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Troca de partido e pouca informação marcam um cenário político confuso em Arcos

Segundo analista político, interesse pessoal seria um dos motivos para troca de partido

Publicada em: 16 de maio de 2016 às 16h30
Política
Troca de partido e pouca informação marcam um cenário político confuso em Arcos

Analista político Fernando Faria

 (Matéria publicada pelo Jornal CCO em 15-05-2016)

 

Com a finalidade de elucidar os caminhos trilhados pela política municipal, o Jornal CCO procurou informações referentes às campanhas políticas realizadas em 2012, quando 13 vereadores foram eleitos para o exercício 2013/2016. O objetivo da matéria é mostrar ao pretenso candidato que os caminhos não são tão simples quanto parecem.

 

Na última campanha, concorreram 174 candidatos ao posto no Legislativo, sendo que menos de 10% deles ocuparam as cadeiras, e alguns outros suplentes. Sendo assim, por que tantos candidatos? Esperança de mudança? Mas será que todos os candidatos sabem como são feitos os cálculos de coeficientes para se tornarem eleitos?

 

 

Em quais partidos estão hoje os candidatos eleitos e os suplentes em 2016?

 

Cinco deles estão hoje no PSB, sendo: Eduardo Carvalho Faria, Gustavo Tadeu Campos, Geraldo Cláudio Rodrigues, Moacir Alves Rosa e Vinícius Jair Machado. Três estão no PR: João Ribeiro Pedrozo, Maria Aparecida Alves e Sebastião de Oliveira Cardoso (suplente). Restam: Wirlei de Castro Alves (PHS), Jamir Soares dos Reis (PMDB), Halph Carvalho de Oliveira (PROS), Márcio Junio Roque (PRTB), José Agenor da Silva (PDT), Geraldo Rodrigues Teixeira (PT), e os demais suplentes Eduardo da Cunha Campos (PV), Paulo Domingos da Silva (DEM), Maria Marlene Rodrigues de Sousa (PSL) e Hugo Romano Teixeira do Vale (PTN).

 

Na campanha de 2012, o partido com maior quantidade de candidatos eleitos foi o PR, que conseguiu eleger três dos seus 24 candidatos. Em seguida estão os partidos com dois eleitos, PHS e PRTB, ambos com 14 candidatos, e PRP com 19 candidatos. Por fim, os partidos que conseguiram eleger um candidato, que são PV e PSB – ambos com nove candidatos – PSC com 11 e PT com 12.

 

Os partidos que não conseguiram eleger nenhum candidato são: PSOL e PMN, ambos com sete candidatos; PTN com nove; PSL com cinco; PDT com quatro; DEM e PPL, ambos com três; PRB, PSDB, PTB e PTC com dois cada; PP e PSD com um candidato cada; e, por último, o PMDB (que não lançou nenhum candidato).

 

No total compareceram 25.548 eleitores, onde 22.393 votos foram nominais, ou seja, no candidato; 1.636 votos de legenda, 951 votos em branco, 841 votos nulos, totalizando 23.756 votos válidos nas eleições de 2012, não havendo pendências.

 

 

Análise Política por Fernando Faria

 

O Jornal CCO procurou o professor Fernando Faria, que em Arcos é um analista político, por ter conhecimento prático no assunto.  Nossa finalidade foi buscar esclarecimentos sobre o cenário político atual no Município, tais como: mudanças de partido, candidaturas e concorrências internas e externas.

 

Sobre a mudança de partido por parte de candidatos e vereadores eleitos, Fernando Faria ressaltou que a maior parte dos candidatos sai dos seus partidos por interesse pessoal. Segundo o analista, o ato de um vereador já eleito trocar de partido acontece porque o mesmo vê em outro partido a possibilidade de reeleição, por meio das análises de composição partidária. “O candidato ou vereador analisa as pessoas que compõem determinado partido e sua importância na política. Assim, vislumbrando um horizonte mais promissor, acontece a mudança”, completou Fernando Faria.

 

 

Concorrência interna e externa

 

Fernando Faria explica que, mesmo com a troca de partido, pode ser que o planejamento do candidato não tenha êxito, porque, ao migrar para outros partidos, pode acontecer um agrupamento de candidatos fortes em um único partido, e uns acabarem atrapalhando os outros, como por exemplo, em um partido composto por cinco candidatos fortes onde dois ou três deles são eleitos e os outros ficam fora da disputa. “A disputa acaba sendo entre eles mesmos, no mesmo partido. Já os mais fracos serão sufocados pelos mais fortes sempre”,completou o analista.

 

Mesmo com esse risco, Fernando Faria afirma que é melhor migrar para um partido forte do que para um fraco, pois sob uma legenda forte ou por meio das coligações, as chances aumentam devido ao coeficiente eleitoral.

 

 

Inexperiência Política

 

Questionado sobre a frequente presença de candidatos que não têm tanta chance de vitória e mesmo assim arriscam, o analista destacou que isso acontece devido à falta de conhecimento político por parte do pretenso candidato no momento da filiação. “Alguns se filiam, mas não sabem do que se trata a política. Não têm conhecimento. Acabam se iludindo e filiando-se a partidos para concorrer com candidatos muito mais fortes”,afirmou.

 

Fernando Faria disse que outro erro de alguns candidatos é pensar que, mesmo que sem chance de vitória, poderão receber algum benefício da Administração, caso a mesma esteja do seu lado. “Em município, isso não acontece. O candidato entra, perde e acabou, vai para o esquecimento”, opinou.

 

Segundo Fernando Faria, alguns políticos eleitos até se interessam por eventuais candidatos que tenham votação expressiva, mas apenas para que esses apoiem suas campanhas ou lhes sirvam como bons cabos eleitorais.

 

O analista Fernando Faria finalizou afirmando que nos dias de hoje, na política atual, qualquer candidato deve ter personalidade. “O candidato deve ser o que é de verdade”, completou.