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Sr. João, aos 90 anos, curte a vida com saúde e tranquilidade

Publicada em: 15 de maio de 2019 às 10h04
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 10/05/2019) - Edição 2000

Descontraído e sempre sorrindo. É assim que João Teixeira de Sousa curte seus 90 anos e vive os seus dias de descanso com a família. Ele é arcoense e um cruzeirense apaixonado: “Eu gosto de futebol. Eu fico assistindo diariamente. Eu torço para o cruzeiro, todo jogo que tem eu vejo”, contou, em entrevista ao Jornal CCO.

Sr. João foi casado com Maria Teixeira de Sousa (in memoriam). Hoje, ele mora com sua única filha, Maria Isabel Teixeira, e com suas duas netas. Nasceu e foi criado na comunidade rural da Barra do Melo, localizada no município de Arcos. Começou a trabalhar na área rural aos 7 anos, capinando, roçando, cuidando de criação, arando a terra e plantado. “Naquela época tudo era muito difícil, tudo era feito na mão. Nós não tínhamos trator e nem ferramenta. Arava na mão e com os bois. Aprendi tudo com meu pai, foi ele quem nos ensinou”, contou. Sr. João. Boa parte de sua vida foi na roça. Ele e sua família vinham para a cidade apenas nos dias de festividade, normalmente na Semana Santa. Eles arrumavam uma casa aqui na cidade, vinham e ficavam por uma semana, e quando terminavam as celebrações eles voltavam para a Barra do Melo. Depois de muitos anos, já estando casado e tendo sua filha, veio morar na cidade, mas ainda assim continuou trabalhando na roça. Parou de trabalhar já estava com 76 anos.

 

Vida aos 90 anos

Hoje, aos 90 anos, Sr. João tem uma boa saúde. Toma apenas remédio para pressão, mantém o hábito de leitura e faz todas suas atividades diárias sozinho. Na alimentação, disse que come bem, na medida em que se deve alimentar, e disse que não come fora do horário. Ele apenas se permite extrapolar um pouco quando tem churrasco, dando assim preferência para uma carne mais gorda. Sr. João também comentou que por já ter trabalhado muito durante sua vida, hoje ele gosta de descansar um pouco mais: “Eu levantei cedo a vida inteira, então hoje eu já levanto é mais tarde”, comentou, dando risadas.

Ele disse que não imaginava chegar aos 90 anos. “Foi Deus que me ajudou a chegar aos 90 anos, porque eu já operei quatro vezes, eu já tomei injeções bravas. Então, se estou aí é graças a Deus. A gente sabe o dia de hoje, mas não sabe o dia de amanhã. Deus é quem sabe”, disse.

 

Cruzeirense apaixonado

Questionado sobre o que mais gosta, disse sem pensar duas vezes: “Eu gosto de futebol”. Sr. João é um grande torcedor do cruzeiro, sua paixão pelo time vem desde cedo. Ele conta que antigamente o entusiasmo era um pouco menor, porque não tinha televisão para poder assistir aos jogos. Hoje ele não perde a transmissão de nenhuma partida. “Quando eu adoeci e fiquei no hospital, toda hora eu tinha que ficar mandando ligar a televisão da parede”, disse, rindo. Ele também gosta de se assentar de fora de casa para conversar um pouco e gosta de ir à missa sempre que possível.

 

“O mundo de hoje com o do meu tempo é muito diferente. Eu falo que o mundo hoje está revirado. Mudou muita coisa”. – Sr. João Teixeira

Questionado sobre os seus pensamentos a respeito da vida, ao chegar aos 90 anos, Sr. João disse que hoje vê que a vida e o mundo são bem diferentes do que era em sua época de juventude. Para ele, a educação escolar de hoje é bem melhor que a de antigamente, porém, a educação familiar está bem pior. “A educação familiar parece que está acabando. A gente liga essa televisão e a gente fica até descrente, porque é só notícia de que filho matou o pai ou pai que matou o filho. No meu modo de pensar, acho que hoje está tudo fora de lei”.

Para Sr. João, muitas coisas de sua época eram bem melhores do que hoje, principalmente em relação ao respeito com o próximo. “Os mais novos hoje não olham mais para os velhos; quando olham, fazem pouco caso. Hoje, para mim, acabou o respeito, acabou a humanidade”. Sr. João comentou que antigamente as pessoas eram mais unidas e não se preocupavam tanto com o dinheiro como se preocupam hoje.

Ao final da entrevista, ele disse que é muito grato por chegar aos 90 anos e por ter uma família que cuida muito bem dele: “Não sei nem agradecer a Deus o que elas fazem por mim. Eu até acho que não mereço”.