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Uso de drogas lícitas e ilícitas e tentativas de suicídio entre jovens em Arcos

“Os números são elevados para o município”, alerta o enfermeiro Carlos Eduardo, coordenador do CAPS

Publicada em: 31 de julho de 2017 às 08h51
Arcos
Uso de drogas lícitas e ilícitas e tentativas de suicídio entre jovens em Arcos

imagem ilustrativa

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 01/07/2017) - Edição 1902

 

Em questões sociais e governamentais, assuntos que envolvem jovens e adolescentes têm se tornado preocupantes em função do aumento do consumo de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, assim como tentativas e práticas de suicídio nessa faixa etária.

Em Arcos, esses números também estão se tornando preocupantes, segundo o enfermeiro Carlos Eduardo e Silva, coordenador do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Ele diz que os registros feitos na instituição, referentes a jovens que consomem bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, assim como relatos de tentativas e ideação ao autoextermínio, “realmente são elevados para o município”.

Veja dados recolhidos pelo CAPS em Arcos, de 200 triagens feitas por meio de formulário padronizado que é anexado no prontuário dos pacientes que foram assistidos no acolhimento:  

· Homens e mulheres entre 12 a 29 anos: 7 consomem bebida alcoólica, 8 consomem drogas, 9 bebem e usam drogas, 8 tentaram suicídio e 7 possuem ideação suicida.

· Homens e mulheres entre 30 a 49 anos: 9 consomem bebidas  alcoólicas, 1 consome drogas, 5 bebem e também consomem droga, 7 tentaram suicídio e 3 possuem ideação suicida.

· Homens e mulheres entre 50 a 60 anos: 2 consomem bebidas alcoólicas, 5 tentaram suicídio e 2 possuem ideação suicida.

Os dados foram apurados no período de 02 de janeiro a 6 de junho de 2017. Não foram apresentados números referentes a anos anteriores, para comparação, mas os profissionais consideram os índices elevados para o Município.

Em análise, a faixa etária de 12 a 29 anos é a que possui maior quantidade de pessoas que consomem álcool e drogas e relataram tentativas e ideações suicidas.

Nota-se também que a maior quantidade de envolvidos com droga e bebidas é referente aos homens. Já as tentativas e ideações suicidas são mais frequentes em mulheres. Em dados apresentados, enquanto 23 homens consomem bebidas alcoólicas e drogas, o número de mulheres é 18. Na tentativa e ideação ao suicídio, enquanto o número de homens é 7, o de mulheres é 25.

Na avaliação de Carlos Eduardo, os números são altos para o município. Ele relata que esses acontecimentos são provenientes, muitas das vezes, de conflitos familiares, trabalho, stress, conflitos relacionados à sexualidade e relações afetivas, além de vários fatores de acordo com a realidade vivida por cada indivíduo.

A psicóloga Elane Franco do Nascimento, que também trabalha no CAPS em Arcos, diz que o mais preocupante nesses dados é que a cada dia aumenta o número de jovens e adolescentes nas situações citadas. A profissional também explica que as famílias são orientadas, mas nem sempre conseguem ajudar o paciente: “A família é orientada, porém, muitas vezes essa família também está doente e apresenta dificuldade de ajudar o paciente”.


Pessoas nas situações citadas precisam de ajuda: como ajudar?


Para ajudar pessoas que passam por essas situações, é importante orientá-las a consultar um profissional da saúde, a exemplo de médicos, enfermeiros e psicólogos. Além disso, acrescenta a psicóloga, também é necessário que as pessoas mais próximas deem um acolhimento e entendam o contexto que a pessoa está vivendo.

A psicóloga informa que são diversos os fatores que levam as pessoas a usarem drogas lícitas e ilícitas e a tentarem ou praticarem o autoextermínio. Dentre eles estão quadros de transtorno de ansiedade e depressivo (que pode ter relação com hereditariedade, abuso de álcool e outras drogas, conflitos familiares e sociais e outros).

O enfermeiro Carlos Eduardo destaca outros trabalhos importantes que devem ser desenvolvidos para gerar uma conscientização na sociedade: “Mobilização, panfletagem, palestras, encontros, grupos operativos, trabalho preventivo em instituição de ensino, formação de grupos de artesanatos, oficinas de música e teatros. Ele também destaca a importância do trabalho em rede buscando não só ofertar o curativo, mas, principalmente, o trabalho preventivo por meios de ações que promovam práticas esportivas.

Âmbito Nacional


De acordo com informação publicada no site Estadão, em pesquisa do IBGE divulgada em 23 de agosto de 2016 é revelado o aumento do acesso precoce a bebidas alcoólicas e a drogas ilícitas no Brasil. Mais da metade dos jovens, 55% (1,44 milhão de alunos), relataram já ter tomado ao menos uma dose de bebida alcoólica, proporção superior aos 50,3% registrados no ano de 2012. Já drogas ilícitas, 9% dos alunos (236,7 mil) revelaram ter experimentado, número maior que os 7,3% de 2012.

Em números apresentados com exclusividade pela BBC Brasil no dia 22 de abril deste ano, no Mapa da Violência 2017 – estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde – os dados mostram que, em 12 anos, a taxa de suicídios na população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014. O aumento foi de 10%.