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Retomada da obra de captação no rio Candonga

Publicada em: 01 de dezembro de 2021 às 08h42
Geral
Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 20 de novembro de 2021) Edição 2129

A Copasa informou ao CCO, no último dia 10, que um novo contrato para dar continuidade às obras da captação do rio Candonga, em Arcos, foi licitado e está em processo de homologação. “A previsão é de que as obras sejam retomadas ainda este ano, com prazo de conclusão em 12 meses a partir da data da assinatura da ordem de serviço. O investimento será na ordem de mais de R$ 2 milhões”. 

A Companhia esclarece que a empresa que estava realizando as obras encerrou o contrato devido à paralisação das intervenções que aguardavam liberação de área. 

Em 2017, ano marcado pela crise hídrica na cidade de Arcos, o então prefeito, Denilson Teixeira, realizou reuniões com representantes da Copasa, solicitando ações que resolvessem o problema. Em setembro de 2017, a Copasa anunciou um Plano de Ação com diversas medidas que seriam realizadas para sanar o problema. Uma dessas medidas foi a construção do sistema de captação de água no Rio Candonga em Arcos (investimento de 7 milhões, com a finalidade de aumentar em 50% a capacidade de abastecimento do município). Em maio de 2018, o superintendente de operações do Centro-Oeste da Copasa, João Martins, deu a ordem de serviço. Em novembro/2018 a obra foi iniciada. Porém, foi paralisada em maio de 2020, devido à inexistência de acordo com o proprietário do terreno que dá acesso ao lugar de captação de água no Rio Candonga, segundo João Martins. Com isso, a companhia estava aguardando a decisão judicial para liberação da área. Ele disse, na época, que com a captação no Rio Candonga em operação, a população não irá mais se preocupar com o desabastecimento.

 

Captações de água na bacia do Rio Candonga serão regularizadas

Na semana passada, o CCO divulgou Nota do IGAM (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) direcionada aos “Usuários de água superficial da Bacia Hidrográfica do Rio Candonga”, onde é relatado que “a Portaria IGAM nº 72, de 2020, estabeleceu para a bacia hidrográfica do Rio Candonga (desde a foz com o rio São Miguel), a Declaração de Área de Conflito – DAC nº 008/2020, em razão da demanda pelo uso da água superficial (aquelas coletadas/captadas em córregos, rios e açudes) ser superior ao limite outorgável”. “Também determinou que todas as captações de água na bacia serão regularizadas por meio de processo único de outorga (outorga coletiva)”.

Na Nota é informado que convocaram todos os usuários de água da Bacia Hidrográfica do Rio Candonga para manifestarem interesse em participar do procedimento administrativo de outorga. 

Na semana passada, a Assessoria de Comunicação da Copasa em Arcos confirmou ao CCO que já é usuária da bacia, já manifestou seu interesse de participar do procedimento administrativo de outorga e aguarda a decisão do processo. 

Também foi informado que a Companhia incluiu cinco pontos de captação na manifestação de interesse no processo de outorga coletiva: o Rio Candonga, o Córrego das Almas, o Vargem dos Britos, o ribeirão Santo Antônio e o barramento Parque Aquático (Rio São Miguel). 

O CCO perguntou se a proposta da Copasa – de fazer a captação de água no Rio Candonga – não seria prejudicial para os demais usuários do rio, devido ao risco de não haver disponibilidade de água para todos os usuários; e se foi realizada alguma pesquisa ou estudo para a escolha do Rio Candonga como fonte de água para Arcos.

A Companhia informou que seus técnicos realizam os levantamentos e as análises para implantação de captação em todos os mananciais que manifestam interesse, analisando a capacidade de produção de água e como será o impacto no sistema em que será inserido. “No caso dos mananciais em Arcos, foram feitos estudos preliminares e solicitada a outorga referente à capacidade de cada manancial”, explica a Assessoria.

 

Plano de Ação anunciado em 2017

 

No Plano de Ação anunciado pela Copasa em setembro de 2017, com diversas medidas que seriam realizadas para sanar o problema da crise hídrica na cidade, foram destacadas: implantação de sistema de abastecimento na Boca da Mata e Calciolândia; implantação de nova barragem de captação no Córrego das Almas; duplicação da adutora de água bruta; ampliação das redes de distribuição; instalação de novos boosters para levar água aos bairros mais distantes; implantação do Pró-Mananciais; ampliação das redes de distribuição; construção de novas ligações; perfuração de 16 novos poços.

O CCO perguntou, na última semana, se todas essas medidas foram concluídas.A Copasa informou que várias ações de preservação estão sendo feitas para reforçar o trabalho de abastecimento em Arcos. “Foram implantados 13 poços profundos na cidade, que são acionados em caso de desabastecimento emergencial. A Companhia também implantou, em 2017, o programa Pró Mananciais, que visa à preservação e a recuperação da bacia dos córregos das Almas e Vargem dos Britos. Foram investidos, entre 2017 e 2020, mais de R$ 315 mil em ações que contemplaram 32 propriedades rurais às margens dos córregos e rios que compõem as bacias”.

Dentre as atividades realizadas estão o cercamento de mais de 10 quilômetros de nascentes e margens dos mananciais e o plantio de mais de três mil mudas de árvores nativas para recuperação da mata ciliar. Também foram construídas 185 barraginhas, mais de 10 quilômetros de curvas de nível e feita a adequação de mais de um quilômetro de estradas vicinais, ações que ajudam na recuperação e no reabastecimento dos lençóis freáticos da bacia. Em 2022, o programa continuará, com previsão de mais atividades a serem executadas.