Censo 2022 registrou mais de mil analfabetos em Arcos

Jovens e adultos que não sabem ler e escrever não têm essa oportunidade no Município; nenhuma escola de Arcos trabalha com alfabetização de adultos (anos iniciais/1º ao 5º ano)

Censo 2022 registrou mais de mil analfabetos em Arcos
Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasil de Notícias

O Censo do IBGE realizado em 2022 (o mais recente) mostrou que 96,66% das pessoas de 15 anos ou mais de idade moradoras de Arcos eram alfabetizadas e 3,34% não alfabetizadas.

Total: 34.179 
Alfabetizadas:   33.038 (96,66%)  
Não alfabetizadas:  1.141 (3,34%)

A taxa de alfabetização de Arcos era a 32ª maior do estado em 2022. Divinópolis apareceu na 16ª classificação.

Jovens e adultos analfabetos

Jovens e adultos residentes em Arcos que não foram alfabetizados quando eram crianças continuam sem acesso a esse curso. Essas pessoas enfrentam diversas barreiras no dia a dia, em diferentes contextos, inclusive para conseguirem emprego.

No Município é ofertada a modalidade de Educação para Jovens e Adultos (EJA) no CESEC (Centro Estadual de Educação Continuada), que corresponde às séries finais do Ensino Fundamental (6º, 7º, 8º e 9º anos) e ao Ensino Médio (1º, 2º e 3º ano). O curso do CESEC é para pessoas que já são alfabetizadas. Quem não sabe ler e escrever não pode ser matriculado.

Com exceção da oferta em presídios, o Estado não oferece educação de 1º ao 5º ano (anos iniciais/alfabetização) para jovens e adultos.

Atualmente, nenhuma escola de Arcos trabalha com alfabetização de adultos (anos iniciais/1º ao 5º ano). Leia outra matéria do CCO sobre o assunto: https://www.jornalcco.com.br/arcos-nao-oferece-curso-de-alfabetizacao-1o-ao-5o-ano-para-jovens-e-adultos

Em maio de 2025, a Secretaria Municipal de Educação de Arcos divulgou pesquisa de demanda do Programa Brasil Alfabetizado. Um total de 25 pessoas de Arcos demonstraram interesse na alfabetização (aos iniciais do ensino fundamental – 1º ao 5º ano).



As 10 cidades com maiores taxas de alfabetização em Minas Gerais são as seguintes:

Nova Lima
Belo Horizonte
Juiz de Fora
Poços de Caldas
Lagoa Santa
Lavras
São Lourenço
Itaúna
Itajubá 
Contagem

Dados nacionais

De acordo com divulgação feita pela Agência Brasil de Notícias/Repórter Ana Cristina Campos, no Brasil, das 163 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 15 anos, 151,5 milhões sabem ler e escrever ao menos um bilhete simples e 11,4 milhões não têm essa habilidade. A taxa de alfabetização foi de 93% e, consequentemente, a taxa de analfabetismo foi 7% do contingente populacional. Os dados são do Censo Demográfico 2022.

Em seis décadas, percentual subiu quase 20 pontos percentuais. Segundo o IBGE, observa-se uma tendência de aumento da taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais ao longo dos censos.  “A comparação dos resultados de 2000 com os de 2010 e os de 2022 indica que a queda na taxa de analfabetismo ocorreu em todas as faixas etárias, refletindo, principalmente, a expansão educacional, que universalizou o acesso ao ensino fundamental no início dos anos 1990, e a transição demográfica que substituiu gerações mais antigas e menos educadas por gerações mais novas e mais educadas”, diz o instituto.

Ainda de acordo com o IBGE, em 2022, o grupo de 15 a 19 anos atingiu a menor taxa de analfabetismo (1,5%) e o grupo de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa de analfabetismo (20,3%).

A elevada taxa de analfabetismo entre os mais velhos é um reflexo da dívida educacional brasileira, cuja tônica foi o atraso no investimento em educação, tanto para escolarização das crianças, quanto para a garantia de acesso a programas de alfabetização de jovens e adultos por uma parcela das pessoas que não foram alfabetizadas nas idades apropriadas, conforme almejado pela Constituição de 1988”, diz o órgão.

A Região Sul se mantém com a maior taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais. O percentual passou de 94,9% em 2010 para 96,6% em 2022. Em seguida, com maiores taxas, vem a Região Sudeste, que variou de 94,6% em 2010 para 96,1% em 2022.