Equipe do IFMG vai pesquisar preço da cesta básica em Arcos

Em outubro, duas alunas irão visitar 200 famílias e aplicar questionários

Set 18, 2025 - 16:22
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Equipe do IFMG vai pesquisar preço da cesta básica em Arcos

O Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), unidade de Arcos, está colocando em prática o projeto Segurança Alimentar: levantamento e análise do custo da cesta básica no município de Arcos. 

O objetivo é analisar a evolução de preços dos 13 produtos da Cesta Básica e o gasto mensal que um trabalhador teria para adquirir esses produtos no município de Arcos, segundo a metodologia do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Será feito o levantamento do preço da cesta básica no Município e de quantas horas o trabalhador precisa trabalhar no mês para adquiri-la. 

Duas alunas bolsistas no projeto, uniformizadas e com crachá de identificação, estarão visitando 200 famílias em vários pontos de Arcos, provavelmente a partir de meados de outubro. Elas irão identificar as 13 marcas de 13 produtos que essas famílias consomem e em quais estabelecimentos fazem as compras. 

Depois da identificação, mensalmente serão coletados os preços desses 13 itens. A divulgação será feita no site institucional do IFMG Campus Arcos e nos jornais (impresso e digital) do município, mostrando qual produto teve alta ou baixa e demais análises. 

A proposta é da área de Administração do campus Arcos e o projeto é coordenado pela Profa. Mestre Nayara Santos. A equipe participante é composta por ela, mais quatro professores e duas alunas do curso Técnico em Administração Integrada ao Ensino Médio, que são bolsistas no projeto e irão a campo aplicar os questionários. 

Insuficiência do salário mínimo 

No resumo do projeto é relatado que, embora a segurança alimentar seja um dos direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988, estabelecendo um salário mínimo como garantia da subsistência alimentar, relatórios do DIEESE demonstram que nem sempre esse valor é suficiente, com o percentual estimado pela Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 35,71% das despesas. 

Importância da pesquisa para o contexto de Arcos

Ao especificar o contexto da cidade de Arcos, a pesquisa do custo da cesta básica do Município “atua como termômetro econômico e social” e “o valor da cesta básica e o cálculo das horas trabalhadas necessárias para a sua aquisição influem nas decisões de políticas públicas, especialmente para a população em vulnerabilidade social, como forma de erradicação da fome e da miséria nos lares”.

Conforme consta na justificativa do projeto, é importante compreender “o comportamento dos preços da cesta básica em Arcos, a fim de contribuir com o estudo econômico e as políticas públicas que podem ser desenvolvidas no município com o objetivo de erradicar a pobreza através do desenvolvimento de ações que garanta a segurança alimentar pelo poder público municipal”.

Salário médio mensal em Arcos

No texto introdutório do projeto é relatado que o salário médio mensal dos trabalhadores no Município de Arcos é de 2,1 salários mínimos e que, em 2010, 30% da população possuíam rendimento nominal mensal per capita de até ½ salário mínimo (IBGE, 2010).

“Diante disso, a presente pesquisa propõe verificar se o salário mínimo nacional se mostra capaz de propiciar a alimentação básica familiar e segurança alimentar no município de Arcos/MG”.

Ainda na justificativa do projeto, está descrito que desde outubro de 2023 o preço dos alimentos vem aumentando acima da inflação. “Nos meses de janeiro e fevereiro de 2024, a alta chegou a 2,95%, mais do que o dobro do índice oficial da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) (O GLOBO, 2024).”

Também é informado que a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em janeiro de 2024, apontou o aumento da cesta básica em 16 das 17 capitais brasileiras onde o DIEESE realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. A única capital com redução foi a cidade de Fortaleza (-1,91%). A capital mineira, Belo Horizonte, obteve um aumento de 10,43%.

Qual deveria ser o valor do salário mínimo?

Outra informação importante que consta na justificativa do projeto é que em janeiro de 2024, o salário mínimo para garantir a manutenção da alimentação de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 6.723,41 (4,76 vezes o salário mínimo do período, de R$ 1.412,00”. “Mesmo com o aumento de 6,97% no salário mínimo em janeiro de 2024, o tempo médio para adquirir os produtos da cesta básica foi de 106 horas e 30 minutos (DIEESE, 2024). O trabalhador remunerado pelo piso nacional gastou em média, em janeiro de 2024, 52,33% do seu rendimento para adquirir produtos alimentícios básicos [percentual em relação ao salário mínimo líquido]. [...].  A alta dos preços dos itens foi justificada pelo excesso de chuva, oferta e demanda e exportação (DIEESE, 2024)”.
O CCO publicará outras matérias sobre o tema. Fique atento.