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Santa Casa de Arcos é beneficente, de acordo com o estatuto, mas só realiza pronto atendimento de graça quando há urgência

Em virtude da situação financeira, segundo o gerente, presta apenas o atendimento de internação pelo SUS, além de atendimentos particulares e por meio de planos de saúde

Publicada em: 30 de agosto de 2017 às 08h45
Saúde

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 26/08/2017) - Edição 1910

A Santa Casa de Arcos é uma Associação Civil de direito privado, “beneficente, caritativa e de assistência social, sem fins lucrativos”, conforme consta no Estatuto.

No entanto, em virtude da situação financeira, “está prestando apenas o atendimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”, além de atendimentos particulares e por meio de planos de saúde, segundo o gerente administrativo e financeiro Roberto Miranda.

Contudo, o gerente afirma que em casos excepcionais, o atendimento gratuito não é negado: “Nunca foi recusado atendimento [filantrópico/gratuito] a ninguém aqui, pelo menos não depois que estou na administração. Toda pessoa que chega, se é uma urgência, a pessoa é atendida. Se for questão que não é tão urgente, o paciente é mandado para o hospital São José, porque lá que é o pronto socorro”.

 

“A Santa Casa não tem Pronto Socorro de atendimento SUS” – Mesmo sendo filantrópica, o gerente explica que a Santa Casa não é obrigada a realizar o serviço de pronto socorro para pacientes do SUS. “A Santa Casa não tem Pronto Socorro de atendimento pelo SUS. O pronto socorro de atendimento SUS é feito pelo Hospital Municipal São José. A Santa Casa atende o SUS apenas com as internações”. O serviço de pronto socorro nessa unidade de saúde é prestado no caso de pacientes particulares ou que tenham plano de saúde.

Uma das dificuldades, segundo o gerente, é pelo fato de o hospital não ter uma entidade a ele vinculada, para cobrir as despesas, como acontece no asilo de Arcos, por exemplo, que é dirigido pela SSVP (Sociedade São Vicente de Paulo). “Então, a Santa Casa em si, sozinha, não pode ofertar nenhum atendimento além desse do SUS”, comenta, referindo-se a atendimentos sem custos para os pacientes.

Segundo Roberto Miranda, a Santa Casa tem pactuado [contratado] com o SUS o atendimento de 166 Autorizações para Internamento Hospitalar (AIHs) e recebe o valor de R$100.679,71 por mês. Porém, o SUS paga em torno de 42,72% dos custos desses atendimentos. O déficit é superior a R$134 mil todo mês. A unidade de saúde deve, em longo prazo (porque empréstimos bancários estão incluídos na dívida), cerca de R$2 milhões e 100 mil reais (R$ 2.100.000,00).

Ao considerar as internações pelo SUS, em maio foram feitas 213; em junho foram 177 e em julho, 212, segundo foi relatado ao CCO pelo gerente da unidade. De acordo com esses dados, o número mensal é maior do que o contratado com o SUS (166).

 

População ajuda a manter o hospital

A Receita da Santa Casa não é 100% proveniente de doações da população, mas a ajuda recebida por meio do serviço de telemarketing é muito importante, segundo o gerente. A unidade recebe aproximadamente R$ 9 mil mensais (bruto) e R$ 4 mil líquido, porque existem os custos com o serviço de telemarketing e coleta das doações. Na oportunidade, o gerente agradece e pede que a população continue ajudando, assim como o comércio, as indústrias e empresas em geral.

Durante a entrevista concedida ao CCO, Roberto Miranda destacou a importância do trabalho realizado pela AMA (Associação Mão Amiga) em benefício da Santa Casa. A associação é mantida por pessoas que fazem doações, além dos voluntários que prestam serviços. “São os anjos da guarda da Santa Casa. Neste mês doaram mais de R$10 mil em enxoval e também doaram apoios de banheiro. Tudo que se pede eles fazem um esforço e ajudam”, diz o gerente do hospital.

Outra fonte de Receita para a Santa Casa é a Prefeitura de Arcos, que contribui com uma subvenção anual.

 

Planos de Saúde dificultam atendimentos

A Santa Casa recebe uma parcela referente aos convênios com planos de saúde. No entanto, existem dificuldades. “Até os planos de saúde estão querendo trabalhar próximos ao atendimento SUS. É uma verdade que não vou esconder. Estão querendo que os hospitais arquem com boa parte dos atendimentos. Tanto é que qualquer probleminha eles glosam [rejeitam]. Coisas que podem ser resolvidas, muitas vezes temos que recorrer ao jurídico para solucionar; e às vezes o custo com esse jurídico fica alto”, relata o gerente da Santa Casa.

Em entrevista coletiva no dia 26 de julho, o secretário executivo do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste (CIS-URG), José Zanardi, comentou que a maioria dos hospitais filantrópicos, que também atendem aos planos de saúde, são sustentados normalmente pelos Municípios e não pelos planos de saúde. “Na verdade, os planos de saúde deveriam ter seus hospitais ou colocar recursos nos hospitais filantrópicos para que eles pudessem dar atendimento também a quem tem plano de saúde. Acaba que a porta é a mesma, mas quem sustenta normalmente são os poderes públicos municipais”, avaliou.