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Sociedade São Vicente de Paulo em Arcos celebra, hoje, 100 anos de existência

Publicada em: 24 de junho de 2017 às 07h00
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Sociedade São Vicente de Paulo em Arcos celebra, hoje, 100 anos de existência

Notícia sobre os 25 anos da SSVP em Arcos, no Jornal A Voz de Arcos, de 30 de junho de 1942

A Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) – organização civil de leigos, dedicada ao trabalho de caridade – foi fundada em 1833, na França. Em Arcos, existe há exatos cem anos, desde o dia 24 de junho de 1917. A emancipação do Município, que pertencia a Formiga, só aconteceria mais de 20 anos depois, em 17 de dezembro de 1938.
Curiosamente, em 1915 já circulava um jornal em Arcos: “O Implicante”; e em 1916, “O Echo”, conforme consta no livro História de Arcos, de Lázaro Barreto. Em 1920 [aproximadamente três anos após a fundação da SSVP], as atividades econômicas que existiam no Município eram as seguintes: curtume (tratamento do couro de animais), engenhos de aguardente e rapadura, caieira, moinho e engenho de serra.

 

Notícias de 1942 – Jornal A Voz de Arcos

O CCO teve acesso aos arquivos do professor aposentado Janer José de Faria, 72 anos, que é um entusiasta da história de Arcos. Em virtude da dedicação desse arcoense em arquivar cópias de jornais, manuscritos e textos datilografados, é possível apresentar aos nossos leitores um pouco da história da SSVP em Arcos.
O Jornal A Voz de Arcos, de 30 de junho de 1942, trazia o seguinte título na 1ª página: Comemorou o seu 25º ano de fundação, a Sociedade de São Vicente de Paulo em Arcos”. Veja uma síntese da notícia, da forma que foi publicada, com o estilo do jornalismo da época: “Foi na tarde de 24 de junho de 1917, que um bom número de católicos praticantes, sob a presidência do então vigário desta freguesia, o saudoso Padre Pedro M. Lambert, reuniu-se para a fundação da aludida Conferência de Nossa Senhora do Carmo, e cujos nomes são os seguintes: Senhores: Djalma Nogueira, Francisco Gabriel de Andrade, Horácio de Oliveira e Souza, Manuel Arthur de Castilho, Miguel Lambert, Antônio Gonçalves de Oliveira, Joaquim Agapito dos Santos, Alexandre de Faria Arantes, Francisco Gonçalves de Oliveira, Álvaro Ferreira Guimarães e Cipriano Moreira, aspirante [...]. Oremos, pois, meus caros vicentinos, por esses nossos saudosos co-irmãos que tantos sacrifícios fizeram por nós, e reconheçamos os grandes benefícios que nos proporcionaram com seus belos exemplos, com seus ensinamentos edificantes! E, muito especialmente, peçamos ao Criador saúde, paz e força para um dos nossos consórcios [voluntários], cujo nome não nos é permitido declarar qual. Durante um quarto de século [primeiros 25 anos da SSVP em Arcos], tanto lutou pelo desenvolvimento de nossa associação”.
Em texto datilografado, que também consta nos arquivos de Janer Faria, são descritas doações feitas à SSVP. Monsenhor Geraldo Mendes de Vasconcelos doou dois lotes com área total de 720 m² na Vila Calcita, em 18 de março de 1985; José Pires Gontijo e a esposa Ieda Raimundo Gontijo Pires doaram sete lotes com área total de 2.611,5 m² no bairro Bom Retiro [próximo ao atual bairro São Vicente], em 28 de março de 1979; a “Fábrica da matriz da Paróquia de Arcos” doou um terreno com área de 60 mil m², no “Brejo Alegre” [atual bairro São Vicente], em 8 de novembro de 1946; Geraldo Berto e a sua esposa Cleide Therezinha Berto doaram o prédio de dois pavimentos e 72 cômodos  [asilo “Pousada dos Berto”] para acolher pessoas carentes, em 5 de julho de 1980, na rua Salomão Assad, bairro São Vicente; Benta Rosa Martins doou uma casa na rua Capitão José Apolinário. O asilo foi fundado em 27 de maio de 1988, numa área construída de 1.440 m², sob administração da SSPV. 

 

Vila Vicentina - Edição do jornal A Voz de Arcos, de 15 de abril de 1944, trazia notícia sobre a Vila Vicentina, que era localizada no bairro São Vicente [na época chamado “Brejo”], pouco abaixo da Pousada dos Berto. Na matéria, é informado sobre a aquisição, pela Sociedade Vicentina local, de um terreno de seis hectares, situado no lugar denominado “Brejo”, que era parte integrante do patrimônio da paróquia. “Doou-lhe S. Excia. Revmo. D. Manuel Nunes Coelho, Bispo Diocesano, quando de sua última passagem por aqui [...]. Só Deus poderá recompensar como merece o ilustre dignitário, essa alma piedosa e santa voltada unicamente ao bem, à caridade e à fé, pelo imenso favor que vem de fazer à pobreza de Arcos. Desse modo, muito breve dar-se-á começo a essa obra benemérita de proteção aos necessitados [...]”. No início do texto é relatado que, na época, havia “centenas de mendigos” em Arcos.
Em um manuscrito que também está nos arquivos de Janer Faria, é informado que grande parte do terreno foi vendida em lotes a preços bem populares e doados àqueles que não podiam pagar.

 

Contexto nacional em 1917: poder de compra dos brasileiros estava prejudicado  

Em julho de 1917, mês seguinte à criação da SSVP em Arcos, mais de 50 mil trabalhadores na capital paulista e nos municípios próximos fizeram a primeira greve geral do país, de acordo com informações que constam no atlas da Fundação Getúlio Vargas. O poder de compra dos brasileiros estava prejudicado. “O movimento foi a reação operária a um período de intensificação do horário de trabalho, de subida repentina dos preços e estagnação dos salários: ou seja, de uma fortíssima piora do poder de compra e das condições de trabalho”, consta no site. Em 2017 o Brasil era presidido pelo mineiro Wenceslau Braz (1914-1918).  Também é importante ressaltar que naquele período acontecia a 1ª Guerra Mundial [1914-1918]. 
O CCO publicará outras matérias, nas próximas edições, sobre os trabalhos realizados atualmente pela SSVP.

 

Pesquisa e Redação: Jornalista Rita Miranda.