A SAGA DE CORVÉLIA: FESTA DE 15 ANOS (SIM OU NÃO?)
Mistíca Literária / Por: Francielle Férreira
Aurélio liga para Corvélia 90 dias antes do aniversário dela e diz: “Filha, precisa escolher os detalhes da sua festa de 15 anos. Já contratei a melhor decoradora e tenho que fechar contratos com outros fornecedores. O prazo já está curto para tantos detalhes. Se você não escolher, vou deixar o cerimonialista escolher tudo.”
Corvélia diz com raiva: “Pai, não quero uma maldita festa!” e desliga o celular na cara de seu pai. Depois, ela desabafa com seu corvo Breu: “Ele só quer fazer a festa para ostentar”.
Como seu pai é muito rico e sempre envia presentes caros, Corvélia sente que ele apenas quer fazer a festa pelo status, sem se importar realmente com seu aniversário. Em sua visão, o pai tenta compensar a ausência com bens materiais. Ela ainda não entende que Aurélio vive em uma depressão profunda após a morte de sua esposa, Constança. Ele não consegue controlar a tristeza que o consome. Além disso, sempre sente que fracassou como pai. Mas acredita que fracassaria ainda mais se mantivesse Corvélia perto dele, arrastando-a para o mesmo buraco da dor.
Cândida ouve a conversa e fala para a neta: “Apoio seu pai! Vai ter festa!”. Corvélia fecha a cara e sua avó continua: “Quero te dar uma coisa”. As duas vão para uma pequena sala e Cândida retira um belíssimo bracelete de corvo dentro de um baú. Corvélia fica curiosa e sua avó esclarece: “Sua mãe deixou esse presente para você usar quando completasse 15 anos. Esse vai ser o seu aniversário mais importante!”.
Corvélia segura o bracelete, emocionada e chorosa, em seguida fala: “Sinto muita falta dela!”. “Eu também, querida. Ela ia querer fazer uma grande festa! Lá do céu ela vai comemorar com você”, afirma dona Cândida. As duas se abraçam carinhosamente.
Assim, Corvélia aceita fazer a festa de 15 anos do jeitinho gótico dela, escolhendo como tema a literatura de terror: os clássicos góticos (Drácula de Bram Stoker, Frankenstein de Mary Shelley, O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde e O Fantasma da Ópera de Gaston Leroux) e Edgar Allan Poe. A decoradora amou a ideia e estava se dedicando muito para deixar tudo como a aniversariante sonhou. Sobrou até para Aurélio, pois Corvélia disse que só dançaria a valsa com ele se ele estivesse vestido de Drácula.
