Zé Neca veterinária

Suicídio: é preciso falar sobre o tema

Ignorar assuntos relacionados à saúde mental ou não tratá-la não diminui o risco de problemas relacionados à mesma

Publicada em: 21 de setembro de 2021 às 08h19
Saúde

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 11 de setembro de 2021) Edição 2119

Suicídio é um desses temas que, segundo a psicóloga Lucielen Silva, precisa ser debatido: "É importante promover discussões sobre o tema [suicídio], principalmente nas escolas. Infelizmente, vemos um crescente número de suicídio entre os jovens e também crianças. É importante atentar aos pais quanto aos sinais de alerta e estimular o diálogo na família. A campanha é no mês de setembro, mas a pauta deve ser tratada o ano todo", ressalta.

Divulgação

Casos de autoextermínio não são muito divulgados. Além de se pensar no respeito à vítima e também aos familiares, a não divulgação se baseia no risco de que essas notícias possam acabar incentivando outras pessoas a fazerem o mesmo.

Drª Lucielen comenta sobre esse receio e descreve o objetivo da campanha "Setembro Amarelo": "Geralmente, a mídia não divulga muito sobre casos de suicídio porque realmente acaba estimulando outras pessoas a cometerem suicídio também".

No Brasil, desde 2015 acontece a campanha 'Setembro Amarelo' para tratar o suicídio na perspectiva da prevenção. A psicóloga comenta que, neste mês, as ações na área de saúde são voltadas para divulgar a importância de cuidar da saúde mental. Também é importante enfatizar que qualquer pessoa pode precisar de ajuda para enfrentar determinadas situações da vida. "Também trabalhamos a empatia. Acolher quem está em sofrimento sem julgamento e direcionar a pessoa para uma avaliação com especialista é sempre o melhor caminho", explica.

Sinais de alerta

Segundo a psicóloga, nem sempre a pessoa que comete suicídio dá sinais de que pretende fazê-lo, mas existem comportamentos que devem servir como alerta: "A grande maioria dá sinais, mas isso não é regra. Há alguns sinais que são importantes de se observar: Tristeza excessiva, isolamento social, a pessoa deixa de fazer coisas que antes eram prazerosas, variações bruscas de humor, calma após um longo episódio de depressão, tentativa de reconciliação com quem está próximo, fixação pela ideia de fazer um testamento, a pessoa começa a doar seus bens repentinamente - geralmente este ponto é mais observado em idosos", destaca.

Fatores que podem contribuir para que
a pessoa cometa autoextermínio
Alguns fatores podem contribuir para essa atitude de desespero: "o estresse social, desemprego e dificuldades financeiras (estes geralmente são fatores que mais estimulam homens a cometerem suicídio, vale ressaltar), problemas de relacionamento, traumas como abusos sexuais, abuso de álcool e drogas (muito comum nos casos de suicídio entre jovens principalmente; a cocaína é uma das drogas que mais causa suicídio), baixa autoestima, sofrimento em relação à orientação sexual, dificuldade de enfrentar problemas, doenças e dores crônicas (Como HIV e tratamento de câncer), acontecimentos destrutivos, como guerras e grandes conflitos", informa a psicóloga.
Ela salienta que algumas doenças também estão relacionadas a esse ato. "A depressão, esquizofrenia e abuso de álcool e drogas são algumas das doenças relacionadas", diz.

Prevenção

Drª Lucielen salienta que a pessoa que está passando por sofrimento deve pedir ajuda. "É possível prevenir. É importante buscar ajuda, falar sobre seus sentimentos. É importante que família e amigos acolham essa pessoa sem julgamentos, tenham empatia, demonstrem apoio e direcionem a pessoa para uma avaliação com psicólogo ou psiquiatra. Precisamos quebrar o tabu de que psicólogo e psiquiatra são para loucos. Na verdade, todos nós temos questões a serem tratadas e ninguém é obrigado a ser forte o tempo todo. Falar é sempre a melhor opção", ressalta.

A psicóloga finalizou deixando uma importante mensagem aos leitores: "Se você se identificou em algum sintoma relacionado neste texto, busque ajuda especializada. Em Arcos existe atendimento psicológico gratuito nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). É importante também que todos os lugares promovam espaços de fala sobre depressão, como escolas, empresas, igrejas. É importante que tenhamos empatia e respeito ao próximo. Para todos os problemas temos solução, exceto a morte. E na vida tudo é passageiro. A alegria passa, mas a tristeza também. A vida é feita de momentos; aproveite os bons e utilize os ruins para crescimento! Sobre o suicídio, falar ainda é a melhor opção", conclui.

Na próxima edição, daremos sequência ao tema Saúde Mental.