Formiguense é condenado à prisão perpétua na Irlanda; informação sobre pena de morte é falsa
Circulou nas redes sociais e em aplicativos de mensagens a informação de que um formiguense teria sido condenado à pena de morte no exterior. No entanto, a informação não procede.
O caso real envolve o brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, natural de Formiga (MG), condenado à prisão perpétua na Irlanda, país que não prevê pena de morte em sua legislação. A sentença foi proferida no dia 22 de janeiro de 2026, após julgamento no Tribunal Criminal Central, na cidade de Cork. O réu foi considerado culpado por unanimidade pelo júri, formado por sete mulheres e cinco homens.
O crime ocorreu no dia 1º de janeiro de 2023, em um apartamento localizado na região central de Cork. A vítima, a brasileira Bruna Fonseca, de 28 anos, também natural de Formiga, foi encontrada morta após ter sido espancada e estrangulada. Bruna era bibliotecária, formada pelo Unifor-MG, e havia se mudado para a Irlanda em setembro de 2022, onde trabalhava enquanto buscava melhores condições financeiras para ajudar a família.
Durante o julgamento, familiares da vítima acompanharam a sessão presencialmente na Irlanda. Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, irmãs, sobrinha e prima de Bruna se emocionaram no plenário ao ouvirem a sentença. Em declaração, uma das irmãs afirmou que a condenação representa um senso de justiça, embora não diminua a dor da perda.
As investigações apontaram que o relacionamento entre Bruna e o réu havia terminado meses antes do crime. Mesmo após uma tentativa de reaproximação em solo europeu, a jovem teria decidido encerrar definitivamente o vínculo. Informações apuradas durante o processo indicam que, após o crime, o acusado entrou em contato com um amigo relatando o ocorrido, o que levou ao acionamento da polícia irlandesa e à sua prisão.
O caso teve grande repercussão no Brasil e na Irlanda. Em janeiro de 2023, homenagens à vítima foram realizadas em Formiga, no Mirante do Cristo, e também em Cork, com vigílias organizadas por familiares, amigos e membros da comunidade brasileira. À época, familiares mobilizaram uma campanha solidária para o traslado do corpo ao Brasil, com arrecadação expressiva em poucas horas. O sepultamento ocorreu em Formiga, em meio a forte comoção.
A ampla repercussão do julgamento acabou gerando desinformação nas redes sociais, com a circulação equivocada de que haveria condenação à pena de morte. Países da União Europeia, como a Irlanda, aboliram a pena capital há décadas, o que torna juridicamente impossível esse tipo de sentença.
