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Vovó da Sucata: uma vida marcada pelo trabalho e pela fé

“É Deus acima de tudo, dono do ouro e da prata. Se eu estou viva, agradeço a Ele”

Publicada em: 20 de setembro de 2019 às 16h20
Arcos
Memória

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 14/09/2019) - Edição 2018

Sirlene de Fátima Araújo, conhecida como Vovó da Sucata, é uma senhora que há alguns anos anda pelas ruas da cidade recolhendo sucatas e papelão, para vender e tentar se manter. É natural de Goiânia, tem um filho e foi casada com Antônio Bernardes Araújo (in memoriam).

A rotina dela começa bem cedo. “Eu acordo às 04h da manhã todos os dias, também dia de sábado, domingo e feriado; saio catando sucata”. É uma longa caminhada, do bairro Nova Morada II até o centro, carregando um carrinho.

Segundo ela, em alguns dias o retorno é até bom, mas às vezes quase não é suficiente para comprar arroz e feijão. “Ontem eu vendi minhas latinhas e deu R$156,00. Aí um dia dá mais, um dia dá menos, um dia não dá nem um pacote de arroz ou um de feijão, e vai empurrando”, comentou. Ela já chegou a trabalhar com a Associação dos Recicladores de Arcos, mas atualmente trabalha sozinha.

Emocionada, contou à repórter do Jornal CCO que durante o percurso de seu trabalho diário, conta com a boa vontade de muitas pessoas que se dispõem a ajudá-la. Pela manhã, toma café na padaria Sabor dos Dias; e no horário do almoço, ganha uma marmita do restaurante Casa da Vovó.

 

Dificuldades

Ao relatar as dificuldades de sua vida, Sirlene de Fátima contou que em certo dia ela chegou a ir “morar” debaixo de uma árvore, por não ter para onde ir. “Eu já morei com família, mas aí, todo tanto que eu catava de lixo era pouco. Chegou ao ponto de eu ir para debaixo de uma árvore. Isso aconteceu aqui em Arcos, ali no bairro Othon Maia. Aí, no mesmo dia alguém me pegou, me reconheceu e disse que eu não merecia passar por aquilo”, relembrou.

Hoje, mora sozinha no bairro Nova Morada II. Segundo ela, as parcelas da casa já foram pagas por uma pessoa que se dispôs a ajudá-la e a quem ela é muito grata. Atualmente, suas principais necessidades são financeiras e alimentícias. Algumas vezes, suas contas de água e luz são pagas por alguém que se disponibiliza a ajudar, mas às vezes ela paga uma e a outra acaba sendo cortada.

“Vovó da Sucata” também precisa de móveis para sua casa. Segundo ela, os móveis que estão lá são de uma neta e muitos já estão estragados. “O sofá não é meu, a televisão não funciona, o guarda-roupa não é meu, o carrinho foi a Casa Fontes que me doou para eu trabalhar”, disse. Ela precisa de geladeira e queria ter uma televisão que funcione, porque as que estão na casa não funcionam. Também precisa de um sofá e um guarda-roupa, porque os que estão lá são da neta dela.

 

Vida de trabalho e fé

Ao fim da entrevista, perguntamos se ela pensa em parar de trabalhar, por já ser idosa, e ela disse: “Se eu não trabalhar pra mim, eu quero trabalhar para o próximo”. Ao enaltecermos sua perseverança no trabalho, recolhendo sucatas e papelão, de maneira honesta, ela ressaltou que tudo que faz é para Deus. “Eu quero levar a minha vida pra Deus, porque Ele não precisa da minha carne, ele precisa da minha alma”.

Sirlene de Fátima é uma mulher de muita fé. Para ela, estar até hoje em sua caminhada diária de trabalho é um privilégio e uma graça que também vem de Deus. “É Deus acima de tudo, dono do ouro e da prata. Se eu estou viva, agradeço a Ele”.

Como ajudar – Para aqueles que quiserem ajudá-la com alguma doação, “Vovó da Sucata” mora na Rua Antônio de Melo Carvalho, 321, bairro Nova Morada II.