Meio Ambiente, ou seja, o poder público sozinho realmente não tem pernas, não consegue voar atrás desse mosquito. A cada ano que passa, ele ganha uma resistência, ele sofre mutações e tem uma adaptação muito rápida em várias situações”, explicou.

 

Situações favoráveis ao mosquito – Geraldo Moura fez uma observação importante. Moradores de bairros mais altos da cidade, que sofreram com a falta de água no período de estiagem, passaram a armazenar água. Quem fez esse armazenamento de forma inadequada acabou propiciando o aumento da população do mosquito Aedes aegypti (vetor), que transmite as três doenças citadas.

Outras situações favoráveis para a reprodução do vetor e que também são verificadas em Arcos são as seguintes: rápidas mudanças climáticas, desmatamento e migração populacional. “Temos aqui grandes indústrias que buscam mão de obra especializada fora do município. Chegam a todo instante, todos os anos, de vários estados. Vêm pessoas de regiões de grande infestação vetorial, de transmissão de várias doenças. Também temos uma BR-354 aqui, que corta a cidade e onde transitam pessoas de toda a parte do país. O Aedes aegypti pode vir através da BR, ele pode vir contaminado de uma determinada área. Pessoas contaminadas com o vírus circulam por essa BR. Então, a facilidade de introdução vetorial, a facilidade de introdução de vírus é muito grande”, explica Geraldo Moura.

 

Férias e Carnaval: período de risco – Outra preocupação do supervisor da Vigilância Epidemiológica, Geraldo Moura, é com relação aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Além de ser um período de chuvas, é época de férias e Carnaval, quando algumas pessoas podem viajar para lugares de grande infestação ou circulação viral. Por esse motivo, a prevenção nesta época do ano deve ser ainda mais intensa.

 

Ações realizadas em Arcos – Geraldo Moura informou que neste ano de 2015 a Vigilância Epidemiológica realizou 73.482 visitas domiciliares e em terrenos baldios; foram feitas 1.430 visitas em oficinas, borracharias, depósitos de sucatas (essas visitas são feitas de 15 em 15 dias, com tratamento químico); e mutirões de limpeza foram iniciados em setembro e encerrados na sexta-feira passada (04). “Nós conseguimos recolher 45 caminhões de lixo volumoso, ou seja, aproximadamente 300 toneladas de lixo. Esse é aquele lixo que fica exposto correndo risco de acúmulo de água e consequentemente desenvolvendo o mosquito Aedes aegypti. Então, foi um trabalho excelente, isso aí foi levado para um local seguro, nós evitamos que muitos mosquitos saíssem desses locais”, disse.

 

‘Prefiro tratar um infarto do miocárdio do que certos casos de dengue’, diz o médico Wellington Roque

O vice-prefeito Wellington Roque esteve presente à reunião. Na condição de médico, ele fez vários esclarecimentos sobre a dengue, a gravidade de certos casos e afirmou que prefere tratar um paciente que teve infarto do miocárdio a tratar certos casos de dengue. Em uma breve entrevista ao CCO após a explanação, ele explicou o porquê dessa preferência: “Pela imperfeição do quadro clínico [da dengue], porque o quadro clínico se manifesta em cada pessoa de uma forma. A dengue vai desde a forma assintomática até a forma grave. Ela não vem como um padrão, diagnóstico específico, e em cada pessoa ela pode ter uma reação do sistema imune, que é o exército que cada um tem, que combate as doenças, o sistema imune a esse vírus”.

Dr. Wellington Roque também enfatizou a importância da prevenção, principalmente dentro das moradias, onde estão as pessoas. Afinal, o mosquito gosta de ficar perto de onde tem alimento (sangue). Ele destacou que as medidas preventivas devem ser rotineiras.