Conheça a trajetória da autora de ‘Debaixo do balaio’
Série Membros da Academia de Letras de Arcos
A educadora e escritora arcoense Maria Marlene Rodrigues de Sousa, 70 anos, trabalha atualmente como consultora de projetos nas áreas de educação, cultura e gestão de “Cidades Inteligentes”.
É Mestre em Educação, com formação inicial em Letras e Pedagogia. Além da atuação no magistério, também trabalhou no serviço público municipal na Prefeitura e na Câmara. Foi vereadora em três mandados e, em outras ocasiões, secretária de Cultura e secretária de Educação.
Marlene escreve desde a década de 1970, há mais de 50 anos. Em 2020, recebeu o convite da professora e também escritora Rosana Silva, para fundarem a Academia de Letras de Arcos (ALARC).
Artigos científicos e memórias
Da juventude até então, ela não tem ideia de quantos textos já escreveu. Muitos foram publicados em jornais de Arcos, Divinópolis e Formiga. Também escreveu artigos científicos, principalmente quando exerceu o magistério lecionando a disciplina Iniciação Científica em cursos superiores nos municípios de Piumhí e São Gotardo. Ainda se dedica à pesquisa e produção de conhecimento. Recentemente, escreveu o artigo científico intitulado: Gestão Pública Contemporânea: Desafios e perspectivas emergentes. Foi publicado no International Integralize Scientific, no curso de Ciências da Administração.
“Debaixo do balaio”
Outro estilo apreciado por ela são as memórias. No final de 2024, publicou o livro “Debaixo do Balaio”, eternizando relatos de pessoas que participaram da construção do desenvolvimento de Arcos. “Selecionamos, de forma eclética, algumas pessoas que narraram seus contos e alguns causos interessantes”.
O livro traz informações de 33 protagonistas idosos que vivenciaram até mesmo a emancipação político-administrativa de Arcos. “Em suas falas, os entrevistados não pouparam usos de expressões e dialetos próprios deles”, comenta.
Marlene ficou feliz com a repercussão. “A 1ª edição foi muito limitada, mas valeu como uma das iniciativas para organizar e preservar a memória histórica de Arcos”.
A arcoense tem essa preocupação em preservar documentos e registrar lembranças narradas no dia a dia, afinal, ficam limitadas ao grupo familiar. Ela diz que essas memórias (os documentos) não podem ser tratadas como “papéis velhos sem nenhum significado”. “Nossas futuras gerações cobrarão nossa história. Além de escrever, tenho essas preocupações. Que venham outras edições!”.
“[...] Reeducar as crianças para menos Tela e mais Leitura [...]”
Com o uso do celular, a leitura de livros e mídias impressas tornou-se um desafio. Marlene Rodrigues comenta: “[...] A leitura de livros físicos está sendo substituída por conversas e vídeos de celular; a pesquisa está sendo ditada por outras fontes de informações e substituídas por ‘Ctrl c Ctrl v’ sem o mínimo critério de fidelidade”.
Nesse contexto, ela acredita que é preciso “reeducar as crianças para menos Tela e mais Leitura, sem deixar de mostrá-las um ambiente computacional e como usá-lo”. Ela enfatiza o momento atual, quando já se usa até mesmo a IA (Inteligência Artificial). “Mas até mesmo para entendê-la [a IA], é preciso que tenham uma leitura de mundo”, pontua.
Ao falar de cultura e leitura, especificamente, Marlene menciona a importância do “culto ao belo”. “Podemos definir Cultura como: um conjunto de crenças, manifestações artísticas e literárias que nos permite cultuar o ‘Belo’ nas poesias, nos poemas, nas diversas formas textuais, nos livros, nos possibilitando uma capacidade de perceber a essência dos escritores, dos valores, conhecimentos, costumes, das tradições, memórias e práticas de um determinado povo ou mesmo de um grupo social. A cultura é responsável por moldar a identidade de uma sociedade, influenciando em nossas formas de pensamento, de nosso comportamento, de como relacionamos com o mundo ao nosso redor”.
E quanto ao entretenimento? Ela escreve: “Já o entretenimento tem uma interseção fundamental com a cultura refletindo e moldando os valores sociais, incluindo experiências que comemoram e preservam as memórias, as tradições, como por exemplo: os festivais, exposições de arte, danças, teatros, literatura, música e outros, desempenhando um papel fundamental na cultura e na conexão com as pessoas”.
Patrono
O patrono de Marlene Rodrigues na ALAC é Francisco Fernandes. Ela o descreve: “Um grande arcoense que foi autodidata, músico e apaixonado pelas letras, pesquisador que contribuiu muito para nossa literatura, quando Arcos ainda estava nascendo. Escreveu até mesmo um dicionário da língua portuguesa, tornando-se conhecido nacionalmente quando continuou seus trabalhos no Rio de Janeiro; e até nos dias atuais, seus trabalhos são citados”.
Família
Marlene é filha de Zenóbia Francisca Teixeira e João Rodrigues Teixeira, ambos falecidos. A mãe era dona de casa e o pai era fazendeiro.
É casada com o motorista e empresário Belchior Félix de Sousa. O casal teve dois filhos: Alexandre Rodrigues de Sousa (veterinário) e Diego Rodrigues de Sousa (cirurgião-dentista).
