Vende-se Apartamento

Sargento Marcolino conta histórias da época em que estava na ativa em Arcos

Com exceção de “Lança-Perfume” e “Loló”, na década de 1970 não se tinha notícia do uso de drogas em Arcos

Publicada em: 06 de fevereiro de 2020 às 16h48
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 01/02/2020) - Edição 2037

José Marcolino Filho (Sargento Marcolino), 80 anos, é natural de Bom Destino, município de Santos Dumond, Zona da Mata mineira. Mora em Arcos desde 1977. É casado com Consuelita Marques Marcolino, de 71 anos, e tiveram os filhos: Edlene, que é professora; Edilberto, estoquista e Edneia (falecida).  Ele também é pai de Neusa, que é comerciante.

Marcolino ingressou na Polícia Militar em setembro de 1963, em Bom Despacho, no 7º Batalhão, tendo iniciado a carreira em Campos Altos, onde permaneceu por 12 anos. Em 1977, foi transferido para Arcos. Aqui permaneceu e se aposentou em 1992, como 3º Sargento. Ele conta que no final da década de 1970, Arcos era uma cidade bem tranquila no que se refere à criminalidade e violência. “As ocorrências policiais geralmente eram relacionadas a discussões entre bêbados, em bares e casas de prostituição”, relata.

Praticamente não havia registros relacionados ao uso e tráfico de drogas. Sargento Marcolino conta que, naquela época, a única droga usada na cidade era “Lança-Perfume” ou “Loló”. Geralmente usavam no Arcos Clube, onde a Polícia Militar não tinha acesso. “Era gente rica que usava, porque era caro e difícil conseguir”. Ele diz que maconha, cocaína e outras drogas não circulavam na cidade.

“Na época do Regime Militar havia mais respeito. As pessoas tinham mais receio. Sabiam que não podiam descumprir as leis. As pessoas tinham medo e respeito pelos policiais e a criminalidade era bem menor”

No início do Regime Militar, em 1964, Marcolino Filho ainda estava em Bom Despacho. Ele se lembra que a partir de 1977, quando estava em Arcos, ocorreram prisões de cidadãos arcoenses que foram considerados “subversivos”. “Era fácil descobrir os elementos que estavam contra as leis, os chamados subversivos. Eu me lembro que em Arcos foi preso um cidadão por esse motivo. Eu não participei da prisão, mas colegas da corporação participaram.  Não só ele, mas houve outras prisões pelo mesmo motivo”, comenta. Essas prisões, que foram motivadas por críticas ao sistema, duraram pouco tempo.

Sobre o período do regime (1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985), Sargento Marcolino comenta: “Fui educado para respeitar as pessoas mais velhas ou quem quer que seja. Sabíamos respeitar. Com os novos tempos, está virando uma miscelânea, onde “A” e “B” acham que têm direito e não sabem respeitar o direito do outro. Isso nós estamos vendo todos os dias. Com toda certeza, na época do Regime Militar havia mais respeito. As pessoas tinham mais receio. Sabiam que não podiam descumprir as leis. As pessoas tinham medo e respeito pelos policiais e a criminalidade era bem menor”. Ao comparar a época do regime com o período de redemocratização do país, ele diz: “O Regime Militar, assim como o período democrático, tem pontos positivos e negativos”. 

 

Guarda Mirim

Uma das conquistas do Sargento Marcolino para Arcos foi trabalhar pela implantação da Guarda Mirim, na década de 1980. Ele conheceu o serviço em São Paulo, falou com o seu comandante na época e ficou responsável pelo projeto, que nas mãos dele foi efetivado ao longo de três anos. O policial ensinava as regras de trânsito aos meninos e meninas que iriam desempenhar o serviço. Sargento Marcolino acredita que se houvesse uma Guarda Mirim em Arcos, atualmente, implantando o estacionamento rotativo, o problema de estacionamento no centro da cidade seria resolvido.