Vende-se Apartamento

Uma obra para acolher crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos

Sede própria do Centro de Acolhimento Institucional “Ana Lúcia Rodrigues Costa” deverá ser concluída ainda este ano

Publicada em: 10 de fevereiro de 2020 às 15h46
Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 08/02/2020) - Edição 2038

Em um ato simbólico, na manhã da última quinta-feira, 6, o prefeito Denilson Teixeira plantou uma muda de Ipê no terreno situado na rua Caneto Viêira, bairro Lourdes, ao lado do Quartel da Polícia Militar, onde já foi iniciada a construção da sede própria para o Centro de Acolhimento Institucional “Ana Lúcia Rodrigues Costa”.

O Centro foi criado há aproximadamente 10 anos e, desde então, funciona em casas alugadas. Atualmente, são duas unidades: uma na avenida João Vaz Sobrinho - Trecho 1 (para meninos) e outra na rua Augusto Lara, com dois pavimentos (o primeiro comporta crianças de 0 a 12 anos e o segundo abriga adolescentes femininas). Atualmente, são atendidas 15 crianças e adolescentes de Arcos e Pains.

A obra – um local pensado e planejado para recebê-los – está sendo construída com recursos próprios do Município, resultantes de economias e contenção de gastos. O secretário municipal de Desenvolvimento e Integração Social, Otávio Miranda, destacou a importância do apoio de vereadores, por meio de emendas impositivas indicadas para a construção. “Sensibilizados com essa causa, os vereadores Marcelo Estevam, Cidinha da Sociedade Vencer, Jamir Reis e Geraldo Adriano indicaram 50% das suas emendas; os vereadores Caim e Huguinho indicaram 30%”.

O evento marcou apenas o início de um projeto que integra cinco unidades. O primeiro bloco já está em construção. Otávio Miranda disse que a obra será entregue ainda neste ano, uma vez que o prefeito já destinou, no orçamento, todos os recursos necessários.

O prefeito Denilson Teixeira  agradeceu pelo apoio dos vereadores e dos segmentos que fazem parte da rede de proteção às crianças, especialmente a promotora Juliana Vieira, pelo amor que ela demonstra pelas causas das crianças e adolescentes. “O nome da senhora já está marcado na história do nosso Município. Agradeço em nome do povo de Arcos”. Também agradeceu à juíza Juliana Goulart, dizendo que ela não mede esforços no sentido de trabalhar e regimentar forças do poder Judiciário para todas as causas e sonhos do Município”.

Ao final do seu discurso, salientou que seu desejo é que as crianças e os adolescentes acolhidos, que são vítimas, possam sair do Centro de Acolhimento como pessoas de referência em Arcos, que voltem para a sociedade esquecendo o passado, perdoando as pessoas que lhes fizeram mal e que Deus possa abençoá-los.

 

Instituição não é para abrigar menores infratores

A promotora de Justiça Juliana Vieira lamentou algumas críticas isoladas que têm sido feitas em redes sociais. “Tenho visto algumas manifestações em redes sociais, resistentes à construção do centro nessa localidade. Eu quero crer que essa resistência é decorrente da falta de informação. O Centro de Acolhimento nada mais é do que um lar para que crianças e adolescentes em situação de risco, ou seja, vítimas, possam ser recebidos pelo Município, por toda a sociedade, para que a gente volte a garantir os direitos dessas crianças e adolescentes. Não se trata de Centro de Internação para Menor Infrator; são crianças e adolescentes vítimas, não são infratores”, explicou.

 

“O Centro de Acolhimento é tão bacana, que é um lugar onde levo os meus filhos” – Drª Juliana Goulart, juíza de Direito em Arcos.

A juíza Juliana Goulart enfatizou que a sociedade tem o dever legal e moral de tratar as crianças e adolescentes com respeito e com o mínimo de estrutura que a lei prevê. “Essas crianças que estão nos centros de acolhimento (atualmente duas casas alugadas e adaptadas) são vítimas, não são menores infratores, não são menores em desacordo com a lei, elas são acolhidas para que tenham um crescimento digno”. Em seguida, disse que o bairro Lourdes foi escolhido estrategicamente, porque os acolhidos não podem ser abrigados em bairros afastados ou onde há alta criminalidade, para que não sejam expostos a situações ainda de maior risco do que o local de onde foram retirados. “O Centro de Acolhimento é tão bacana, que é um lugar onde levo os meus filhos, para ensiná-los sobre a importância de ajudar. Eles brincam com as crianças e doam brinquedos”, salientou a juíza.

 

“O primeiro sentimento de lar que realmente vão ter ...” – Capitão Bittencourt – Polícia Militar

O comandante da Polícia Militar em Arcos e outras cidades da região, Capitão Bittencourt, disse que por diversas vezes presenciou crianças e adolescentes acolhidos em situações muito difíceis. “Como eu comando seis cidades, quem dera que as outras cidades tivessem um Centro de Acolhimento assim. O trabalho das funcionárias do Centro de acolhimento é fantástico. As crianças, em pouco tempo, se sentem em casa. O primeiro sentimento de lar que realmente vão ter é quando vão ser acolhidas, diante de tantas situações difíceis que elas passam no dia a dia”.

Ao finalizar seu pronunciamento, disse que a Polícia Militar irá se comprometer com a segurança do Centro, acompanhando 24 horas com o videomonitoramento.

 

Campanha iniciada em 2019

Em 2019, a coordenadora do Centro de Acolhimento, Nayara Fabiana e a promotora Juliana Amaral lançaram uma campanha para que a sociedade colaborasse na construção da sede própria do Centro de Acolhimento. Segundo Nayara, a promotora foi a maior incentivadora. “Ela é uma inspiração para nós”, disse. Na ocasião, foi realizada uma reunião na Casa de Cultura, com as presenças de representantes de diversos segmentos da sociedade. Nayara disse que o apoio da Administração Municipal surgiu desde o início.